sábado, 24 de março de 2012

RELÓGIO CARBÕNICO

Concentração mensal de dióxido de carbono



Acompanhe em tempo real a concentração de  CO2 no planeta


O Relógio Carbônico tem o objetivo de mostrar o incremento do CO2 na atmosfera a cada instante, apresentando em tempo real uma estimativa da concentração do gás atmosfera. Para funcionar, o Relógio Carbônico utiliza os dados gerados pelo Laboratório de Monitoramento e Diagnóstico do Clima, localizado a 3500 metros de altitude no observatório de Mauna Loa, no Havaí. O laboratório é considerado um dos mais confiáveis do mundo para esse tipo de avaliação, uma vez que ar coletado não sofre a influência de nenhuma fonte evidente de poluição industrial ou outra fonte natural de absorção de CO2, como uma floresta. Além disso,o laboratório possui a maior série histórica de amostragens, com dados coletados desde 1955.
Os valores exibidos são uma projeção baseada nos últimos dois meses e descartam as variações sazonais causadas por alterações na taxa de absorção do poluente por plantas e oceanos ao longo dos anos.

Dióxido Carbônico
Descoberto em 1754 pelo escocês Joseph Black, o dióxido de carbono é um gás fundamental para a manutenção da vida no planeta. Sem ele, plantas e outros organismos não realizariam o processo da fotossíntese, que transforma a energia solar em energia química. Este processo é uma das fases do chamado ciclo do carbono, vital para a manutenção dos seres vivos. Proporção de gases do efeito estufa Entre os séculos 18 e 19, o nível do dióxido de carbono presente na atmosfera era de aproximadamente 280 ppm (partes por milhão), mas após a Revolução Industrial, no final do século 19, esse valor não parou mais de crescer e atualmente já atinge quase 390 ppm, um aumento de 39%.
Devido ao aumento da temperatura do planeta nos últimos 100 anos, diversos cientistas associaram o fenômeno ao incremento da concentração de CO2 e hoje o gás é considerado o maior vilão responsável pelo Aquecimento Global, junto ao metano, ozônio e CFCs.

Tendências
O excesso de dióxido de carbono presente na atmosfera é resultado direto da queima de combustíveis fósseis, especialmente pelo o setor industrial e de transporte. Além disso, reservatórios naturais de carbono também estão sendo afetados pela presença do Homem. O solo e os oceanos possuem gigantescas reservas de CO2 muito superiores à da atmosfera e alterações nesses sistemas podem representar importantes fontes de transferência do gás para a atmosfera. Um estudo publicado pela revista britânica Nature afirma que somente uma revolução no uso da energia poderá evitar uma catástrofe devido ao aquecimento global. Segundo o estudo, mantendo o atual ritmo de emissão de carbono a elevação da temperatura na Terra ultrapassará com facilidade a meta de 2 graus Celsius prevista para o final do século.

Níveis de concentração

Concentração estimada de dióxido de carbono nos próximos anos A maior parte dos estudos atuais mostra que se os esforços para se conter as emissões não forem ampliados, até o final do século a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingirá 760 ppm, o dobro da atual. Algumas estimativas mostram que na metade do século 21 a concentração será de 500 ppm. De acordo com os cientistas, para que a temperatura não ultrapasse a marca de 2 graus Celsius até o final do século, é necessário que a quantidade de CO2 emitida não ultrapasse 1000 gigatoneladas até o ano de 2050.
Considerando-se que apenas nos primeiros sete anos do século 21 a humanidade já emitiu aproximadamente 250 gigatoneladas, estima-se que até 2050 a quantidade emitida ficará em torno de 1750 gigatoneladas, quase o dobro do limite.

fONTE: http://www.apolo11.com/relogiocarbonico.php#WIN

segunda-feira, 19 de março de 2012

MDL EM ANÁLISE P/ BIOCARBON FUND

BioCarbon Fund analisa setor de projetos florestais do MDL

Relatório detalha os sete anos de experiências do Fundo criado pelo Banco Mundial para financiar projetos florestais no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e destaca os desafios e oportunidades desse tipo de iniciativa

quarta, 14 de março de 2012
 
 
Operacional desde 2004, o BioCarbon Fund, comandado pela Unidade de 'Carbon Finance' do Banco Mundial, é uma iniciativa público-privada de mobilização de recursos para projetos que sequestram ou conservam o carbono em ecossistemas ou sistemas agroflorestais, mitigando as mudanças climáticas e melhorando os modos de vida locais.

