Análise Financeira
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O mercado de carbono entre 1 e 8 de novembro
08/11/2011 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil
O valor das permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês) caiu 9,6% na semana passada para € 9,42/t, pressionado pelo alto nível de venda dos créditos em meio a especulações sobre a relação da Grécia com a zona do Euro.
Na mesma linha, as Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) bateram novamente baixas recordes, fechando a sexta-feira (4) em € 6,50 nos contratos para dezembro de 2011, uma queda de 7,5%.
Na segunda-feira (7), as EUAs recuperaram 5,9%devido ao fortalecimento do complexo energético após terem aberto a sessão em € 9,35, menor valor registrado em 33 meses. Em 12 de fevereiro de 2009 o valor das EUAs chegou a € 8,05.
Sem perspectivas da resolução integral da crise da dívida nos países europeus, o panorama geral para a economia no bloco continua a deteriorar, sendo que os economistas da Barclays Capital reduziram as suas expectativas de crescimento do PIB para 2012, de 1% no início de outubro para 0,4%, e industrial para 2% (redução de 0,5%).
"Os mercados mais afetados serão aqueles com alta exposição ao setor industrial europeu, portanto energia, gás e carbono, todos serão impactados. Destes, o carbono na Europa provavelmente será o mais afetado obviamente com o mercado ainda mais longo (em 30-40 milhões de toneladas) e isto incentivará maiores vendas", explicaram analistas da BarCap.
“Vejo um risco de queda dos preços muito maior do que da outra vez”, comentou a analista de carbono do Deutsche Bank Isabelle Curien se referindo à crise econômica de 2009, que golpeou a demanda por créditos de carbono.
Para Emmanuel Fages do banco Societé Générale, as EUAs podem cair novamente para € 8."Se você quer um retorno em curto prazo, o carbono é muito arriscado", enfatizou.
"Não há questionamentos quanto a manutenção da oferta em demasia (de créditos) sob o ETS na segunda fase (2008-2012) e além desse período", disse à Reuters o diretor da Consultoria 70 Watt Kris Voorspools. "O carbono pode muito bem ficar na faixa inferior a € 10 por um longo tempo".
Este cenário apenas mudaria se houver uma reversão no conflituoso cenário político internacional, mas pode ser atenuado caso os planos da UE de inclusão do setor de aviação no ETS tenham sucesso.
Além das preocupações macroeconômicas, os preços estão sendo pressionados pela perspectiva do novo abastecimento de EUAs que entrará no mercado. Na sexta-feira, a comissária de mudanças climáticas da UE confirmou os planos de venda de 300 milhões de EUAs nos próximos dois anos.
MDL
Novembro promete ser um mês movimentado na emissão de RCEs, sendo que a primeira semana apresentou 11 milhões de créditos emitidos sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para 35 projetos.
Em outubro, a submissão de projetos sob o MDL foi novamente muito alta com 198 novos pedidos. A emissão mensal voltou aos níveis normais, com 13,9 milhões de RCEs emitidas. A estimativa do UNEP Risoe é que 1128 MRCEs estejam disponíveis até o final de 2012, com 759 milhões já emitidas. O MDL contém agora 7088 projetos em todas as fases até o registro e emissão.
É interessante notar que o MDL programático está crescendo exponencialmente, com 24 novos projetos em outubro, maior número já registrado. Alguns programas de atividades abrangem regiões inteiras e até mesmo o mundo, como no caso de um programa para purificação da água. Outros exemplos são o uso de fornos eficientes na áfrica ocidental, energia fotovoltáica na África do Sul e duas hidroelétricas a fio d'água na América central.
Fonte:http://www.institutocarbonobrasil.org.br/analise_financeira/noticia=728885
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