quinta-feira, 21 de junho de 2012

 O mercado de carbono entre 05 e 12 de junho

12/06/2012 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Os registros de emissões de carbono estão fechados na Europa devido ao período de transição para o sistema comum, que entra em operação em 20 de junho, portanto as negociações à vista também estão suspensas temporariamente. As duas semanas de parada podem significar “meses até que a liquidez volte no mercado à vista”, alerta a Point Carbon.

Isto contribui para o enfraquecimento do mercado, já terrivelmente abatido pelos problemas macroeconômicos europeus cada vez mais preocupantes e pelo excesso de permissões e créditos de carbono.
Segundo um relatório recente do CDC Climate Research, as estimativas de excesso de créditos durante a terceira fase do EU ETS alcançam 1,5 gigatoneladas de CO2e, equivalente a cerca de 80% das emissões anuais dos participantes do esquema.
As permissões de emissão da União Europeia (EUAs, em inglês) para dezembro de 2012 continuam na faixa de € 6,5 - € 7 com os preços apoiados pelo hedging das usinas de energia apesar da perpetuação dos grandes volumes disponíveis para a venda e um ambiente econômico muito pessimista, comentaram analistas do Barcays Capital.
As Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) para dezembro de 2012 também estão estáveis durante as últimas duas semanas, entre € 3 e € 3,5/t. O spread entre os contratos para 2012 e 2013 continua em cerca de € 0,34/t.
"O spread entre RCE e ERU foi a grande mudança nesta semana, novamente em alta de € 0,25/t devido à emissão pesada de ERUs pela Ucrânia", disse o Barclays Capital.
Para Nigel Brunel, analista da OMFinancial, a competição entre RCEs e ERUs deve esquentar ao longo do ano, com as ERUs pressionando ainda mais o preço das RCEs.
Mais um relatório, publicado na segunda-feira (11) pelo Greenpeace e WWF, defende que apenas o adiamento da venda de um determinado volume de EUAs não será suficiente para recuperar os preços do carbono.
As projeções deste estudo, condizentes com o montante estimado pelo CDC Climate Research (1,42 Gt CO2e até 2020), indicam que o mercado europeu pode ter oferta de permissões de sobra até 2024, a menos que legisladores introduzam metas mais robustas de corte nas emissões e removam permanentemente o excesso do sistema.
O relatório veio em um momento crucial, na segunda-feira (11), quando Ministros do meio ambiente de toda a Europa se reuniam em Luxemburgo. Após o encontro, Connie Hedeggard, Comissária para Ação Climática da União Europeia, anunciou que o relatório sobre o EU ETS incluindo uma proposta para o adiamento de leilões de permissões de carbono será lançado antes do recesso de verão (em agosto).
O relatório também englobará opções de longo prazo para a melhoria do esquema europeu após a queda de 60% no valor dos créditos de carbono desde o início do ano. Hedegaard espera que o trabalho sobre as novas regras seja finalizado até o final do ano.
América do Norte
O governo do Quebec comemorou nesta segunda-feira (11) a superação da primeira etapa para conectar o seu mercado de carbono com o da Califórnia através da Western Climate Initiative (WCI), que entra em vigor em 1° de janeiro de 2013. O projeto que regulamenta o sistema de negociações de créditos de carbono foi publicado no Diário Oficial e está aberto para consulta pública nos próximos 60 dias.
Créditos de compensação das emissões provenientes da destruição do metano e de substâncias nocivas à camada de ozônio poderão ser utilizados no esquema do Quebec, segundo o novo documento.
Apenas cinco meses antes do primeiro leilão do seu esquema de cap and trade, em 14 de novembro, as críticas continuam a aparecer na Califórnia.
Na sexta-feira (08), ativistas de direitos civis e justiça ambiental pediram à Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês) dos Estados Unidos que suspenda o sistema de comércio de emissões da Califórnia.
A queixa é que o programa discrimina minorias ao permitir aos poluidores de áreas que têm baixa renda (habitadas na sua maioria por afrodescendentes, latinos e asiáticos) o uso de créditos de compensação das emissões para cumprir suas cotas.
"O Cap and trade permite que eles comprem permissões de outras fábricas ou compensações de outros estados e até mesmo internacionais, negando às comunidades próximas a refinarias e outras empresas poluidoras os benefícios que decorreriam de regulamentações diretas", explicou Brent Newell, advogado do Centro para Raças, Pobreza e Ambiente, que registrou a reclamação na EPA.
Um porta-voz do Air Resources Board, administrador do esquema californiano, declarou que existem outras regulamentações em vigor no estado que focam no controle da poluição local e que o objetivo do mercado de carbono é controlar as emissões em nível estadual.
Apesar dos preços quase insignificantes, a Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI em inglês) comemorou na segunda-feira (11) o sucesso do sistema que reúne nove estados norte-americanos.
Números relativos ao balanço dos três primeiros anos da RGGI mostram um total de US$ 1,6 bilhão somando à economia dos estados participantes, uma economia de US$ 1,1 bilhão em eficiência energética e a criação de 16 mil postos de trabalho.
No 16° leilão da iniciativa, realizado na quarta-feira (06), 57% das 36,4 milhões de permissões de emissão oferecidas foram compradas por US$ 1,93/t (piso do leilão).

Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/analise_financeira/noticia=730789?goback=%2Egde_4445669_member_125539805

quinta-feira, 14 de junho de 2012

MERCADO DE CARBONO - Cotação


O mercado de carbono entre 05 e 12 de junho
12/06/2012 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Os registros de emissões de carbono estão fechados na Europa devido ao período de transição para o sistema comum, que entra em operação em 20 de junho, portanto as negociações à vista também estão suspensas temporariamente. As duas semanas de parada podem significar “meses até que a liquidez volte no mercado à vista”, alerta a Point Carbon.

Isto contribui para o enfraquecimento do mercado, já terrivelmente abatido pelos problemas macroeconômicos europeus cada vez mais preocupantes e pelo excesso de permissões e créditos de carbono.
Segundo um relatório recente do CDC Climate Research, as estimativas de excesso de créditos durante a terceira fase do EU ETS alcançam 1,5 gigatoneladas de CO2e, equivalente a cerca de 80% das emissões anuais dos participantes do esquema.
As permissões de emissão da União Europeia (EUAs, em inglês) para dezembro de 2012 continuam na faixa de € 6,5 - € 7 com os preços apoiados pelo hedging das usinas de energia apesar da perpetuação dos grandes volumes disponíveis para a venda e um ambiente econômico muito pessimista, comentaram analistas do Barcays Capital.
As Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) para dezembro de 2012 também estão estáveis durante as últimas duas semanas, entre € 3 e € 3,5/t. O spread entre os contratos para 2012 e 2013 continua em cerca de € 0,34/t.
"O spread entre RCE e ERU foi a grande mudança nesta semana, novamente em alta de € 0,25/t devido à emissão pesada de ERUs pela Ucrânia", disse o Barclays Capital.
Para Nigel Brunel, analista da OMFinancial, a competição entre RCEs e ERUs deve esquentar ao longo do ano, com as ERUs pressionando ainda mais o preço das RCEs.
Mais um relatório, publicado na segunda-feira (11) pelo Greenpeace e WWF, defende que apenas o adiamento da venda de um determinado volume de EUAs não será suficiente para recuperar os preços do carbono.
As projeções deste estudo, condizentes com o montante estimado pelo CDC Climate Research (1,42 Gt CO2e até 2020), indicam que o mercado europeu pode ter oferta de permissões de sobra até 2024, a menos que legisladores introduzam metas mais robustas de corte nas emissões e removam permanentemente o excesso do sistema.
O relatório veio em um momento crucial, na segunda-feira (11), quando Ministros do meio ambiente de toda a Europa se reuniam em Luxemburgo. Após o encontro, Connie Hedeggard, Comissária para Ação Climática da União Europeia, anunciou que o relatório sobre o EU ETS incluindo uma proposta para o adiamento de leilões de permissões de carbono será lançado antes do recesso de verão (em agosto).
O relatório também englobará opções de longo prazo para a melhoria do esquema europeu após a queda de 60% no valor dos créditos de carbono desde o início do ano. Hedegaard espera que o trabalho sobre as novas regras seja finalizado até o final do ano.
América do Norte
O governo do Quebec comemorou nesta segunda-feira (11) a superação da primeira etapa para conectar o seu mercado de carbono com o da Califórnia através da Western Climate Initiative (WCI), que entra em vigor em 1° de janeiro de 2013. O projeto que regulamenta o sistema de negociações de créditos de carbono foi publicado no Diário Oficial e está aberto para consulta pública nos próximos 60 dias.
Créditos de compensação das emissões provenientes da destruição do metano e de substâncias nocivas à camada de ozônio poderão ser utilizados no esquema do Quebec, segundo o novo documento.
Apenas cinco meses antes do primeiro leilão do seu esquema de cap and trade, em 14 de novembro, as críticas continuam a aparecer na Califórnia.
Na sexta-feira (08), ativistas de direitos civis e justiça ambiental pediram à Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês) dos Estados Unidos que suspenda o sistema de comércio de emissões da Califórnia.
A queixa é que o programa discrimina minorias ao permitir aos poluidores de áreas que têm baixa renda (habitadas na sua maioria por afrodescendentes, latinos e asiáticos) o uso de créditos de compensação das emissões para cumprir suas cotas.
"O Cap and trade permite que eles comprem permissões de outras fábricas ou compensações de outros estados e até mesmo internacionais, negando às comunidades próximas a refinarias e outras empresas poluidoras os benefícios que decorreriam de regulamentações diretas", explicou Brent Newell, advogado do Centro para Raças, Pobreza e Ambiente, que registrou a reclamação na EPA.
Um porta-voz do Air Resources Board, administrador do esquema californiano, declarou que existem outras regulamentações em vigor no estado que focam no controle da poluição local e que o objetivo do mercado de carbono é controlar as emissões em nível estadual.
Apesar dos preços quase insignificantes, a Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI em inglês) comemorou na segunda-feira (11) o sucesso do sistema que reúne nove estados norte-americanos.
Números relativos ao balanço dos três primeiros anos da RGGI mostram um total de US$ 1,6 bilhão somando à economia dos estados participantes, uma economia de US$ 1,1 bilhão em eficiência energética e a criação de 16 mil postos de trabalho.
No 16° leilão da iniciativa, realizado na quarta-feira (06), 57% das 36,4 milhões de permissões de emissão oferecidas foram compradas por US$ 1,93/t (piso do leilão).

Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/?item=240&id=730789

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Contra céticos do aquecimento global, IPCC debate estratégia de comunicação dos seus relatórios e cria Comitê de Conflitos de Interesse





Queimadas são a principal fonte de emissões de gases-estufa no Brasil
Começa quarta-feira, dia 6, e vai até sábado, dia 9, a 35a sessão do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), em Genebra, Suíça. Entre os temas da agenda, as propostas de mudança nos métodos de trabalho e a estratégia de comunicação do Painel, que ganhou em 2007, junto com o ex-vice-presidente Al Gore, o Prêmio Nobel da Paz, por sua contribuição  na disseminação de conhecimentos sobre as mudanças climáticas globais. O IPPC também criou um Comitê de Conflitos de Interesse, cuja política também será discutida em Genebra.
A atuação do IPCC, pela sua óbvia importância para o futuro do planeta, alcançou uma grande dimensão geopolítica. Enquanto a maior parte da comunidade científica internacional vem aplaudindo e apoiando as ações do Painel, os chamados “céticos do aquecimento global”  não perdem  oportunidade para criticá-lo. O caso de maior destaque foi a polêmica suscitada pelas acusações, feitas nas vésperas da importante conferência do clima em Copenhague, Dinamarca, no final de 2009, no sentido de que o IPCC estaria exagerando nos dados a respeito da influência humana sobre o aquecimento global. O IPCC reiterou ser inequívoco que as emissões atmosféricas antropogênicas contribuem para as mudanças climáticas.
A controvérsia começou em função do vazamento de e-mails trocados por pesquisadores de uma universidade da Grã-Bretanha. Posteriormente, várias informações ratificaram a solidez dos dados e expectativas do IPCC, em termos das consequencias imprevisíveis se as temperaturas médias globais aumentarem em mais de 2 graus até o final do século 21. Com isso, é fundamental a redução drástica das emissões de gases de efeito-estufa, particularmente o dióxido de carbono.
Na sua 34 ª Sessão (Kampala, 18-19 Novembro de 2011), o IPCC resolvou criar um Comitê de Conflitos de Interesse, formado por todos os membros eleitos da Comissão Executiva e dois membros adicionais com conhecimento jurídico apropriado, indicados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Organização Meteorológica Mundial (OMM). A forma de trabalho do Comitê, assim como mudanças no processo de trabalho do IPCC, serão discutidas em Genebra. Questões de confidencialidade estarão em discussão.
Um tema sensível é o debate da estratégia de comunicações do IPCC.  A estratégia que deve ser aprovada em Genebra prevê que os relatórios sejam publicados de modo a ”comunicar os resultados da avaliação, fornecendo informação clara e equilibrada sobre alterações climáticas, incluindo riscos e incertezas científicas, sem comprometer a precisão”. Também ficará explícita no relatório a forma como o IPCC trabalha, seleciona autores e revisores e produz suas comunicações. Esta seria uma medida de modo a facilitar a ”compreensão dos relatórios e apoiar e reafirmar a sua reputação como um órgão confiável, transparente, equilibrado e com autoridade científica”.  Ainda segundo a estratégia de comunicação em debate em Genebra, todas as comunicações do Painel serão “baseadas no princípio de que o IPCC é politicamente relevante”, mas não se envolve na defesa e não fornece recomendações políticas.
Uma das recomendações é a de que, sempre que possível, “materiais de comunicação devem ser também fornecidos em outras línguas além do Inglês”. Nas suas comunicações e atividades de divulgação, o IPCC também deverá prestar atenção “para o contexto específico de diferentes países”. Precaução considerando o entendimento de que “necessidades dos países em desenvolvimento podem ser diferentes daqueles dos países desenvolvidos”.
A estratégia também prevê que todas comunicações do IPCC serão feitas de forma profissional, e dirigidas a todos stakeholders do Painel. Os Pontos Focais poderão “desempenhar um papel na divulgação de materiais do IPCC em seus países, incluindo tradução de textos em idiomas locais”. Haverá ampla discussão antes da publicação, de modo que os termos utilizados facilitem ”uma maior compreensão do trabalho do IPCC entre os governos, mídia e outros não-especialistas não familiarizados com a terminologia científica”.
O site do IPCC será constantemente atualizado e, além dos porta-vozes, os próprios autores dos trabalhos eventualmente serão acionados para falar sobre sua área científica específica. Haverá treinamento para aqueles que representam o IPCC e lidam com a mídia em grandes eventos. Peritos externos em comunicação eventualmente poderão auxiliar na divulgação dos trabalhos. A estratégia de comunicação será revista periodicamente, de modo a aprimorá-la.  
A participação da União Europeia nos trabalhos do IPCC também será discutida em Genebra. É uma questão importante, considerando a relevância da opinião da União Europeia, por exemplo em termos dos cortes nas emissões de gases-estufa. 
Fonte: JOSE PEDRO MARTINS, 
<http://www.linkedin.com/groups/Contra-c%C3%A9ticos-do-aquecimento-global-148258.S.121340663?view=&gid=148258&type=member&item=121340663&trk=eml-anet_dig-b_nd-pst_ttle-cn>. Acesso em: 08.06.12.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

