sexta-feira, 8 de junho de 2012

Contra céticos do aquecimento global, IPCC debate estratégia de comunicação dos seus relatórios e cria Comitê de Conflitos de Interesse





Queimadas são a principal fonte de emissões de gases-estufa no Brasil
Começa quarta-feira, dia 6, e vai até sábado, dia 9, a 35a sessão do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), em Genebra, Suíça. Entre os temas da agenda, as propostas de mudança nos métodos de trabalho e a estratégia de comunicação do Painel, que ganhou em 2007, junto com o ex-vice-presidente Al Gore, o Prêmio Nobel da Paz, por sua contribuição  na disseminação de conhecimentos sobre as mudanças climáticas globais. O IPPC também criou um Comitê de Conflitos de Interesse, cuja política também será discutida em Genebra.
A atuação do IPCC, pela sua óbvia importância para o futuro do planeta, alcançou uma grande dimensão geopolítica. Enquanto a maior parte da comunidade científica internacional vem aplaudindo e apoiando as ações do Painel, os chamados “céticos do aquecimento global”  não perdem  oportunidade para criticá-lo. O caso de maior destaque foi a polêmica suscitada pelas acusações, feitas nas vésperas da importante conferência do clima em Copenhague, Dinamarca, no final de 2009, no sentido de que o IPCC estaria exagerando nos dados a respeito da influência humana sobre o aquecimento global. O IPCC reiterou ser inequívoco que as emissões atmosféricas antropogênicas contribuem para as mudanças climáticas.
A controvérsia começou em função do vazamento de e-mails trocados por pesquisadores de uma universidade da Grã-Bretanha. Posteriormente, várias informações ratificaram a solidez dos dados e expectativas do IPCC, em termos das consequencias imprevisíveis se as temperaturas médias globais aumentarem em mais de 2 graus até o final do século 21. Com isso, é fundamental a redução drástica das emissões de gases de efeito-estufa, particularmente o dióxido de carbono.
Na sua 34 ª Sessão (Kampala, 18-19 Novembro de 2011), o IPCC resolvou criar um Comitê de Conflitos de Interesse, formado por todos os membros eleitos da Comissão Executiva e dois membros adicionais com conhecimento jurídico apropriado, indicados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Organização Meteorológica Mundial (OMM). A forma de trabalho do Comitê, assim como mudanças no processo de trabalho do IPCC, serão discutidas em Genebra. Questões de confidencialidade estarão em discussão.
Um tema sensível é o debate da estratégia de comunicações do IPCC.  A estratégia que deve ser aprovada em Genebra prevê que os relatórios sejam publicados de modo a ”comunicar os resultados da avaliação, fornecendo informação clara e equilibrada sobre alterações climáticas, incluindo riscos e incertezas científicas, sem comprometer a precisão”. Também ficará explícita no relatório a forma como o IPCC trabalha, seleciona autores e revisores e produz suas comunicações. Esta seria uma medida de modo a facilitar a ”compreensão dos relatórios e apoiar e reafirmar a sua reputação como um órgão confiável, transparente, equilibrado e com autoridade científica”.  Ainda segundo a estratégia de comunicação em debate em Genebra, todas as comunicações do Painel serão “baseadas no princípio de que o IPCC é politicamente relevante”, mas não se envolve na defesa e não fornece recomendações políticas.
Uma das recomendações é a de que, sempre que possível, “materiais de comunicação devem ser também fornecidos em outras línguas além do Inglês”. Nas suas comunicações e atividades de divulgação, o IPCC também deverá prestar atenção “para o contexto específico de diferentes países”. Precaução considerando o entendimento de que “necessidades dos países em desenvolvimento podem ser diferentes daqueles dos países desenvolvidos”.
A estratégia também prevê que todas comunicações do IPCC serão feitas de forma profissional, e dirigidas a todos stakeholders do Painel. Os Pontos Focais poderão “desempenhar um papel na divulgação de materiais do IPCC em seus países, incluindo tradução de textos em idiomas locais”. Haverá ampla discussão antes da publicação, de modo que os termos utilizados facilitem ”uma maior compreensão do trabalho do IPCC entre os governos, mídia e outros não-especialistas não familiarizados com a terminologia científica”.
O site do IPCC será constantemente atualizado e, além dos porta-vozes, os próprios autores dos trabalhos eventualmente serão acionados para falar sobre sua área científica específica. Haverá treinamento para aqueles que representam o IPCC e lidam com a mídia em grandes eventos. Peritos externos em comunicação eventualmente poderão auxiliar na divulgação dos trabalhos. A estratégia de comunicação será revista periodicamente, de modo a aprimorá-la.  
A participação da União Europeia nos trabalhos do IPCC também será discutida em Genebra. É uma questão importante, considerando a relevância da opinião da União Europeia, por exemplo em termos dos cortes nas emissões de gases-estufa. 
Fonte: JOSE PEDRO MARTINS, 
<http://www.linkedin.com/groups/Contra-c%C3%A9ticos-do-aquecimento-global-148258.S.121340663?view=&gid=148258&type=member&item=121340663&trk=eml-anet_dig-b_nd-pst_ttle-cn>. Acesso em: 08.06.12.


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