A segunda fatia de recursos do BioCF, aberta desde 2007, já capitalizou US$ 38,1 milhões. Grande parte dos recursos do fundo, cerca de 80%, foram investidos em projetos de florestamento e reflorestamento (A/R, sigla em inglês) sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O restante foi alocado para projetos de REDD+ e manejo sustentável da terra.

As reduções de emissão geradas por estes projetos são compradas pelo BioCF em nome de seus participantes e posteriormente são transferidas a eles. Até maio de 2011, o fundo havia contratado 8,6 milhões de créditos de 21 projetos A/R, sendo que nove projetos já estavam registrados sob o MDL e o restante nas suas diversas fases até o registro.

Nesta semana, o BioCF publicou um relatório apresentando elementos dos seus sete anos de experiência na elaboração e implementação dos projetos em 16 países em desenvolvimento.

O objetivo é informar os desenvolvedores de projetos dos desafios e oportunidades que os projetos de A/R sob o MDL tem enfrentado em campo.

Experiência

Além das barreiras estruturais da geração de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), o fundo demonstrou que inicialmente havia dificuldades na aplicação das metodologias aprovadas sob o MDL e na preparação do Documento de Concepção de Projeto (DCP), exigido para o registro do projeto. Porém que o Comitê Executivo do MDL tem melhorado e simplificado as regras e procedimentos.

Assim, alguns desenvolvedores agora estão replicando e ampliando as suas experiências. Alguns governos também estão trabalhando no aprimoramento das fontes de recursos dentro das estratégias nacionais de uso da terra.

“As versões mais recentes das metodologias são mais curtas, mas o número de procedimentos, ferramentas e diretrizes aumentou”, ponderou o relatório.

Dois motivos principais são colocados para o subdesenvolvimento do setor: a demanda pequena por créditos florestais e a ausência de capacitação dos desenvolvedores de projetos para aplicar efetivamente as regras atuais de contabilização de gases do efeito estufa.

Os desenvolvedores têm enorme dificuldade em acompanhar as últimas versões das diretrizes do Comitê Executivo do MDL, sendo uma fonte significativa de atrasos na validação dos projetos, aponta o relatório.

A melhoria na eficácia da comunicação entre do Comitê Executivo e os desenvolvedores também é citada como um ponto que precisa ser revisto.

Sinergias

“Os projetos do BioCF têm demonstrado que o financiamento de projetos de carbono florestal pode contribuir para a mitigação das mudanças climáticas ao mesmo tempo em que oferecem co-benefícios (sociais, ambientais, econômicos e institucionais) importantes nas áreas rurais”, conclui o relatório.

Benefícios extras, como maior segurança na titulação das terras, oportunidades de emprego e novas fontes de renda, são um incentivo importante para a participação e comprometimento de longo prazo das comunidades locais nos projetos.

Estes projetos também contribuem, através da recuperação de áreas degradadas e conservação dos recursos hídricos e biodiversidade, para adaptação das comunidades e dos ecossistemas às mudanças do clima ao aumentar sua resiliência.

Elaborar esquemas equitativos de repartição dos benefícios do projeto, melhorando efetivamente a qualidade de vida local, é essencial. Parcerias público-privadas com responsabilidades claras para cada parceiro parecem funcionar melhor, segundo o relatório.

“Projetos que têm agências governamentais na liderança têm, na maioria dos casos, desempenhado relativamente pior do que outros. A exceção tem sido países com governança centralizada”, comentou o BioCF, ponderando que o ponto positivo dos governos na liderança é a facilidade de replicação das iniciativas.

Para evitar impactos sociais e ambientais, o relatório sugere avaliações integradas em antecipação do projeto, mitigando riscos e acentuando benefícios. Certificações voluntárias também contribuem neste sentido, como a certificação FSC e o padrão CCB.

Regulamentação

Como a elaboração dos projetos e do DCP é custosa tanto em tempo quanto em dinheiro, o seu sucesso é maior quando desenvolvido por entidades altamente motivadas e capacitadas (com técnicos e gestores), em países com setor florestal forte – especialmente no que tange à obtenção de informações para a ‘adicionalidade’. Portanto, a dependência de consultores externos à área rural é forte.

A dificuldade de comprovação da adicionalidade é indicada pelo relatório como sendo uma das razões para pedidos de esclarecimento e ações corretivas por parte das Entidades Operacionais Designadas na validação dos projetos.

Cumprir com as regras de elegibilidade da área e fronteiras do projeto é um desafio para os desenvolvedores.

Financiamento

A capacidade da entidade catalisadora do projeto em garantir investimentos também é crítica para o seu sucesso.

“Grande parte dos Project Idea Notes (PIN) com potencial de redução de emissões que foram submetidos ao BioCF não puderam ser considerados devido à falta de financiamento”, segundo o relatório.

