segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MERCADO DO CARBONO

Escrito por Natascha Trennepohl Dom, 12 de Agosto de 2012 21:46 

 
Diversos temas foram abordados durante o evento, mas os que receberam maior destaque foram as discussões em torno do valor atual dos créditos de carbono e os mercados paralelos que estão se desenvolvendo em outros países.
O valor dos créditos de carbono é influenciado por diversos fatores e atualmente está abaixo das expectativas. Além de um excedente de permissões existente no mercado europeu, causado em parte pela crise econômica e pela diminuição na produção, a falta de ambição em termos de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) também contribui para um mercado com mais oferta do que demanda. Essa situação desestimula o investimento em novas tecnologias, pois acaba sendo muito mais barato comprar créditos do que investir internamente em redução de emissões.
O mercado de carbono europeu continua ligado às negociações internacionais no âmbito das Nações Unidas, não apenas por ter sua origem no Protocolo de Quioto, mas também em razão das correntes discussões sobre o segundo período do Protocolo, reformas no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e criação de novos mecanismos de mercado.
No entanto, além das ações em âmbito internacional, iniciativas nacionais ganham cada vez mais força. Nesse contexto, é importante o diálogo entre diferentes atores, tanto do governo quanto da iniciativa privada. A secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, esteve presente na Carbon Expo e enfatizou que a adoção de medidas de combate às mudanças climáticas é uma corrida para ser executada em conjunto entre iniciativas nacionais e internacionais. Figueres ressaltou que os países tem sido perseverantes e ainda acrescentou que “o impossível não existe - é só uma questão de atitude”.
De fato, apesar das negociações internacionais para um novo acordo climático estarem evoluindo a passos lentos, diversos países, entre eles o Brasil, já assumiram compromissos nacionais voluntários para reduzirem suas emissões de GEE. Alguns países, inclusive, já adotaram legislações específicas para lidarem com os desafios das mudanças climáticas, como é o caso do Brasil e do México. Outros países, por sua vez, já estabeleceram regulações internas para o desenvolvimento de seus próprios mercados de carbono, como é o caso da Austrália, da Nova Zelândia, dos Estados Unidos (no Estado da Califórnia) e do Canadá (na província de Québec). Esses novos mercados devem entrar em funcionamento entre 2013 e 2015.
Além desses países, Brasil e China também foram destaques na feira com a apresentação de planos de implementação de novos mercados em seus territórios. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi representado por Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde, em uma sessão para discutir desafios e oportunidades no design e na implementação desses novos mercados. Kahn mencionou as características do mercado de emissões a ser criado pelo governo do Rio, cujas regras seriam divulgadas durante a Rio+20, bem como estudos sendo realizados pelo governo federal para a implementação de um mercado nacional até 2018. Ao se ter o Rio de Janeiro como projeto piloto, a ideia central é que a experiência adquirida com esse sistema possa ser usada no futuro por outros Estados brasileiros e possa, inclusive, auxiliar o desenvolvimento de um mercado nacional. Vale lembrar que a própria lei instituidora da Política Nacional sobre Mudança do Clima faz referência direta ao desenvolvimento do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. Outra iniciativa brasileira que foi mencionada durante a Carbon Expo 2012 foi a criação da Bolsa Verde do Rio de Janeiro. A BV Rio é uma bolsa para a negociação de ativos ambientais que vai transacionar créditos florestais e de carbono.
Em razão dessa fragmentação do mercado de carbono com diversos sistemas emergindo e cada qual com suas próprias regras, nesta edição da Carbon Expo muitos debates e eventos paralelos discutiram os desafios relacionados com a ligação de futuros mercados e a viabilidade de se ter a longo prazo um mercado de carbono global. Caso a ligação entre os mercados aconteça, é certo que a harmonização de regras depois que instrumentos tão complexos como mercados de carbono já estão implementados pode ser bem mais complicada e demorada.
As discussões atuais deixam bem claro que a estrutura do mercado de carbono mudou bastante e é muito mais fragmentada. A própria regulação do mercado europeu já sofreu significativas alterações desde a sua criação em 2005 e muitas mudanças ainda devem acontecer. De fato, o uso de mecanismos de mercado como instrumentos de política ambiental vem crescendo e se diversificando, requerendo dos profissionais um conhecimento cada vez maior dos diferentes sistemas para poderem identificar as oportunidades.
Mercado de Carbono: visão geral, volumes e valores, calendário 2010-2011
Mantendo a tradição dos últimos anos, o Banco Mundial lançou durante a Carbon Expo a nova edição 2012 do relatório “Estado e Tendências do Mercado de Carbono”. De acordo com o relatório, o valor total do mercado de carbono cresceu 11% no ano passado, tendo sido negociados 176 bilhões de dólares e mais de 10 bilhões de toneladas de CO2e.
Apesar da crise econômica e das incertezas em torno do futuro do mercado de carbono, a Carbon Expo teve aproximadamente 2.500 participantes de diferentes partes do mundo. Além de ser uma plataforma de negócios para pessoas e empresas que estão diretamente envolvidas com o mercado de carbono, a feira também promove seminários, workshops e sessões paralelas nas quais os participantes recebem informações atualizadas sobre o mercado e as tendências. A feira possui uma área ampla para expositores e a edição deste ano contou com 199 expositores de 67 países. A próxima edição da feira acontecerá em 2013 na cidade de Barcelona, Espanha. Em 2014 a feira volta a ser realizada na Alemanha.
 

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