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Mercado voluntário tem ano recorde com 131 MtCO2e
03/06/2011 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Ecosystem Marketplace
Maior interesse da iniciativa privada em ações de responsabilidade ambiental e novas metodologias para o carbono florestal fizeram que o mecanismo registrasse um crescimento de 34% do volume de negócios em 2010
Poucos dias após a divulgação de que o mercado global de carbono exibiu pela primeira vez uma retração, caindo 1,4% para US$ 142 bilhões em 2010, em virtude das incertezas sobre o futuro do Protocolo de Quioto, chega a informação de que aconteceu justamente o contrário no mercado voluntário, que registrou no ano passado um volume recorde de negociações.
De acordo com o relatório “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” (De Volta para o Futuro: Estado e Tendências dos Mercados de Carbono Voluntário 2011), publicado nesta quinta-feira (2) pela Ecosystem Marketplace e Bloomberg New Energy Finance, o mercado voluntário atingiu em 2010 o volume recorde de 131 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e), sendo estimado em US$ 424 milhões.
“Este grande volume reflete o crescimento da responsabilidade social corporativa com relação às mudanças climáticas. Além disso, é um sinal da força do mercado, que conseguiu ficar praticamente imune à turbulência gerada pela estagnação da legislação climática nos Estados Unidos”, explicou Katherine Hamilton, diretora gerente da Ecosystem Marketplace.
O relatório registrou também um aumento na demanda por créditos do mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD), que foram responsáveis por 29% de todos os cortes nas emissões relacionados ao mercado voluntário. Essa maior procura seria consequência das novas metodologias publicadas pelo Verified Carbon Standard (VCS), que responde por um terço dos créditos documentados em 2010.
Com relação à distribuição geográfica dos projetos, a América do Norte segue predominando com 35%, desses, 94% estão nos Estados Unidos. A América Latina aparece em segundo com 28%, tendo mais que dobrado o volume de transações relacionadas aos créditos florestais em países com o Brasil e Peru.
A Ásia está em terceiro com 17%, destaque para os projetos indianos de energia hidroelétrica. Essa região é a mais dependente do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), apesar da China estar começando programas piloto para estabelecer sua própria plataforma de mercado.
“Como nos anos anteriores, os Estados Unidos continuam como o epicentro do mercado voluntário de carbono, fornecendo e comprando mais de um terço dos créditos. Porém, com a chance de criação de uma legislação federal para as mudanças climáticas sendo praticamente nula, a parcela norte-americana no mercado já caiu com relação a anos anteriores dando espaço para o crescimento da América Latina e seus créditos florestais”, afirmou Milo Sjardin, analista chefe da Bloomberg New Energy Finance para os EUA.
Oportunidades
De uma forma geral, o relatório apresenta uma boa expectativa para o desempenho do mercado voluntário neste ano. A tendência é que a ferramenta continue amadurecendo e com a melhora da economia mundial a demanda por créditos siga em alta. Existe a previsão de que um novo recorde seja alcançado em 2011, com a negociação de 213 MtCO2e.
Seguindo esse ritmo, em cinco anos o mercado atingiria 406 MtCO2e. Porém, o número de projetos que estão em fase de aprovação até 2015 não conseguiria fornecer essa quantidade de créditos, o que sugere que existe um grande espaço a ser explorado por novos desenvolvedores.
O surgimento e a capacidade desses empreendedores é o que deve realmente determinar o tamanho que o mercado voluntário poderá alcançar nos próximos anos.
Os autores do “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” concluem que o “mercado voluntário conseguiu superar as dificuldades políticas e econômicas utilizando o mantra ‘O que não nos mata, nos torna mais fortes’. Assim, apostando na iniciativa privada e na vontade dos consumidores de contribuir na luta contra as mudanças climáticas, o mercado conseguiu construir parcerias e alianças que são dinâmicas e flexíveis, suportando melhor os momentos de crise”.
fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=727702
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