O Banco Mundial diz que o custo para atender aos requisitos do MDL pode exceder US$1 por tCO2e para projetos de A/R, muito maior do que qualquer outro setor. Entretanto, com a melhoria na capacitação das equipes, da compreensão dos riscos e da estrutura institucional do MDL, os custos têm caído.

O relatório aponta ainda que mesmo existindo a modalidade para projetos de pequena escala (até 16 mil tCO2e por ano), os custos de transação não são significativamente menores, sendo que os desenvolvedores têm poucos incentivos para se engajar neles.

“As regras deveriam ser ainda mais simplificadas e o limite das reduções de emissão deve ser ampliado para facilitar os projetos de pequena escala”.

Creditação temporária

Na experiência do BioCF, a vida útil mais curta das RCEs temporárias é mais compatível com o mercado de carbono, com a dinâmica das mudanças de uso da terra e com as informações existentes sobre riscos para os projetos do que as RCEs de longo prazo.

“A abordagem de creditação temporária para lidar com a não–permanência (que força os compradores a adquirir créditos em substituição aos temporários) adotada pela UNFCCC para os projetos A/R permitiu que este setor seja incluído no MDL, mas também coloca os projetos em desvantagem’, comenta o relatório, completando que a disposição dos compradores de pagar por créditos de reposição é limitada.

A temporariedade dos créditos florestais sob o MDL também pode acabar sendo um incentivo perverso para o desmatamento da área após o término do período de vigência da RCE. Neste sentido, lições podem ser aprendidas com experiências do mercado voluntário de carbono, onde outras abordagens são usadas.

Para ampliar a abrangência das atividades de A/R, lições precisam ser aprendidas e os gargalos removidos, e para isto, o relatório conclui como necessário: melhorias regulatórias, aumento da demanda pelos créditos, acesso a financiamentos e fortalecimento da capacitação.

Fonte: Instituto Carbono Brasil
http://painelflorestal.com.br/noticias/carbono-neutro/14373/biocarbon-fund-analisa-setor-de-projetos-florestais-do-mdl

Mercado do Carbono em conflito

Negociações sobre crédito de carbono são ilegais

Os índios da etnia mundurucu venderam a uma empresa estrangeira direitos sobre uma área na floresta amazônica.

segunda, 19 de março de 2012
Foto: Google
 
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O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, afirmou que os contratos assinados entre comunidades indígenas e empresas que negociam crédito de carbono são ilegais. Apesar de defender a regulamentação do mecanismo, a Funai ainda não apresentou uma proposta de marco legal à Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça.

"O projeto que tramitava no Congresso foi arquivado. Temos defendido que o crédito de carbono é uma possibilidade interessante, mas que precisa passar por uma regulamentação," destacou Meira.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou no último domingo que por R$ 120 milhões os índios da etnia mundurucu venderam a uma empresa estrangeira direitos sobre uma área na floresta amazônica. O negócio garantiria à empresa "benefícios" sobre a biodiversidade, além de acesso irrestrito ao território indígena. Pelo menos 35 contratos foram fechados nos mesmos termos.

"Todo esse crédito de carbono negociado até agora não tem validade. É moeda podre", ressaltou o presidente da Funai. Os contratos assinados com os indígenas foram remetidos à Advocacia Geral da União (AGU), que vai investigar a validade dos documentos. Responsável por defender a União, a AGU estuda medidas judiciais contra as empresas estrangeiras que compram os direitos sobre a biodiversidade de tribos indígenas.

Com relação às comunidades indígenas, a Funai informou que está orientando as lideranças sobre os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) e especificamente sobre possíveis projetos e contratos. A fundação defende ainda criação de um Comitê Nacional de Redd, para monitorar a implantação das iniciativas e regular a execução dos recursos financeiros, e de um Fundo, para garantir o acesso e a repartição dos benefícios.

Fonte: Diário do Grande ABC
http://painelflorestal.com.br/noticias/creditos-de-cabono/14413/negociacoes-sobre-credito-de-carbono-sao-ilegais

domingo, 18 de março de 2012

REDD -FALTA DE REGULAMENTAÇÃO


REDD+

Falta de regulamentação do REDD causa conflitos

15/03/2012     -   Fonte: Agência Brasil / Funai

Fundação Nacional do Índio afirma que os acordos entre empresas internacionais e comunidades indígenas não possuem validade, pois não existem leis sobre o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação no Brasil


Os contratos que comunidades indígenas assinaram com empresas estrangeiras interessadas em explorar os direitos sobre créditos de carbono, obtidos a partir da preservação da floresta, não tem validade jurídica. É o que garante o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira.

