terça-feira, 21 de agosto de 2012

Crédito de carbono auxilia a financiar pequena hidrelétrica

terça-feira, 21 agosto, 2012 0:16

Wikipedia
Pequena Central Hidrelétrica causa menor impacto ambienal onde é instalada

Na Escola Politécnica (Poli) da USP, estudo demonstra que a utilização de créditos de carbono pode reduzir o investimento necessário para a implantação de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH).
Além de não emitir gás carbônico (CO2) na atmosfera, o que aconteceria com uma usina termelétrica que gera energia utilizando combustível fóssil, a PCH tem menos impacto ambiental na região em que é implantada devido a sua dimensão reduzida.
O trabalho da arquiteta Heliana Artigiani foi orientado pelo professor Cláudio Tavares de Alencar, da Poli.
De acordo com a arquiteta, os créditos de carbono, também chamados de Redução Certificada de Emissões (RCE), são obtidos por meio do cálculo que se faz da redução das emissões de CO2. “Para obter esse valor, é admitida a linha de base, que consiste em verificar as emissões produzidas pela matriz energética em operação no país durante um ano”, explica. “Adicionando a energia que será produzida pela nova PCH é possível mensurar quanto CO2 deixará de ser emitido.”
Por meio de uma metodologia de cálculo, é possível definir e converter a quantidade de CO2 que deixa de chegar à atmosfera em créditos de carbono, que serão negociados através da Bolsa Mercantil e Futuros (BM&F), no Mercado de Carbono. “A concessão dos créditos é regulamentada nos países em desenvolvimento pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), e supervisionada no Brasil pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima”, diz Heliana.“A metodologia pode ser desenvolvida pelo próprio empreendedor que solicita os créditos, ou então pode ser utilizado o método já aprovado e padronizado pela Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima (UNFCCC)”.
Para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), são consideradas PCHs as centrais que tem de 1 a 30 megawatts (MW) de potência e ocupam uma área inundada de até 3 quilômetros quadrados (km2) para a cheia centenária (nível máximo das águas nos últimos cem anos). “Na pesquisa, o uso de RCE foi estimado para um empreendimento de PCH de 15MW de potência instalada, limite máximo para projetos de pequena escala no MDL”, acrescenta a arquiteta. De acordo com a Aneel, o Brasil possui hoje 423 PCH instaladas e em operação, com potência de 4.150MW, representado 3,43% da energia gerada no País.
Projeto
Depois de definir a metodologia de cálculo, o empreendedor deve elaborar um Documento de Concepção de Projeto (DCP) que leve em conta os padrões do MDL. “A área da central, por exemplo, pode reduzir a concessão de créditos, pois o impacto ambiental aumenta conforme sua dimensão”, diz Heliana.

Em seguida, o projeto passa por uma Entidade Operacional Designada, que são instituições brasileiras ou internacionais credenciadas pelo Conselho Executivo do MDL (que supervisiona o funcionamento do MDL) a fazer a validação do DCP. Uma vez validado, ele segue para a Comissão Interministerial de Mudanças Globais do Clima. Depois, retorna para para a Entidade Operacional, que realiza o registro, e segue para o Conselho Executivo do MDL, que faz a emissão das RCEs.
O estudo mostra que 70% do valor necessário para implantar a central pode ser obtido junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e 30% é pelo investimento do próprio empreendedor. “O custo total de implantação de uma PCH de 15MW de potência instalada é estimado em R$ 90 milhões, nos quais os créditos de carbono representam 3% desse valor, ou seja, os créditos ajudam a reduzir o investimento que o empreendedor precisará fazer para realizar a obra”, ressalta Heliana.
Depois da construção da PCH, a Entidade Operacional Designada realiza um trabalho permanente de monitoramento, verificação e certificação da central em funcionamento, para assegurar que não há emissões de CO2. “Ao se optar pela construção de uma hidrelétrica, deixa-se de lado as termelétricas, que provocam emissões, e utiliza-se uma fonte renovável de energia”, destaca a arquiteta. “Devido às suas dimensões reduzidas, a PCH apresenta a vantagem adicional de causar um menor impacto ambiental nas regiões em que é instalada em relação a uma Usina Hidrelétrica convencional.”
Júlio Bernardes | Agência USP
Fonte: http://www.farolcomunitario.com.br/meio_ambiente_000_0546-credito-de-carbono-auxilia-a-financiar-pequena-hidreletrica.php?goback=%2Egde_4445669_member_149981474