MUDANÇAS CLIMÁTICAS - REDD

Projetos REDD

O sistema de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD) é um mecanismo que tem como objetivo reduzir as emissões dos gases do efeito estufa (GEEs) provenientes do desmatamento e da degradação florestal, incentivar o manejo sustentável das florestas e aumentar e preservaros estoques de carbono florestais.

A ideia de incluir a conservação de florestas tropicais como parte de um acordo internacional de clima surgiu nas negociações que resultaram no Protocolo de Quioto em 1998. Em 2008, as Nações Unidas lançaram um programa de REDD com uma nova postura, que leva em conta também a importância de proteger o modo de vida dos povos das florestas. A esse sistema deu-se o nome de REDD+.

Porém, medir qual o volume de emissões de gases do efeito estufa que vêm do desmatamento ainda é um tema bastante controverso, com alguns apontando como sendo 20% do total global outros dizem que este valor é elevado e o percentual seria menor. Seja qual for o número exato, este é um setor que contribui de maneira significante para o problema do aquecimento global. Pior ainda, é que as árvores de pé fornecem outros benefícios para o equilibrio ambiental do planeta que vão muito além do carbono.

E, apesar disso, as negociações internacionais para tratar do desmatamento e degradação florestal avançam muito lentamente. Uma das sugestões que mais recebem apoio para resolver a questão é o repasse de uma compensação financeira para países que conseguirem reduzir as taxas de desmatamento com base em um certo período. Este é o princípio da proposta Reduções de Emissões do Desmatamento e Degradação ou simplesmente REDD.

As estimativas relativas aos custos para reduzir ou acabar com o desmatamento variam entre US$12 bilhões e US$40 bilhões anuais.

A integração completa do REDD em um futuro esquema de comércio de emissões internacional exigiria o comprometimento dos países industrializados com metas de redução das emissões (em relação aos níveis de 1990) maiores do que 25 a 40% até 2020, atingindo assim reduções significativas de duas importantes fontes de emissão: combustíveis fósseis e desmatamento tropical.