“Não existe, no Brasil, regulamentação sobre [o mecanismo de] Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação [Redd]. Por isso, esses contratos não tem validade jurídica. Consequentemente, todo o crédito de carbono que está sendo colocado à venda não tem validade alguma. É moeda podre”, explicou Meira, revelando que a fundação tem conhecimento de, pelo menos, 30 contratos entre índios e empresas internacionais.

Um desses acordos foi assinado por índios da etnia Mundurucu, de Jacareacanga (PA). Por US$ 120 milhões, eles concederam à empresa irlandesa Celestial Green o direito de negociar no mercado internacional, pelos próximos 30 anos, os créditos de carbono obtidos com a preservação de uma área de 2,381 milhões de hectares, território ao qual a empresa teria acesso irrestrito. O acordo também transfere à empresa o direito a qualquer benefício ou certificado obtido a partir da biodiversidade local. E impede os índios de promover qualquer atividade que possa afetar negativamente a concessão de créditos de carbono. Com isso, a comunidade precisaria da autorização da Celestial Green até mesmo para erguer casas ou abrir novas áreas de plantio.

Porém, a Funai destaca que existem bons exemplos, como o do povo indígena Suruí. Neste caso, nenhum contrato foi fechado, mas o projeto tem sido conduzido de forma articulada com a Funai e tem acatado diversas recomendações, inclusive apresentando as certificações VCS (Voluntary Carbon Standard) e CCBA (Clima, Comunidade e Biodiversidade), recebendo padrão ouro.

A orientação da Funai é para que os indígenas tenham o máximo de cuidado ao serem abordados por alguma empresa ou pessoa jurídica com propostas como essas, podendo solicitar o assessoramento da Funai, a fim de garantir que não sejam lesados em seus direitos. De acordo com o documento “Povos Indígenas e Redd+ no Brasil: Considerações Gerais e Recomendações”, distribuído aos jornalistas, o mecanismo deve ter como base os Princípios e Critérios Socioambientais de Redd+, elaborados por um grupo multissetorial da sociedade brasileira, em processo de consulta pública.

O documento traz ainda, entre as diversas recomendações, que as iniciativas de Redd+ devem ser precedidas de amplo processo de informação, inclusive sobre riscos e oportunidades do mecanismo, de modo a permitir seu entendimento pelas comunidades e povos indígenas afetados e interessados; assegurar o direito ao consentimento livre, prévio e informado às populações indígenas; e garantir às comunidades a autonomia de decisão quanto à gestão de suas terras e recursos, sempre respeitando o modo de vida tradicional e os mecanismos comunitários de decisão dos povos indígenas, desde que em consonância com a legislação vigente.

Diálogo 

As recomendações são resultado de um processo de diálogo e reflexão conduzido pela Funai com organizações da sociedade civil, entre elas a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). O objetivo é orientar as ações governamentais relacionadas ao mecanismo de Redd+ no que se refere à especificidade dos povos indígenas.

As considerações e recomendações foram elaboradas entre 2010 e 2011, a partir da Oficina “Participação Indígena e ações de Redd+ no Brasil”, promovida pela Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Funai. A oficina ocorreu em Manaus/AM, durante a 1ª Cumbre Regional Amazônica da Coordenação da Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica).

Leia: Esclarecimentos da Funai sobre atuação do mercado voluntário de REDD em Terras Indígenas
fonte:Instituto Carbono Brasil