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MERCADO DO CARBONO

Escrito por Natascha Trennepohl Dom, 12 de Agosto de 2012 21:46 

 
Diversos temas foram abordados durante o evento, mas os que receberam maior destaque foram as discussões em torno do valor atual dos créditos de carbono e os mercados paralelos que estão se desenvolvendo em outros países.
O valor dos créditos de carbono é influenciado por diversos fatores e atualmente está abaixo das expectativas. Além de um excedente de permissões existente no mercado europeu, causado em parte pela crise econômica e pela diminuição na produção, a falta de ambição em termos de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) também contribui para um mercado com mais oferta do que demanda. Essa situação desestimula o investimento em novas tecnologias, pois acaba sendo muito mais barato comprar créditos do que investir internamente em redução de emissões.
O mercado de carbono europeu continua ligado às negociações internacionais no âmbito das Nações Unidas, não apenas por ter sua origem no Protocolo de Quioto, mas também em razão das correntes discussões sobre o segundo período do Protocolo, reformas no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e criação de novos mecanismos de mercado.
No entanto, além das ações em âmbito internacional, iniciativas nacionais ganham cada vez mais força. Nesse contexto, é importante o diálogo entre diferentes atores, tanto do governo quanto da iniciativa privada. A secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, esteve presente na Carbon Expo e enfatizou que a adoção de medidas de combate às mudanças climáticas é uma corrida para ser executada em conjunto entre iniciativas nacionais e internacionais. Figueres ressaltou que os países tem sido perseverantes e ainda acrescentou que “o impossível não existe - é só uma questão de atitude”.
De fato, apesar das negociações internacionais para um novo acordo climático estarem evoluindo a passos lentos, diversos países, entre eles o Brasil, já assumiram compromissos nacionais voluntários para reduzirem suas emissões de GEE. Alguns países, inclusive, já adotaram legislações específicas para lidarem com os desafios das mudanças climáticas, como é o caso do Brasil e do México. Outros países, por sua vez, já estabeleceram regulações internas para o desenvolvimento de seus próprios mercados de carbono, como é o caso da Austrália, da Nova Zelândia, dos Estados Unidos (no Estado da Califórnia) e do Canadá (na província de Québec). Esses novos mercados devem entrar em funcionamento entre 2013 e 2015.
Além desses países, Brasil e China também foram destaques na feira com a apresentação de planos de implementação de novos mercados em seus territórios. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi representado por Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde, em uma sessão para discutir desafios e oportunidades no design e na implementação desses novos mercados. Kahn mencionou as características do mercado de emissões a ser criado pelo governo do Rio, cujas regras seriam divulgadas durante a Rio+20, bem como estudos sendo realizados pelo governo federal para a implementação de um mercado nacional até 2018. Ao se ter o Rio de Janeiro como projeto piloto, a ideia central é que a experiência adquirida com esse sistema possa ser usada no futuro por outros Estados brasileiros e possa, inclusive, auxiliar o desenvolvimento de um mercado nacional. Vale lembrar que a própria lei instituidora da Política Nacional sobre Mudança do Clima faz referência direta ao desenvolvimento do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. Outra iniciativa brasileira que foi mencionada durante a Carbon Expo 2012 foi a criação da Bolsa Verde do Rio de Janeiro. A BV Rio é uma bolsa para a negociação de ativos ambientais que vai transacionar créditos florestais e de carbono.
Em razão dessa fragmentação do mercado de carbono com diversos sistemas emergindo e cada qual com suas próprias regras, nesta edição da Carbon Expo muitos debates e eventos paralelos discutiram os desafios relacionados com a ligação de futuros mercados e a viabilidade de se ter a longo prazo um mercado de carbono global. Caso a ligação entre os mercados aconteça, é certo que a harmonização de regras depois que instrumentos tão complexos como mercados de carbono já estão implementados pode ser bem mais complicada e demorada.
As discussões atuais deixam bem claro que a estrutura do mercado de carbono mudou bastante e é muito mais fragmentada. A própria regulação do mercado europeu já sofreu significativas alterações desde a sua criação em 2005 e muitas mudanças ainda devem acontecer. De fato, o uso de mecanismos de mercado como instrumentos de política ambiental vem crescendo e se diversificando, requerendo dos profissionais um conhecimento cada vez maior dos diferentes sistemas para poderem identificar as oportunidades.
Mercado de Carbono: visão geral, volumes e valores, calendário 2010-2011
Mantendo a tradição dos últimos anos, o Banco Mundial lançou durante a Carbon Expo a nova edição 2012 do relatório “Estado e Tendências do Mercado de Carbono”. De acordo com o relatório, o valor total do mercado de carbono cresceu 11% no ano passado, tendo sido negociados 176 bilhões de dólares e mais de 10 bilhões de toneladas de CO2e.
Apesar da crise econômica e das incertezas em torno do futuro do mercado de carbono, a Carbon Expo teve aproximadamente 2.500 participantes de diferentes partes do mundo. Além de ser uma plataforma de negócios para pessoas e empresas que estão diretamente envolvidas com o mercado de carbono, a feira também promove seminários, workshops e sessões paralelas nas quais os participantes recebem informações atualizadas sobre o mercado e as tendências. A feira possui uma área ampla para expositores e a edição deste ano contou com 199 expositores de 67 países. A próxima edição da feira acontecerá em 2013 na cidade de Barcelona, Espanha. Em 2014 a feira volta a ser realizada na Alemanha.
 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mercado do Carbono - como opera?

Brasil, Economia e Governo

O que é o mercado de carbono e como ele opera no Brasil?