Além de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), o REDD incentiva outros benefícios em termos de conservação da biodiversidade, redução da pobreza através do desenvolvimento rural sustentável, melhoria no manejo dos recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas.

A grande questão atual é como colocá-lo em prática, tanto com relação às políticas de implementação quanto aos mecanismos financeiros. Os líderes governamentais discutem hoje como levantar fundos sem prejudicar a redução das emissões provenientes do uso de combustíveis fósseis nos países do Anexo I do Protocolo de Quioto e as reduções setoriais nas principais economias emergentes, e como construir uma solução aceitável por todas as partes, inclusive as populações indígenas e tradicionais que são os maiores envolvidos nesta questão.

Mas estas não são as únicas dúvidas. Outras perguntas ainda sem resposta são: a transferência dos pagamentos pelo carbono reduzirá o desmatamento? Quanto tempo devemos considerar para isso? Como respeitar a soberania dos países sobre as decisões de uso da terra e ao mesmo tempo evitar o mau uso da transferência dos pagamentos? Como construir um acordo global que considere as necessidades e circunstâncias específicas de cada país em desenvolvimento? Como garantir o respeito ao direito de propriedade e especialmente os direitos dos indígenas?

Segundo o Banco Mundial, a conversão das florestas tropicais para agricultura equivale a US$ 200-500 por hectares. Tendo como base preços no mercado europeu, um hectare de floresta tropical pode chegar a receber US$ 10 mil por estocar carbono.

A partir da décima quinta Conferência das Partes (COP15), que aconteceu em Copenhagen, o mecanismo passou a atender pelo nome de REDD+, ou Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal, e o papel da conservação, manejo florestal sustentável e o aumento dos estoques de carbono.

Recentemente, o programa de REDD+ atingiu uma nova conquista: um projeto de REDD no Quênia, intitulado “Kasigau Corridor REDD Project”, da consultoria norte-americana Wildlife Works Carbon, foi o primeiro a adquirir créditos de carbono voluntários para comercializar em mercados de carbono. O projeto receberá 1,45 milhões de Unidades de Carbono Voluntário (VCUs em inglês) em seus primeiros seis anos e estima-se que reduza em seis milhões de toneladas as emissões durante os 30 anos de sua duração.
Esse fato possivelmente dará novo fôlego às inciativas de REDD+. Além disso, outros acontecimentos, como o anúncio da ONU de que 2011 foi escolhido como o Ano Internacional das Florestas e o início das transações do sistema cap-and-trade da Califórnia, previsto para 2012, devem motivar a adoção de projetos de REDD+, e quem sabe estimular a incorporação de programas de REDD+ em mercados de crédito de carbono.
No início deste ano, a ONU divulgou sua estratégia para o período de 2011 a 2015, que está focada em ajudar os países a desenvolverem as iniciativas de REDD+ de maneira eficiente e que realmente ajudem na conservação das florestas. O plano define seis áreas vitais: MRV; governança; engajamento das partes interessadas; benefícios múltiplos das florestas e REDD+; gerenciamento dos pagamentos e REDD+ como um catalisador para a economia verde.
Para acompanhar os avanços dessas medidas, relatórios independentes serão realizados. Além disso, a cada dois ou três anos, todo o Programa ONU-REDD será avaliado por entidades externas.
O maior desafio atual que enfrenta o REDD+ é garantir recursos para desenvolver a capacidade de países em desenvolvimento de implementar o programa apropriadamente com uma abordagem flexível, respeitando as salvaguardas. Segundo dados da própria ONU, seriam precisos entre US$22 e US$38 bilhões nos próximos cinco anos para reduzir as emissões anuais por desmatamento em 25%.
Esse preço é relativamente baixo se comparado ao que seria preciso para chegar a essa redução em setores industriais. Sem falar nos ganhos para a biodiversidade e qualidade de vida. Por isso, esse investimento deve fazer-se disponível o mais rápido possível por uma combinação de financiamentos imediatos e inovadores, a fim de capitalizar o ímpeto político e a oportunidade de mitigação ocasionada por uma decisão de REDD+.
A partir de agora, é necessário que o REDD+ seja aperfeiçoado, assegurando que o programa de trabalho já executado para 2011-2012 seja melhorado e expandido, a fim de permitir uma melhora ampla nas fontes financeiras bilaterais e multilaterais e nas atividades imediatas assinaladas pela decisão REDD+.
O REDD + pode mudar a situação sem lidar com as causas do desmatamento?