FUNAI EM RELAÇÃO AO REDD


Fundação Nacional do Índio 

Esclarecimentos da Funai sobre atuação do mercado voluntário de REDD 
em Terras Indígenas.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informa que das mais de 30 
etnias abordadas por empresas e/ou pessoas físicas para tratar de iniciativas 
de Redd e negociação de créditos de carbono no âmbito do mercado 
voluntário, nem todas fecharam contratos efetivamente, apesar de terem sido 
apresentados contratos e projetos.
O povo indígena Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, não 
fechou nenhum contrato, eles tem conduzido o seu projeto de forma articulada 
com esta Fundação, e acatado as diversas recomendações da Funai quanto ao 
seu processo específico, inclusive com as certificações VCS (Voluntary Carbon 
Standard) e CCBA (Clima, Comunidade e Biodiversidade), recebendo padrão 
ouro. Tem havido por parte deles a devida cautela no processo, avaliando os 
riscos e as potencialidades do mercado voluntário e da assinatura de contratos 
nesse contexto. Há a expectativa de que a Associação do povo Suruí 
apresente o projeto ao Fundo Amazônia e a Funai apóia essa iniciativa. 
Quanto ao contrato de venda de créditos de carbono do complexo 
de terras indígenas Cinta Larga (Roosevelt, Aripuanã, Parque do Aripuanã e 
Serra Morena), com 2,7 milhões de hectares, a que a Funai teve acesso há 
aproximadamente um ano e meio, ele imobiliza toda a área e foi negociado por 
apenas alguns indivíduos da comunidade, não havendo consentimento de 
todos os indígenas. Desde que a Funai soube do contrato, várias providências 
foram tomadas, dentre elas a notificação à empresa responsável, realização de 
diversas reuniões informativas ao povo indígena Cinta Larga, comunicação 
oficial ao Ministério Público Federal para que acompanhe a questão, Fundação Nacional do Índio 
publicação orientadora sobre o assunto e comunicado oficial à Associação 
Cinta Larga esclarecendo a ilegalidade do contrato.
Assim como o caso citado acima, a maioria dos contratos a que a 
Funai teve acesso impedem os índios de executarem suas práticas 
tradicionais, como, por exemplo, plantação de roças e corte de árvores para 
subsistência sem prévia autorização da empresa. Além da previsão de 
contratos que perpassam por mais de uma geração e não prevêem cláusulas 
de rescisão contratual, caso haja algum prejuízo para a comunidade indígena. 
A Funai, que tem como missão precípua a defesa dos direitos dos 
povos indígenas, é contra esses contratos. A Fundação tem informado às 
lideranças indígenas sobre a nulidade jurídica deles, tendo em vista que são 
terras da União e que a segurança jurídica exigida por esses contratos não 
pode ser dada pelos indígenas e sim pelo Estado brasileiro. Considerando, 
ainda, a falta de regulamentação no âmbito do Mecanismo Nacional de Redd, 
não existe qualquer validade nesses acordos.
A Fundação defende a rápida regulamentação do Mecanismo 
Nacional de Redução por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), pois 
considera que a falta de regras claras é a origem das irregularidades 
contratuais observadas nessa questão. Considera, ainda, que esse Mecanismo 
deva prever um arranjo/metodologia que contemple a especificidade das terras 
indígenas - áreas protegidas que abrangem 23% da Amazônia Legal.
Proteção territorial
As iniciativas da Funai em “estabelecer diretrizes e critérios a 
serem observados na concepção e execução das ações de proteção territorial 
e etnoambiental em terras indígenas” (Portaria nº 1.682) não tem o objetivo de 
frear o assédio a contratos de Redd, tampouco de reduzir a incidência de Fundação Nacional do Índio 
iniciativas de contratos e projetos de Redd. A solução para essa questão é a 
regulamentação do Mecanismo Nacional.
A definição de diretrizes, pela Funai, para Proteção Territorial, 
objetiva regulamentar a participação de indígenas nas ações de vigilância 
territorial e ambiental, assim como nas atividades de localização e 
monitoramento de referências de povos indígenas isolados promovidas para 
proteção das terras que habitam e usufruem por direito, bem como de povos 
indígenas isolados. 
Os projetos de vigilância, apoiados pela Funai, por meio do 
projeto de Proteção Territorial, estabelece algumas diretrizes e critérios a 
serem seguidos para a participação dos indígenas nas ações de vigilância 
ambiental e territorial. A indicação pelas suas comunidades, a necessidade de 
residir em território indígena e o não envolvimento em atividades ilícitas e/ou 
prejudiciais ao convívio em sua comunidade, são alguns exemplos.
A Funai destaca que o conhecimento dos povos indígenas sobre 
seus territórios é elemento fundamental das ações de vigilância, e a definição 
de diretrizes pela Fundação reconhece os serviços ambientais prestados pelas 
terras e povos indígenas. A participação indígena nas ações de proteção 
territorial e etnoambiental em suas próprias terras é uma expressão do 
exercício da autodeterminação e do direito de participação dos povos 
indígenas, conferindo eficiência a essas ações, assim como um estímulo ao 
protagonismo indígena na defesa de seus territórios.

Fonte: 

Diretrizes nacionais para programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal

O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa REED

sábado, 17 de março de 2012
 

Diretrizes nacionais para programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal

O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa REED

sábado, 17 de março de 2012
 O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), mecanismo pelo qual nações que reduzem o desmatamento poderiam vender créditos de carbono no mercado internacional. Por conta disso, o governo brasileiro deveria apresentar diretrizes sobre o tema até a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada em junho no Rio de Janeiro.

A análise foi f eita por Paulo Moutinho, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), durante o “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”. O workshop foi realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março em São Paulo.