O crédito de carbono é um certificado eletrônico que é emitido quando há diminuição de emissão de gases que provocam o efeito estufa, gerador de aquecimento global. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 (dióxido de carbono) que deixou de ser emitido para a atmosfera. Aos outros gases reduzidos são emitidos créditos, utilizando-se uma tabela de equivalência entre cada um dos gases e o CO2.
Empresas que conseguem diminuir a emissão de gases de efeito estufa (GEE) obtêm esses créditos, podendo vendê-los nos mercados financeiros. Os créditos de carbono são considerados commodities (mercadorias negociadas com preços estabelecidos pelo mercado internacional).
Estes créditos geralmente são comprados por empresas no exterior que, em função do Protocolo de Quioto, têm metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa, mas não conseguem atingir o patamar determinado. A compra dos créditos permite-lhes manter ou aumentar suas emissões.
Ou seja, empresas que poluem acima do limite permitido pelo Protocolo de Quioto pagam pela poluição adicional que geram, remunerando as atividades que reduzem as emissões de gases.
Pelo Protocolo de Quioto, os países industrializados deverão reduzir suas emissões de GEE em relação às emissões de 1990. O Protocolo estabeleceu três mecanismos inovadores, conhecidos como Comércio de Emissões, Implementação Conjunta e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Os dois primeiros são exclusivos dos países que possuem metas obrigatórias, o que não é o caso do Brasil.
Somente no caso do MDL é que existe a finalidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento.
O comércio de emissões é um sistema global de compra e venda de emissões de carbono, baseado no esquema de mercado cap-and-trade. A expressão cap-and-trade, que na tradução livre seria algo como “limite e negociação”, é usada para denominar um mecanismo de mercado que cria limites para as emissões de gases de um determinado setor ou grupo. Com base nos limites estabelecidos, são lançadas permissões de emissão e cada participante do esquema determina como cumprirá estes limites.
As cotas (ou permissões) de emissão podem ser comercializadas, ou seja, aqueles países (ou firmas) que conseguem emitir menos do que foi estabelecido a eles podem vender o excedente àqueles que não conseguiram (ou não quiseram) limitar suas emissões ao número de cotas que tinham.
Nesse ponto é que surge o interesse nos projetos de MDL realizados nos países em desenvolvimento (que não possuem metas obrigatórias), pois esses projetos dão direito aos seus idealizadores de receberem créditos de carbono para comercializar.
Há uma série de critérios para reconhecimento desses projetos, como estarem alinhados às premissas de desenvolvimento sustentável do país hospedeiro, definidos por uma Autoridade Nacional Designada. No caso do Brasil, tal autoridade é a Comissão Interministerial de Mudança do Clima. Somente após a aprovação pela Comissão, é que o projeto pode ser submetido à ONU para avaliação e registro.
De acordo com o estabelecido pelas regras do MDL, todo projeto deve ter um proponente, que será o responsável por ele perante as instâncias do Conselho Executivo do MDL.
O proponente deve ser uma pessoa jurídica – o que significa que projetos de MDL podem ser propostos por governos, ONGs, cooperativas, associações e empresas ou outras instituições formais, mas não por indivíduos ou entidades informais.
Os requisitos gerais que devem ser atendidos por um projeto de MDL, segundo o Conselho Executivo, são:
  • ter a participação voluntária dos atores envolvidos;
  • contar com a aprovação do país onde será implantado;
  • apoiar os objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pelo país onde será implantado;
  • reduzir as emissões de GEE em relação ao que ocorrerá se ele não for implementado – princípio da adicionalidade;
  • contabilizar o aumento de emissões de GEE que ocorra fora dos limites das suas atividades (chamadas “fugas”) e que seja atribuível a essas atividades;
  • trazer uma estimativa dos impactos de suas atividades – as partes envolvidas e/ou afetadas por esses impactos deverão ter sido comprovadamente consultadas;
  • gerar benefícios climáticos – mensuráveis, reais e de longo prazo.
Depois que um projeto de MDL entra em vigor, o Conselho Executivo do MDL emite, de tempos em tempos, a Redução Certificada de Emissões (RCE), documento eletrônico que especifica os créditos de carbono alcançados por esse projeto.
Em termos mundiais, o valor total do mercado de carbono cresceu 11% em 2011, alcançando a cifra de US$ 176 bilhões (o que corresponde à transação de 10,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente), conforme o relatório “State and Trends of the Carbon Market”, publicado pelo Banco Mundial neste ano.
Relativamente aos números do mecanismo de desenvolvimento limpo, até julho de 2012, foram aprovados e registrados na ONU 4.329 projetos de MDL oriundos de todo o mundo. Desses, 49 % ocorreram na China.