Dado o contexto atual, vários outros aspectos precisam ser tratados ao mesmo tempo para reduzir as emissões provenientes do desmatamento, como a valorização dos serviços prestados pelos ecossistemas naturais, conservação da biodiversidade e preservação das atividades tradicionais da população.

Assim, as mudanças de comportamento necessárias para atingir estes objetivos não virão somente através do REED, são necessárias reformas políticas tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento.

Brasil
Assim como na maioria dos países, o Brasil ainda não possui regulamentação específica para projetos em REDD+.
O governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), lançou um processo participativo com a sociedade civil para formular o Sistema Nacional de REDD+. Neste sentido, o MMA e o Serviço Florestal Brasileiro lançaram em dezembro de 2010 o “Portal REDD+ Brasil”, que reúne projetos, ações e informações a respeito do REDD+.
O estado do Amazonas já possui uma legislação específica sobre REDD+ em Unidades de Conservação (UC’s), e outros estados, como Acre, Pará e Mato Grosso, estão construindo seus programas e estratégias. Há também no Brasil um projeto de lei federal (PL 5586/2009) que prevê a criação de um sistema nacional de REDD+, atualmente em tramitação no Congresso Nacional.

Segundo o Guia de Projetos de REDD na América Latina, o Brasil possui 7 projetos que devem reduzir 267 milhões de toneladas de CO2e.
 


 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS


Verões mais quentes e invernos mais rigorosos, maior número de enchentes, secas e incêndios florestais, aumento da intensidade e freqüência de tempestades e furacões, derretimento de geleiras e calotas polares e elevação do nível do mar são algumas das conseqüências das mudanças climáticas previstas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC - Intergovernamental Pannel on Climate Change) caso a temperatura do planeta continue subindo.

Estudos científicos comprovaram um aumento de 0,8ºC na temperatura média da Terra no último século, passando de aproximadamente 13,8ºC para 14,6ºC. Segundo os 2,5 mil cientistas do IPCC, o aquecimento global seria "muito provavelmente" causado pelo excesso dos chamados gases do efeito estufa lançados pelas atividades humanas na atmosfera desde 1750 e que, agora, ultrapassam “em muito” os valores pré-industriais.

Os três principais gases do efeito estufa são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O).

A partir da revolução industrial, no século 18, as fábricas passaram a substituir a energia do vapor pela queima do carvão, que libera CO2. Com a descoberta do petróleo mais dióxido de carbono foi lançado para atmosfera, pois a queima de seus derivados, como a gasolina, também emite esse gás.

“O aquecimento do sistema climático é inequívoco, como está agora evidente nas observações do aumento das temperaturas médias globais do ar e do oceano, do derretimento generalizado da neve e do gelo e da elevação do nível global médio do mar”, declararam os cientistas no quarto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2007. Você pode acessar os relatórios clicando aqui.

Segundo o IPCC, os aumentos globais da concentração de CO2 se devem principalmente ao uso de combustíveis fósseis e à mudança no uso da terra. Já os aumentos da concentração de CH4 e N2O são devidos principalmente ao agronegócio.

O IPCC é a autoridade científica das Nações Unidas responsável pelas informações oficiais sobre o aquecimento global. A entidade reúne centenas de cientistas atmosféricos, oceanógrafos, especialistas em gelo, economistas, sociólogos e outros especialistas que avaliam e resumem os principais dados sobre mudanças climáticas. Durante a sua história, o IPCC publicou quatro "relatórios de avaliação".

O que o Brasil está fazendo?
(Fonte: IPAM)

No dia 9 de dezembro de 2010, o Brasil deu um importante passo com a assinatura do Decreto Nº 7.390, que regulamenta a Política Nacional de Mudança do Clima, que indica uma meta de corte de emissões entre 36,1% e 38,9%, com base numa projeção para o ano de 2020. Segundo esse documento, as emissões totais projetadas para 2020 no Brasil serão de 3.236 milhões de toneladas de CO2eq, compostas pelos seguintes setores:

I - Mudança de Uso da Terra: 1.404 milhões de t de CO2eq;

II - Energia: 868 milhões de t de CO2eq;

III - Agropecuária: 730 milhões de t de CO2eq; e

IV - Processos Industriais e Tratamento de Resíduos: 234 milhões de t de CO2eq.

O Decreto detalha o caminho que o Brasil pretende trilhar para atingir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para o ano de 2020 através do estabelecimento de metas setoriais de redução de emissão.