De acordo com Moutinho, embora a queima de combustíveis fósseis seja a principal responsável pelas emissões de gases-estufa, a forma mais rápida e barata de combater a mudança climática é deter o desmatamento de florestas, principalmente nas regiões tropicais do planeta. “Mas isso não quer dizer que o esforço que Brasil e outras nações estão fazendo para conter a derrubada de árvores tenha de valer pouco”, disse.

O diretor do Ipam foi um dos idealizadores do conceito de “Redução Compensada de Emissões”, que deu origem ao REDD. O argumento é que os países tropicais ajudam a estabilizar o clima do planeta por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos.

A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2003, durante a 9ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-9), na Itália. As discussões continuaram nas conferências seguintes. O conceito, que inicialmente focava o desmatamento evitado, passou a englobar ações como degradação florestal evitada, aumento de estoques de carbono e conservação florestal, sendo rebatizado como REDD+.

Mas, até hoje, o mecanismo não foi devidamente regulamentado em nenhum lugar do mundo e, por esse motivo, passou a sofrer o que Moutinho chama de “efeito Saci-Pererê”: todo mundo já ouviu falar, mas ninguém viu.

“Se isso não ocorrer no Brasil, não vai acontecer em nenhum outro lugar do mundo. Vários elementos fazem do país o lugar ideal para colocar esse grande experimento em andamento”, disse.

Segundo dados do Ipam, o Brasil está entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa. Mais de 60% das emissões brasileiras são resultantes de mudanças de uso do solo e desmatamento. Indonésia e Congo seriam os dois outros países tropicais com “desmatamento a ser tratado”, mas não têm as mesmas condições favoráveis do Brasil.

O país, de acordo com Moutinho, avançou muito ao criar a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e estabelecer metas para a redução do desmatamento até 2020.

“Além disso, temos o Fundo Amazônia, um bom sistema de monitoramento, 185 bilhões de hectares de áreas protegidas – que abrigam 26 bilhões de toneladas de carbono, uma sociedade organizada, uma comunidade científica de excelência e uma governança crescente”, disse.

Entre os obstáculos mencionados por Moutinho está o fato de que os grandes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não têm salvaguardas ambientais explícitas. Ele cita também a demanda crescente por commodities como bioetanol e soja, os assentamentos florestais e a flexibilização da legislação ambiental, que pode ocorrer se for aprovado o novo Código Florestal.

Estratégia regulamentada

O Estado do Acre, segundo Moutinho, possui o programa de REDD mais avançado do mundo. “Outros estados amazônicos e também do Sudeste, como São Paulo, têm feito esforços para reduzir suas emissões por desmatamento. Mas falta uma estratégia nacional”, ressaltou.

Para o diretor do Ipam, se não houver uma legislação federal que articule as estratégias estaduais, a instabilidade afastará os investidores internacionais. “Se cada programa tiver uma lógica diferente e sua própria forma de calcular as emissões, o investidor não vai saber o que está comprando. Até a RIO+20 o governo teria de dar diretrizes mais claras do que ele quer realmente implantar em âmbito nacional”, disse.

Regulamentar uma estratégia de REDD, de acordo com Moutinho, é a grande oportunidade de mudar a lógica de produção e estimular uma economia de baixo carbono. “Não precisa deixar de produzir. É possível aumentar a produtividade em áreas menores e ainda ganhar dinheiro pela floresta que ficou em pé”, disse.

A princípio, seria possível colocar isso em prática mesmo sem auxílio internacional, contando com recursos de isenção fiscal e fundos de compensação ambiental. “Mas a remuneração externa é importante, pois o mundo tem de reconhecer o esforço do Brasil em proteger a floresta”, disse Moutinho.
Fonte: Faesp
Foto: Google



 O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), mecanismo pelo qual nações que reduzem o desmatamento poderiam vender créditos de carbono no mercado internacional. Por conta disso, o governo brasileiro deveria apresentar diretrizes sobre o tema até a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada em junho no Rio de Janeiro.

A análise foi f eita por Paulo Moutinho, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), durante o “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”. O workshop foi realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março em São Paulo.

De acordo com Moutinho, embora a queima de combustíveis fósseis seja a principal responsável pelas emissões de gases-estufa, a forma mais rápida e barata de combater a mudança climática é deter o desmatamento de florestas, principalmente nas regiões tropicais do planeta. “Mas isso não quer dizer que o esforço que Brasil e outras nações estão fazendo para conter a derrubada de árvores tenha de valer pouco”, disse.