O Brasil conta com apenas 5 % do total. Muitos advogam que essa pequena participação no País é fruto da falta de regulamentação do mercado de carbono no Brasil.
Há que se comentar que é natural que a China tenha muito mais projetos de MDL que o Brasil, pois, primeiramente, a economia chinesa é mais de três vezes maior que a brasileira. Além disso, a economia da China possui uma matriz energética baseada em combustíveis fósseis, diferente do Brasil, cuja matriz energética é muito limpa, predominando as hidrelétricas. Isso cria muito mais oportunidades para a China pensar em projetos de MDL.
Quanto à regulamentação do mercado de carbono no Brasil, esta cabe à Comissão Interministerial na condição de Autoridade Nacional Designada do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
Algumas resoluções foram emitidas pela Comissão, sendo que se destaca a Resolução n° 1, de 11 de setembro de 2003 da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, que estabelece os documentos que devem ser enviados pelos proponentes com vistas a obter a aprovação de projetosde MDL. Há também, no site da Comissão, um manual para facilitar a elaboração das propostas.[1]
No âmbito do Poder Legislativo, a proposição que talvez mais debate tenha gerado sobre a regulamentação dos créditos de carbono foi o PLS nº 33, de 2008, fruto dos trabalhos da Comissão Mista Especial sobre Mudanças Climáticas, que funcionou no Congresso Nacional entre fevereiro de 2007 e junho de 2008.
O objetivo da proposição é definir a natureza jurídica da Redução Certificada de Emissão. As RCE são títulos virtuais – negociáveis no mercado financeiro internacional – correspondentes a reduções efetivas de emissões de gases de efeito estufa derivadas da implementação de projetos baseados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
Além de todo o procedimento estabelecido no âmbito do Protocolo de Quioto (certificação, validação e verificação nos âmbitos doméstico e internacional), a proposição determina que as RCE deveriam ser registradas junto à CVM.
Esse projeto não prosperou e o principal argumento é que a caracterização como valor mobiliário submeteria as RCE a rígidos critérios da CVM, que se somariam a outros requisitos estipulados pelos órgãos técnicos responsáveis pela análise dos projetos de MDL. Esse duplo controle introduziria dificuldades substantivas no comércio dos créditos de carbono, inclusive com o aumento dos custos das reduções de emissões promovidas no Brasil, com prejuízo para a competitividade das RCE brasileiras no mercado internacional.
Por fim, relativamente ao arcabouço jurídico no Brasil sobre o tema, há que se comentar acerca da Lei nº 12.187, de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC. O art. 9º dessa norma estabelece que: “O Mercado Brasileiro de Redução de Emissões – MBRE será operacionalizado em bolsas de mercadorias e futuros, bolsas de valores e entidades de balcão organizado, autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM, onde se dará a negociação de títulos mobiliários representativos de emissões de gases de efeito estufa evitadas certificadas”.
Esse mercado não foi implementado no Brasil e os motivos não são a falta de regulamentação. O principal motivo para que o mercado não funcione é simplesmente o fato de que não existe uma demanda para créditos de carbono no País (até existe oferta, mas não demanda). As empresas brasileiras demandariam créditos de carbono se elas possuíssem metas obrigatórias de redução de emissões (como no mecanismo cap and trade). Pode-se pensar então que a solução para começar a funcionar o mercado brasileiro de redução de emissões seja estabelecer metas obrigatórias internas. Mas isso geraria mais problemas para a economia brasileira, pois ter que se ajustar a uma meta gera custos e isso diminuiria a competitividade brasileira perante os outros países em desenvolvimento, que também não possuem metas.
Isso não significa que a venda de RCE não aconteça no Brasil. A BM&FBOVESPA possui um ambiente eletrônico de negociação desenvolvido para viabilizar o fechamento de negócios com créditos gerados por projetos de MDL. As operações são realizadas por meio de leilões eletrônicos, via web, e agendados pela BM&FBOVESPA a pedido de entidades – públicas ou privadas – que desejem ofertar seus créditos de carbono no mercado.
Algumas iniciativas sustentáveis desenvolvidas no Brasil, considerando o atual marco regulatório, já souberam aproveitar bem as oportunidades, beneficiando-se de créditos de carbono que foram vendidos para outros países.
Para exemplificar, podemos citar um dos casos mais conhecidos de projetos de MDL desenvolvidos no Brasil. Trata-se do Aterro Sanitário Bandeirantes, localizado em Perus, na região metropolitana de São Paulo. Com uma área total de 1.400.000 m²,o Aterro Bandeirantes está desativado desde março de 2007 tendo operado durante 28 anos e recebido, até 2006, cerca de 36 milhões de toneladas de resíduos.
A captação do biogás gerado no aterro foi iniciada em 2004 após uma série de estudos preliminares sobre a viabilidade do projeto e a instalação de uma usina termelétrica a biogás em 2003, onde o gás captado no aterro é tratado (retirada a umidade e feita uma pré-filtragem) e depois transformado em energia. O Aterro Bandeirantes possui capacidade para gerar aproximadamente 170 mil MWh de energia elétrica por ano e possibilitou, até então, a comercialização pela prefeitura de São Paulo, de 1.262.793 RCEs.
Os recursos arrecadados não são desprezíveis. Basta saber que, em setembro de 2007, o banco holandês Fortis Bank NV/SA desembolsou R$ 34 milhões pelo lote de 808.450 créditos de carbono colocados em negociação pela Prefeitura de São Paulo na Bolsa de Mercadorias e Futuros.
Concluindo, ao estudar a matéria, o que se percebe é que para o desenvolvimento de projetos de MDL no Brasil, não é necessária mais regulamentação. Muito pelo contrário, talvez outras normas sobre o assunto dificultem ainda mais iniciativas do Brasil na área. O que foi estabelecido pelo Protocolo de Quioto já cuida do necessário para que haja o devido controle sobre os projetos.