As ações elencadas para que se atinja esta meta são:

I - Redução de 80% dos índices anuais de desmatamento na Amazônia Legal em relação à média verificada entre os anos de 1996 a 2005;

II - redução de 40% dos índices anuais de desmatamento no Bioma Cerrado em relação à média verificada entre os anos de 1999 a 2008;

III - expansão da oferta hidrelétrica, da oferta de fontes alternativas renováveis, notadamente centrais eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e bioeletricidade, da oferta de biocombustíveis e incremento da eficiência energética;

IV - recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;

V - ampliação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares;

VI - expansão da prática de plantio direto na palha em 8 milhões de hectares;

VII - expansão da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares de áreas de cultivo, em substituição ao uso de fertilizantes nitrogenados;

VIII - expansão do plantio de florestas em 3 milhões de hectares;

IX - ampliação do uso de tecnologias para tratamento de 4,4 milhões de m3 de dejetos de animais; e

X - incremento da utilização na siderurgia do carvão vegetal originário de florestas plantadas e melhoria na eficiência do processo de carbonização.

Outras metas serão construídas até novembro de 2011 para aqueles setores que não foram citados no decreto.

No âmbito das negociações internacionais, essas iniciativas são classificadas como NAMAs (Nationally appropriate mitigation actions, ou Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas), que representam um conjunto de ações com o objetivo de reduzir os gases de efeito estufa de um país nacionalmente e que estão em discussão no âmbito da Convenção do Clima (UNFCCC).

O Brasil foi o pioneiro dentre os países do bloco não Anexo I do Protocolo de Quioto a assumir metas de redução de emissões, mesmo sem ter compromissos obrigatórios de redução. Após o anúncio do Brasil, outros países que também fazem parte desse bloco, como Indonésia, Índia, África do Sul e China também declararam suas metas voluntárias de redução das emissões até o ano 2020.

Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/#mudancas_climaticas


 

MERCADO VOLUNTÁRIO DE CARBONO


O mercado de carbono voluntário abrange todas as negociações de créditos de carbono e neutralizações de emissões de gases do efeito estufa (GEEs) que são realizadas por empresas que não possuem metas sob o Protocolo de Quioto e, por isso, são consideradas ações voluntárias.

Os esquemas são financiados por organizações e indivíduos que querem neutralizar o impacto das emissões produzidas pelas suas atividades. Para isso, investem em projetos que têm como objetivo reduzir as emissões de GEEs, através da compra de créditos de compensação. Estes são normalmente instrumentos financeiros negociáveis chamados Reduções Verificadas de Emissão (VERs - Verified Emission Reductions), os quais representam uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) reduzida ou deixada de ser emitida.

O mercado voluntário de carbono vem crescendo dramaticamente nos últimos anos, passando de US$ 99 milhões em 2006 para US$ 705 milhões em 2008 e US$ 387 milhões em 2009, com o crédito sendo negociado a um preço médio de US$ 7,34/tCO2e (Leia mais) e US$ 6,5/tCO2e em 2009 (Leia mais). Segundo especialistas, o principal motor é o boom verde que ocorre entre as empresas norte-americanas.

Em 2010, o mercado voluntário atingiu o volume recorde de 131 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e), sendo estimado em US$ 424 milhões, de acordo com o relatório “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” (De Volta para o Futuro: Estado e Tendências dos Mercados de Carbono Voluntário 2011), do Ecosystem Marketplace e Bloomberg New Energy Finance.
“Este grande volume reflete o crescimento da responsabilidade social corporativa com relação às mudanças climáticas. Além disso, é um sinal da força do mercado, que conseguiu ficar praticamente imune à turbulência gerada pela estagnação da legislação climática nos Estados Unidos”, explicou Katherine Hamilton, diretora gerente da Ecosystem Marketplace.

Exemplos de Projetos


1. CO2OLUSA/ Futuro Florestal - Reflorestamento com espécies nativas no Panamá

O objetivo deste projeto, certificado com o CCBS, é reduzir as emissões de dióxido de carbono através de três ações:

• Plantações comerciais sustentáveis de madeira;
• Reflorestamento com propósitos de proteção e extração em áreas que eventualmente serão repassadas às comunidades locais. Estas serão as encarregadas do manejo e proteção, assegurando assim a permanência do estoque de carbono.
• Proteção das áreas de florestas secundárias existentes que fazem parte da área que a Futuro Florestal adquiriu para a implantação dos serviços de reflorestamento. Estas áreas são protegidas por causa do seu valor ecológico e estado de desenvolvimento.
Estimativas de dióxido de carbono seqüestrado ou conservado:

Até 2006: 40,110 tCO2e
Disponível em 2012: 325,977 tCO2e
Disponível em 2017: 881,370 tCO2e

Mais informações, clique aqui (em inglês).