O diretor do Ipam foi um dos idealizadores do conceito de “Redução Compensada de Emissões”, que deu origem ao REDD. O argumento é que os países tropicais ajudam a estabilizar o clima do planeta por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos.

A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2003, durante a 9ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-9), na Itália. As discussões continuaram nas conferências seguintes. O conceito, que inicialmente focava o desmatamento evitado, passou a englobar ações como degradação florestal evitada, aumento de estoques de carbono e conservação florestal, sendo rebatizado como REDD+.

Mas, até hoje, o mecanismo não foi devidamente regulamentado em nenhum lugar do mundo e, por esse motivo, passou a sofrer o que Moutinho chama de “efeito Saci-Pererê”: todo mundo já ouviu falar, mas ninguém viu.

“Se isso não ocorrer no Brasil, não vai acontecer em nenhum outro lugar do mundo. Vários elementos fazem do país o lugar ideal para colocar esse grande experimento em andamento”, disse.

Segundo dados do Ipam, o Brasil está entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa. Mais de 60% das emissões brasileiras são resultantes de mudanças de uso do solo e desmatamento. Indonésia e Congo seriam os dois outros países tropicais com “desmatamento a ser tratado”, mas não têm as mesmas condições favoráveis do Brasil.

O país, de acordo com Moutinho, avançou muito ao criar a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e estabelecer metas para a redução do desmatamento até 2020.

“Além disso, temos o Fundo Amazônia, um bom sistema de monitoramento, 185 bilhões de hectares de áreas protegidas – que abrigam 26 bilhões de toneladas de carbono, uma sociedade organizada, uma comunidade científica de excelência e uma governança crescente”, disse.

Entre os obstáculos mencionados por Moutinho está o fato de que os grandes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não têm salvaguardas ambientais explícitas. Ele cita também a demanda crescente por commodities como bioetanol e soja, os assentamentos florestais e a flexibilização da legislação ambiental, que pode ocorrer se for aprovado o novo Código Florestal.

Estratégia regulamentada

O Estado do Acre, segundo Moutinho, possui o programa de REDD mais avançado do mundo. “Outros estados amazônicos e também do Sudeste, como São Paulo, têm feito esforços para reduzir suas emissões por desmatamento. Mas falta uma estratégia nacional”, ressaltou.

Para o diretor do Ipam, se não houver uma legislação federal que articule as estratégias estaduais, a instabilidade afastará os investidores internacionais. “Se cada programa tiver uma lógica diferente e sua própria forma de calcular as emissões, o investidor não vai saber o que está comprando. Até a RIO+20 o governo teria de dar diretrizes mais claras do que ele quer realmente implantar em âmbito nacional”, disse.

Regulamentar uma estratégia de REDD, de acordo com Moutinho, é a grande oportunidade de mudar a lógica de produção e estimular uma economia de baixo carbono. “Não precisa deixar de produzir. É possível aumentar a produtividade em áreas menores e ainda ganhar dinheiro pela floresta que ficou em pé”, disse.

A princípio, seria possível colocar isso em prática mesmo sem auxílio internacional, contando com recursos de isenção fiscal e fundos de compensação ambiental. “Mas a remuneração externa é importante, pois o mundo tem de reconhecer o esforço do Brasil em proteger a floresta”, disse Moutinho.

Fonte: Faesp
 http://painelflorestal.com.br/noticias/redd/14405/diretrizes-nacionais-para-programa-de-reducao-de-emissoes-por-desmatamento-e-degradacao-florestal

segunda-feira, 12 de março de 2012

A EQUAÇÃO DO CLIMA

Quantificar o real efeito do desmatamento e das atividades agrícolas na temperatura média do planeta é o principal resultado de um trabalho realizado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos e publicado na edição de março da revista Nature Climate Change. O conhecimento mais acurado do impacto dos ecossistemas terrestres sobre o clima se tornou possível agora porque os pesquisadores incluíram nos cálculos dois fenômenos que costumavam ser deixados de lado: a evapotranspiração (perda de água por evaporação e transpiração das plantas) e a absorção de energia solar pela vegetação. 
Esses fenômenos de natureza biofísica influenciam a regulação do clima local e afetam o clima global, mas eram desconsiderados. Os trabalhos anteriores, usados para traçar políticas de proteção do ambiente, só incluíam os dados sobre absorção ou liberação de gases de efeito estufa, os chamados mecanismos biogeoquímicos, que têm efeitos globais.