Fonte: http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/08/13/o-que-e-o-mercado-de-carbono-e-como-ele-opera-no-brasil/?goback=%2Egde_4445669_member_147047913

BMW apresenta moto ecológica

O escapamento e a grande letra E na proteção da bateria são os itens que indicam que a moto é elétrica

Vanessa Daraya, de
Divulgação
Moto ecológica da BMW
Moto ecológica da BMW: A bateria usada é de íon-lítio, com 8 quilowatts/hora. Além disso, o sistema de armazenamento da moto é o mesmo usado em carros elétricos
São Paulo - A BMW lançou a moto 100% elétrica BMW C Evolution. O objetivo da empresa com essa novidade ecológica é ter um veículo acessível e ideal para o uso na cidade e nas estradas.

O escapamento e a grande letra E na proteção da bateria são os itens que indicam que a moto é elétrica. Segundo a BMW, a moto consegue atingir a velocidade máxima de 120 km/h. Além disso, a BMW C Evolution consegue percorrer até 100 km com uma mesma recarga.

Depois que a carga acabar, a bateria leva cerca de três horas para recarregar. Isso pode ser feito por meio de uma tomada residencial ou em postes públicos (em países que disponibilizam essa tecnologia).

A bateria usada é de íon-lítio, com 8 quilowatts/hora. Além disso, o sistema de armazenamento da moto é o mesmo usado em carros elétricos.

O veículo também tem um sistema de refrigeração de ar que economiza peso e potência. O equipamento consegue orientar o fluxo de ar por meio do chassi e proteger a bateria contra o superaquecimento.

A BMW disponibilizou 5 motos desse modelo aos jornalistas durante as Olimpíadas de Londres 2012. A ideia da BMW é testar a BMW C Evolution para ter certeza de que a moto corresponde às expectativas para um dia de trabalho, por exemplo. Preços e data de lançamento ainda não foram divulgados.

Light apresenta carro elétrico i-MiEV

Tecnologia desenvolvida pelo Programa Smart Grid Light-Cemig é 100% interativa entre veículo e motorista

Isa Sousa, do
Divulgação
Carro elétrico i-MiEV da Mitsubishi lançado pela Light no Brasil
Lançamento tem o objetivo de contribuir para a implementação de modelos que usam energia no Brasil
Rio de Janeiro - A Light lança no Brasil o primeiro veículo totalmente elétrico produzido em série no mundo, o i-MiEV. O carro desenvolvido pela Mitsubishi Motors utiliza um sistema de recarga inteligente feito pelo Programa Smart Grid Light-Cemig.

A criação consiste em utilizar energia elétrica contida em um conjunto de baterias de lítio, que move o motor elétrico, inibe ruídos e contribui para o meio ambiente, devido a ausência na emissão de gases poluentes.

Novidade no país, o i-MiEV já é vendido na Europa desde 2010 e nos Estados Unidos desde 2011. A Light utilizará o carro para avaliar um sistema de recarga inteligente para carros elétricos.
Ao todo, dois veículos serão testados ao mesmo tempo no Rio de Janeiro, pelos pesquisadores do Programa Smart Grid Light-Cemig, e em Curitiba, nos laboratórios do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC).
Para fomentar a implementação dos veículos elétricos no país, a companhia de energia desenvolveu terminais de recargas estruturados e interativos.
O local terá capacidade para quatro veículos simultaneamente e serão instalados em pontos estratégicos, como estacionamentos públicos e privados, shoppings, prédios residenciais e empresa.
Durante a recarga, os terminais também serão capazes de trocar informações em tempo real com o i-MiEV, que poderão ser acessadas na tela do próprio painel do carro.

Fonte: http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/sustentabilidade/noticias/light-apresenta-carro-eletrico-i-miev