2. Reduzindo as emissões de carbono do desmatamento no Ecossistema de Ulu Masen Ecosystem, Aceh, Indonésia.

Este projeto pretende desenvolver e testar mecanismos financeiros de carbono para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, contribuir para o desenvolvimento econômico e social sustentáveis e conservar a biodiversidade ao longo dos próximos 30 anos. O projeto utilizará o planejamento do uso do solo, aumento do monitoramento e reforço da lei, reflorestamento, restauração e atividades madeireiras sustentáveis em 750 mil hectares de florestas.
O projeto estima que as atividades propostas reduzam o desmatamento em 85% e que possam ser evitadas a emissão de 3.369.848 toneladas de dióxido de carbono por ano.

Segundo a Bloomberg, cerca de 26 milhões de dólares provenientes da venda dos créditos de carbono serão repassados às vilas que pararem com o desmatamento.

Mais informações, clique aqui (em inglês).

3. Projeto Enoree para Energia Limpa em Aterro sanitário

O Enoree é primeiro projeto de aterro sanitário validado pelo VCS nos Estados Unidos. O projeto é desenvolvido na Carolina do Sul (EUA) e pretende captar o gás produzido através da decomposição natural do lixo doméstico para a produção de cerca de 3,2 MW de eletricidade anualmente, o que equivale a aproximadamente o abastecimento de duas mil residências norte-americanas.

Projetos Brasileiros
Em setembro de 2008, dois projetos brasileiros estavam em processo de avaliação pela Associação responsável pelo CCBS. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Juma, na Amazônia, envolve o estabelecimento de uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável em uma região de 589,612 hectares que seria quase que completamente desmatada se mantido o ritmo atual de uso das terras. Durante a primeira fase do projeto, que vai até 2050, espera-se frear o desmatamento em 75,4% da área total da reserva.

O outro projeto brasileiro sendo avaliado pelo CCB Standard é o Corredor Ecológico Monte Pascoal - Pau Brasil, localizado no litoral da Bahia, e que envolve o reflorestamento de 801 hectares de áreas degradadas com plantas nativas da Mata Atlântica.

Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mercado_voluntario/p=2



 

Futuro do Mercado de Carbono

As dúvidas são frequentes e as perguntas se resumem em uma: qual o futuro do mercado de carbono?
Após crises globais em 2008 e 2010 o valor do crédito despencou para patamares de preços históricos. Nota-se, entretanto, um equívoco fundamental em grande parte das análises sobre o futuro do mercado global de emissões. Muito se tem discutido sobre a continuidade do protocolo de Kyoto ou o estabelecimento de um novo acordo que o substitua. Hoje, a permanência do mercado é o menor dos problemas e certamente ocorrerá mesmo que em formatos regionais ou bilaterais. A experiência real de um mercado ambiental corrobora para que uma política de mercado é a ferramenta mais custo efetivo para se reduzir emissões.
Se o foco não é a continuidade devemos nos preocupar, portanto, com os fundamentos do mercado. A demanda foi drasticamente afetada pela redução da atividade industrial na Europa e pela queda do preço das commodities energéticas. Tal impacto é previsível e esperado na atual conjuntura econômica. É fato que a meta de emissões estabelecida por Kyoto será atingida. Por outro lado, a oferta sofre pressão artificial, aqui sim temos um grave problema. Nada tem sido feito para ajustar a emissão de permissões europeias, ou as reduções hot air provenientes do Leste Europeu. A proposta de set-aside (retirada de permissões do mercado) desapareceu antes de ser de fato concebida. A UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change ou Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) declara reconhecer o problema e grande bancos europeus estimam que a demanda estará saturada entre 2013 e 2014.
Os patamares atuais de preço não criam os incentivos necessários para o setor privado reduzir emissões. O mercado poderá se extinguir não por deixar de existir, mas por não ser efetivo.
*Colaboração do consultor Henrique Pereira, da WayCarbon

fonte: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/termometro-global/2012/06/01/futuro-do-mercado-de-carbono/?goback=%2Egde_4445669_member_121201015