No estudo da Nature Climate Change os pesquisadores conseguiram condensar os efeitos biofísicos e biogeoquímicos num único índice, mais abrangente, batizado de climate regulation values (CRV). "Esse índice contabiliza os estoques de carbono e sua troca líquida nos ecossistemas, a emissão de óxido nitroso e de metano e considera também os efeitos da evapotranspiração e da absorção de energia solar associados a cada tipo de vegetação", explica Santiago Cuadra, pesquisador do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) do Rio de Janeiro, um dos autores do artigo.

Os resultados obtidos com o novo índice reforçam a importância da proteção às florestas tropicais e mostram que as matas boreais têm um efeito relativamente pequeno sobre a temperatura média do planeta. Indicam também que as culturas para a produção de bioenergia - como a da cana-de-açúcar, do milho e das gramíneasMiscanthus giganteus e Panicum virgatum, usadas para gerar etanol - podem apresentar impacto positivo sobre o clima, quando consideradas a perda de água, que reduz a temperatura na área dessas plantações, e a absorção da energia do sol pelas plantas. 

"É importante ressaltar que, de modo geral, as matas nativas têm um papel de resfriamento próximo ao solo maior do que as culturas agrícolas e bioenergéticas", explica o pesquisador Marcos Heil Costa, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), outro autor do artigo. "A exceção mais notória são as coníferas canadenses, pois devido à grande quantidade de neve nessa região a presença das árvores tende a aquecer a região, ao invés de resfriar."

Florestas e plantações

O trabalho é um desdobramento de outro anterior. Em um artigo publicado em 2000 os pesquisadores haviam demonstrado que, em regiões sob forte desmatamento, como a Amazônia, o aquecimento causado por meio da menor liberação de água e absorção de radiação solar é várias vezes superior ao que é originado pela elevação da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. "Outros autores confirmaram esses resultados para diversos tipos de mudança de uso do solo", conta Costa. "A discussão evoluiu ao ponto de propormos neste artigo o CRV para os ecossistemas naturais e agrícolas, que é compatível com o índice de dióxido de carbono equivalente de efeito estufa."

O CRV demonstra qual seria o aumento de gases de efeito estufa na atmosfera e quanto seria alterada a temperatura próximo à superfície do solo por causa da perda de água e absorção de energia do sol pelas plantas. Dessa forma permitiu comparar como as diferentes vegetações (naturais e agrícolas) influenciam o clima, assim como quais delas são mais efetivas em reduzir as alterações climáticas.

No total foi avaliado o impacto de 18 ecossistemas das Américas: 12 naturais e seis agrícolas com potencial para a produção de biocombustíveis. Entre os primeiros estão a floresta amazônica e o cerrado no Brasil e as matas tropicais decíduas (que perdem as folhas no outono) da América do Sul. Dos Estados Unidos foram incluídas as florestas temperadas de coníferas das montanhas do oeste e da costa noroeste, as decíduas temperadas no leste e as mistas no nordeste, além do deserto do sudoeste, da pradaria das grandes planícies e do chaparral (vegetação rasteira) da Califórnia. No Canadá, foram analisadas florestas mistas no sudeste e a boreal, além da tundra.

Quanto às plantações voltadas para a produção de bioenergia, foram estudadas a de cana-de-açúcar no Brasil e a de soja no Brasil e nos Estados Unidos. Lá foram pesquisadas ainda duas gramíneas,Miscanthus giganteus e Panicum virgatum, usadas na fabricação de biocombustíveis. Todos os 18 ecossistemas foram comparados com uma superfície sem cobertura vegetal, que serviu de referencial.

O grupo avaliou o quanto cada sistema contribuiria num período de 50 anos para elevar a temperatura da atmosfera. Os resultados mostram que, para a maioria deles, a perda de água e a absorção de energia do sol aumentam o valor dos serviços de regulação do clima, o CRV. Isso significa que a remoção da cobertura vegetal desses ecossistemas eleva a temperatura da atmosfera por emitir gases de efeito estufa e também por reduzir o resfriamento provocado pela presença da vegetação.

"Para a floresta amazônica, o aumento foi de 12%", revela Kristina J. Anderson-Teixeira, da Universidade de Illinois, a autora principal do artigo. "Para o cerrado, o aumento foi de 9%. Mas para alguns ecossistemas eles reduziram o valor total do serviço. Isso ocorreu, por exemplo, com as matas boreais do Canadá (-115%) e o deserto do sudoeste dos EUA (-123%)."

Para saber mais

Leia o artigo científico: ANDERSON-TEIXEIRA, K.J. et al. Climate-regulation services of natural and agricultural ecoregions of the AmericasNature Climate Change. 8 jan. 2012.

FONTE

Revista Pesquisa Fapesp
Evanildo da Silveira
http://www.agrosoft.org.br/agropag/221008.htm