terça-feira, 14 de agosto de 2012

PEGADA ECOLÓGICA - Calculadora

Totem com calculadora de CO2 é lançado durante o Sustenta 2012

calculadora-co2.jpg
Participante interage com o totem eletrônico, lendo dicas sustentáveis.
Foto: Divulgação
A conferência Sustenta 2012 esquentou os debates sobre a sustentabilidade na Bahia, com a presença de diversos profissionais da área, além de estudantes, empresários e representantes do setor público e de organizações não governamentais. Realizadas nos dias 8 a 11 de agosto, no Gran Hotel Stella Maris, em Salvador, as exposições apresentaram soluções ambientais nos processos produtivos, ações de marketing sustentável e programas de responsabilidade socioambiental promovidos no Brasil e no mundo.
Em meio às apresentações, o totem eletrônico da Multitoky chamou a atenção dos participantes por conta das notícias sobre desenvolvimento sustentável, dicas e guias práticos, e com o lançamento da ferramenta Calculadora de CO2, produzida pelo Instituto EcoD e a Eccaplan. “A calculadora interativa tem o objetivo de conscientizar e mobilizar pessoas e organizações com relação à importância dos impactos que as emissões de CO2 têm em nosso cotidiano”, explica Isaac Edington, diretor presidente do Instituto EcoD.
calculadora-co2-totem.jpgA versão da calculadora para eventos foi lançada durante o Sustenta 2012 e permitiu aos cidadãos conhecer a quantidade de carbono que emitiram no transporte usado até o local do evento, podendo assim neutralizar suas emissões.
“A ferramenta é bastante simples de ser usada. O participante precisa apenas preencher os quilômetros que se locomoveu com cada transporte, que pode ser carro, ônibus, trem, moto ou avião. O equipamento faz um cálculo específico para cada um dos meios de transporte e no final dá o somatório total das emissões de CO2”, explica Fábio Góis, diretor de conteúdo do EcoD.
A calculadora é o primeiro passo para as organizações e pessoas que querem chegar à condição de carbono zero. “Conhecendo o perfil das emissões, qualquer organização pode dar o passo seguinte, que é o de estabelecer estratégias, planos e metas para redução e gestão das emissões de gases de efeito estufa, engajando-se na solução desse enorme desafio para a sustentabilidade global”, completa Fernando Beltrame, diretor da Eccaplan.
Segundo Edington, a versão da calculadora para eventos tem o objetivo de aproveitar a presença de muitas pessoas reunidas para oferecer a elas a oportunidade de interagir com o conteúdo. “Essa interação, por meio dos totens da Multitoke, torna o aprendizado mais efetivo. Quando temos a oportunidade de aprender por meio de uma experiência, conseguimos absorver o conhecimento de uma forma natural e até prazerosa”, complementa.
Antes mesmo do lançamento nacional, o equipamento já tem sido solicitado para outros eventos.
"Fruto de parceria entre a Comtecno e a EcoD, as notícias, dicas sobre sustentabilidade, além da própria Calculadora de CO2 estão disponíveis na Rede Multitoky dos hotéis e do aeroporto de Salvador, totalizando 30 totens na capital baiana. Seja para eventos corporativos ou para campanhas instituicionais, o mercado publicitário agora poderá contar com a tecnologia inovadora Multitoky alinhada com o tema sustentabilidade", Marcos Costa, coordenador de negócios da Comtecno.
Sustenta 2012
A conferência teve a participação de nomes importantes na área da sustentabilidade, como Francisco Javier Guevara Martínez, do México, que apresentou o programa que conseguiu mobilizou os cidadãos mexicanos a apoiarem a gestão sustentável dos resíduos sólidos urbanos. Já o engenheiro civil Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil, expôs o certificado Leed, que garante os padrões de sustentabilidade em edificações.
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Palestrantes nacionais e internacionais apresentaram experiências práticas em sustentabilidade ao longo dos quatro dias de evento. Foto: Divulgação
Como casos de sucesso da Bahia, Isaac Edington, presidente do Instituto EcoDesenvolvimento, falou sobre o tema Cidades Sustentáveis – Desafios & Oportunidades; Jorge Cajazeira, executivo da Suzano, apresentou A questão ambiental das florestas plantadas; Angela Márcia, da Rede Bahia, o Painel Eventos Sustentáveis: SWU e Festival de Verão; e Célio Pinto, do Ibama, as Atribuições do Ibama na Gestão ambiental brasileira.

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2012/agosto/totem-com-calculadora-de-co2-e-lancado-durante-o

quarta-feira, 8 de agosto de 2012



Recuperar Áreas Degradadas e Preservar o Instituto Terra

segunda-feira, 9 de julho de 2012



Recuperar Áreas Degradadas e Preservar o Instituto Terra

Joara Secchi Candian – Bacharel em Agroecologia – 7º período – 04/07/2012

Prova (mini-projeto) de Recuperação de Áreas Degradadas - RAD

Resumo executivo:
O Instituto Terra foi criado a partir da vontade de um casal em recuperar áreas ao entorno de sua casa, que antes, eram destinadas para pastejo do gado. Esta ideia foi crescendo, e transformar a pastagem em mata passou a ser pouco e então, começaram a produzir mudas para recuperar outros terrenos. O projeto envolve escolas, empresas e municípios vizinhos com o intuito de educar técnicos e estudante para que um dia possam se tornar os recuperadores e guardiões daquelas matas. O Instituto conta com ajuda de parceiros de escolas, empresas privadas, pessoas físicas e jurídicas, além do esforço e boa vontade de voluntários, pesquisadores e aprendizes. O trabalho engloba toda a região de Aymorés, incluindo assentamentos. A meta do projeto é plantar 50 milhões de mudas em 50 anos. Até o ano de 2007, já foram transplantadas cerca de um milhão de mudas.

Área do projeto:
            O projeto deu início na cidade mineira de Aymorés, localizada no Vale do Rio Doce, quase na divisa do estado de Minas Gerais com o Espírito Santo. Foi a partir da Fazenda Bulcão que o projeto foi se expandindo e hoje, atende as cidades ao redor, inclusive assentamentos (70km da propriedade) de antigos “sem terras”.

Descrição da organização executora do projeto e parcerias:
            A organização responsável pela criação do projeto é o Instituto Terra, criado pelo fotógrafo Sebastião Salgado e sua esposa Lélia. Eles, juntamente com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas, campus Rio Pomba, desenvolvem técnicas de recuperação de áreas degradadas com o intuito de ajudar agricultores e proprietários de terras a transformar suas paisagens em matas recuperadas. O projeto é financiado por empresas públicas e privadas, assim como pessoas físicas e jurídicas: mas é da Itália, Espanha e Estados Unidos que vem a maior parte dos recursos.

Descrição do meio físico (solo, clima e recursos hídricos):
            O solo encontrado no local onde se deu início ao projeto era bem degradado, com pouca matéria orgânica, sem a presença de horizonte O e quase nada do horizonte A, marcado pela utilização inadequada de técnicas agrícolas, como aração do morro abaixo, topos de morros desmatados, gados circulando em áreas de nascentes. O clima predominante é o tropical, sendo que regime de chuvas era bem perceptível, tendo, aproximadamente, seis meses de chuva e seis meses de seca. A fazenda possuía alguns córregos, mas que foram secando ao longo dos anos devido ao mal manejo que havia. A cidade também era cortada pelo Rio Doce, que há alguns anos diminui significativamente sua vazão, se tornando quase inexistente, devido a transposição de parte de suas água para a criação de uma usina. Este cenário alertava aos moradores para a importância de se ter água em sua propriedade, mas pouco era feito para mantê-las, causando a extinção de nascentes e pequenos córregos.

Justificativa (ameaças ao ambiente):
            As matas ao redor começaram a se tornar escassas, fontes de água começaram a secar, o gado já não produzia como antes devido à qualidade do pasto e a intensa degradação que ocorria a cada ano. Vários foram os fatores que contribuíram para a modificação do cenário e era preciso tomar alguma providência, era necessário transformar a vida daqueles que dependiam da cidade para sobreviver, pois o êxodo já estava acontecendo. Dessa forma, implantar árvores nativas, isolar áreas de risco, retirar o gado dos morros, mobilizar a população, iniciar um trabalho de educação ambiental foi a idéia de recuperação, que veio como alternativa àquela situação alarmante.

Objetivos

Geral: Recuperar a vegetação de mata nativa e transformar o cenário de pastagem em floresta da Mata Atlântica.

Específicos:
*   Melhorar a qualidade do solo dos morros ao redor da propriedade;
*   Isolar a área para que o gado não entrasse;
*   Substituir pastagem por mata nativa;
*   Recuperar a beleza do local;
*   Trazer de volta a fauna e flora típica da região;
*   Gerar empregos de forma menos impactante;
*   Auxiliar na recuperação de matas da cidade de Aymorés e cidades vizinhas;
*   Conscientizar a população da importância de se recuperar e preservar áreas de matas;
*   Demonstrar que é possível se obter renda sem desmatar.

Metodologia:
            O trabalho consistiu inicialmente, no isolamento da área ao redor e na retirada dos gados do pasto. Foram criadas parcerias com as escolas da cidade que ajudaram no primeiro plantio que teve de mudas de árvores, até então doadas, nos morros que cercavam a propriedade. A partir disso, passou a se fazer o monitoramento dessas plantas e a manutenção, pois os indivíduos dominantes eram, basicamente, capim colonião, uma gramínea bastante agressiva. Com o estabelecimento destas primeiras espécies, passou a ser implantada a técnica da muvuca, que constituía em uma mistura de terra, adubos e sementes, sendo que esta última consistia em 70% de espécies pioneiras, 30 a 35% de espécies secundárias e o restante (5%) de clímax.
            Nesta mistura, também havia espécies armadilhas, ou seja, elas eram implantadas com a finalidade de atrair formigas cortadeiras e diminuir o ataque das mesmas em espécies florestais. Essa muvuca era espalhada ao longo dos terraços de base estreita que eram feitos em épocas de chuva, facilitando a germinação e pegamento das plântulas. Técnicas de nucleação por galhadas também foram implantadas, assim como o plantio aleatório, de espaçamento 2m x 2m, intercalando mudas pioneiras e secundárias. O financiamento consistia em doações de pessoas físicas e jurídicas, assim como em inserções de projetos, uma vez que o instituto também trabalhava com pesquisas científicas. Os resultados são colocados em práticas na Fazenda Vulcão e também são levados à outras propriedades que se estão inseridas no projeto, disseminando assim, a idéia e os objetivos do Instituto Terra.
            Além disso, o projeta visa criar parcerias com instituições da região, capacitando técnicos para se especializarem em recuperação e preservação do ambiente. O aprendizado também é passado para as crianças, que aplicam em casa e na vizinhança o que aprenderam no instituto. Dessa forma, a população vai se conscientizando e ajudando a manutenção das matas, pois o projeto, ao realizar as limpezas de manutenção, retira troncos de árvores invasoras e cipós, que são disponibilizados para a população, evitando que ela invada a floresta para retirá-las.
            Outra prática adotada é a parceria com empresário da região para a venda do crédito de carbono, adquirido com o reflorestamento de áreas ao entorno da cidade, este mecanismos é uma forma de gerar renda, emprego e financiamento para o projeto e para os cidadãos de Aymorés, estimulando que estes, não saiam da cidade em busca de emprego.

Apresentação dos resultados:
            Os resultados obtidos até o momento foram muito satisfatórios, pois a recuperação das áreas ocorreu em menos de dez anos. Já foram observados diversos animais nativos da mata atlântica, além de nascentes que há muito tempo não existiam. Estes exemplos são grandes indicadores de recuperação e eficiência. A Fazenda Bulcão serve de inspiração e modelo de alternativas que melhoram a qualidade de vida da população e do ambiente. O projeto do Instituto Terra também trabalha com produtores de leite da região e puderam identificar aumentos significativos da produção, que praticamente dobrou.
            Se esta iniciativa não tivesse sido feita, provavelmente o local já estaria com grandes formações de voçorocas, sérios problemas de deslizamentos, por se tratar de uma região bem montanhosa, sem possibilidades de o rebanho transitar. Além disso, a cidade estaria com sua população em declínio, pois os moradores estavam saindo de Aymorés divido à falta de emprego e condições de vida, o cenário dos morros seria de intensa degradação, assim como o da Fazenda Vulcão e poucas seriam as fontes de água existente.
A fauna e flora já estariam, em sua maioria, extintas, porque a população não possuía instrução a respeito de preservação do ambiente, muito menos sobre a importância de se manter matas e nascentes em suas propriedades.
            A fazenda hoje em dia, além de um exemplo de “como fazer”, se tornou um instituto de pesquisas científicas e um produtor de saber. Serve como um núcleo de aprendizado e visitação, disseminando a ideia da importância da Recuperação de Áreas Degradadas.


terça-feira, 7 de agosto de 2012


CARBONO SOCIAL: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL VIA MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO?
DOI: 10.5773/rgsa.v1i2.22

Elvira Cruvinel Ferreira Ventura, Luciana Graziela Araújo Cuoco, Maria de Fátima Cavalcante Tosini

Resumo


   A ratificação do Protocolo de Kioto – um acordo internacional que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) – reaqueceu as discussões em torno do chamado mercado de carbono.

   Por meio do mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), projetos com reduções de emissões de GEE certificadas podem gerar créditos de carbono aos países em desenvolvimento, negociáveis no mercado financeiro. De acordo com o Protocolo de Kioto, esse tipo de projeto deve visar ao desenvolvimento sustentável desses países; ou seja, atender a critérios econômicos, ambientais e também sociais. O Brasil é o segundo país com maior número de projetos de créditos de carbono registrados pela Organização das Nações Unidas (ONU) – 97 projetos de um total de 632 em todo o mundo – segundo dados de abril de 2007.

   O objetivo deste artigo é analisar a inserção e adequação de aspectos e critérios sociais na busca do desenvolvimento sustentável, no âmbito do mercado de créditos de carbono no Brasil. É questionado o enfoque e os benefícios econômicos e ambientais gerados pelos projetos relacionados, em detrimento do aspecto social. O artigo traz um histórico da evolução do conceito de desenvolvimento sustentável e os principais mecanismos de negociação dos créditos de carbono, enfocando o MDL, que é aplicável ao Brasil. Fundamentando o argumento de pesquisa, é verificado como os projetos brasileiros (registrados e requeridos), e alguns projetos estrangeiros, registrados na United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), abordam o aspecto social. Além disso, é discutida a aplicação da metodologia do carbono social em assentamentos rurais na Ilha do Bananal, como estudo de caso.


Resumen
   La ratificación del Protocolo de Kyoto – acuerdo internacional que busca reducir las emisiones de Gases de Efecto Invernadero (GEI) – reanimó las discusiones en torno del llamado Mercado de Carbono. Por medio del Mecanismo de Desarrollo Limpio (MDL), los proyectos con reducciones de emisiones de GEI certificadas pueden generar créditos de carbono para los países en desarrollo, negociables en el mercado financiero. De acuerdo con el Protocolo de Kyoto, este tipo de proyecto debe apuntar al desarrollo sustentable de estos países, es decir, debe contemplar criterios económicos, ambientales y sociales. Brasil es el segundo país con mayor número de proyectos de créditos de carbono registrados por la Organización de las Naciones Unidas (ONU) – noventa y siete proyectos de un total de 632 en todo el mundo – según datos de abril de 2007. El objetivo del artículo es analizar la inserción y adecuación de aspectos y criterios sociales en la búsqueda del desarrollo sustentable, en el ámbito del Mercado de Créditos de Carbono en Brasil. El artículo analiza el enfoque y los beneficios económicos y ambientales generados por los proyectos estudiados, en detrimento del aspecto social. Realiza un análisis histórico de la evolución del concepto de desarrollo sustentable y los principales mecanismos de negociación de los créditos de carbono, focalizando el MDL, de aplicación en Brasil. Como soporte al argumento de la investigación, se verifica de qué modo los proyectos brasileños (registrados y requeridos), y algunos proyectos extranjeros, registrados en United Nations Framework Convention on Climate Change (Unfccc), abordan el aspecto social. Además, se discute la aplicación de la metodología del Carbono Social en asentamientos rurales en la Isla de Bananal, como estudio de caso.
Palabras clave: Créditos de Carbono; Mecanismo de Desarrollo Limpio: Desarrollo Sustentable; Carbono Social; Isla de Bananal.
Texto completo: PDF 

Revista de Gestão Social e Ambiental ISSN: 1981-982X

Fonte: http://www.revistargsa.org/rgsa/article/view/22?goback=%2Egde_4445669_member_143002474