Análise Financeira
ruim regular bom ótimo excelente
O mercado de carbono entre 1 e 8 de novembro
08/11/2011 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil
O valor das permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês) caiu 9,6% na semana passada para € 9,42/t, pressionado pelo alto nível de venda dos créditos em meio a especulações sobre a relação da Grécia com a zona do Euro.
Na mesma linha, as Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) bateram novamente baixas recordes, fechando a sexta-feira (4) em € 6,50 nos contratos para dezembro de 2011, uma queda de 7,5%.
Na segunda-feira (7), as EUAs recuperaram 5,9%devido ao fortalecimento do complexo energético após terem aberto a sessão em € 9,35, menor valor registrado em 33 meses. Em 12 de fevereiro de 2009 o valor das EUAs chegou a € 8,05.
Sem perspectivas da resolução integral da crise da dívida nos países europeus, o panorama geral para a economia no bloco continua a deteriorar, sendo que os economistas da Barclays Capital reduziram as suas expectativas de crescimento do PIB para 2012, de 1% no início de outubro para 0,4%, e industrial para 2% (redução de 0,5%).
"Os mercados mais afetados serão aqueles com alta exposição ao setor industrial europeu, portanto energia, gás e carbono, todos serão impactados. Destes, o carbono na Europa provavelmente será o mais afetado obviamente com o mercado ainda mais longo (em 30-40 milhões de toneladas) e isto incentivará maiores vendas", explicaram analistas da BarCap.
“Vejo um risco de queda dos preços muito maior do que da outra vez”, comentou a analista de carbono do Deutsche Bank Isabelle Curien se referindo à crise econômica de 2009, que golpeou a demanda por créditos de carbono.
Para Emmanuel Fages do banco Societé Générale, as EUAs podem cair novamente para € 8."Se você quer um retorno em curto prazo, o carbono é muito arriscado", enfatizou.
"Não há questionamentos quanto a manutenção da oferta em demasia (de créditos) sob o ETS na segunda fase (2008-2012) e além desse período", disse à Reuters o diretor da Consultoria 70 Watt Kris Voorspools. "O carbono pode muito bem ficar na faixa inferior a € 10 por um longo tempo".
Este cenário apenas mudaria se houver uma reversão no conflituoso cenário político internacional, mas pode ser atenuado caso os planos da UE de inclusão do setor de aviação no ETS tenham sucesso.
Além das preocupações macroeconômicas, os preços estão sendo pressionados pela perspectiva do novo abastecimento de EUAs que entrará no mercado. Na sexta-feira, a comissária de mudanças climáticas da UE confirmou os planos de venda de 300 milhões de EUAs nos próximos dois anos.
MDL
Novembro promete ser um mês movimentado na emissão de RCEs, sendo que a primeira semana apresentou 11 milhões de créditos emitidos sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para 35 projetos.
Em outubro, a submissão de projetos sob o MDL foi novamente muito alta com 198 novos pedidos. A emissão mensal voltou aos níveis normais, com 13,9 milhões de RCEs emitidas. A estimativa do UNEP Risoe é que 1128 MRCEs estejam disponíveis até o final de 2012, com 759 milhões já emitidas. O MDL contém agora 7088 projetos em todas as fases até o registro e emissão.
É interessante notar que o MDL programático está crescendo exponencialmente, com 24 novos projetos em outubro, maior número já registrado. Alguns programas de atividades abrangem regiões inteiras e até mesmo o mundo, como no caso de um programa para purificação da água. Outros exemplos são o uso de fornos eficientes na áfrica ocidental, energia fotovoltáica na África do Sul e duas hidroelétricas a fio d'água na América central.
Fonte:http://www.institutocarbonobrasil.org.br/analise_financeira/noticia=728885
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Mercado do Carbono - inventário 2010
Reportagens CarbonoBrasil
Mercado voluntário tem ano recorde com 131 MtCO2e
03/06/2011 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Ecosystem Marketplace
Maior interesse da iniciativa privada em ações de responsabilidade ambiental e novas metodologias para o carbono florestal fizeram que o mecanismo registrasse um crescimento de 34% do volume de negócios em 2010
Poucos dias após a divulgação de que o mercado global de carbono exibiu pela primeira vez uma retração, caindo 1,4% para US$ 142 bilhões em 2010, em virtude das incertezas sobre o futuro do Protocolo de Quioto, chega a informação de que aconteceu justamente o contrário no mercado voluntário, que registrou no ano passado um volume recorde de negociações.
De acordo com o relatório “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” (De Volta para o Futuro: Estado e Tendências dos Mercados de Carbono Voluntário 2011), publicado nesta quinta-feira (2) pela Ecosystem Marketplace e Bloomberg New Energy Finance, o mercado voluntário atingiu em 2010 o volume recorde de 131 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e), sendo estimado em US$ 424 milhões.
“Este grande volume reflete o crescimento da responsabilidade social corporativa com relação às mudanças climáticas. Além disso, é um sinal da força do mercado, que conseguiu ficar praticamente imune à turbulência gerada pela estagnação da legislação climática nos Estados Unidos”, explicou Katherine Hamilton, diretora gerente da Ecosystem Marketplace.
O relatório registrou também um aumento na demanda por créditos do mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD), que foram responsáveis por 29% de todos os cortes nas emissões relacionados ao mercado voluntário. Essa maior procura seria consequência das novas metodologias publicadas pelo Verified Carbon Standard (VCS), que responde por um terço dos créditos documentados em 2010.
Com relação à distribuição geográfica dos projetos, a América do Norte segue predominando com 35%, desses, 94% estão nos Estados Unidos. A América Latina aparece em segundo com 28%, tendo mais que dobrado o volume de transações relacionadas aos créditos florestais em países com o Brasil e Peru.
A Ásia está em terceiro com 17%, destaque para os projetos indianos de energia hidroelétrica. Essa região é a mais dependente do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), apesar da China estar começando programas piloto para estabelecer sua própria plataforma de mercado.
“Como nos anos anteriores, os Estados Unidos continuam como o epicentro do mercado voluntário de carbono, fornecendo e comprando mais de um terço dos créditos. Porém, com a chance de criação de uma legislação federal para as mudanças climáticas sendo praticamente nula, a parcela norte-americana no mercado já caiu com relação a anos anteriores dando espaço para o crescimento da América Latina e seus créditos florestais”, afirmou Milo Sjardin, analista chefe da Bloomberg New Energy Finance para os EUA.
Oportunidades
De uma forma geral, o relatório apresenta uma boa expectativa para o desempenho do mercado voluntário neste ano. A tendência é que a ferramenta continue amadurecendo e com a melhora da economia mundial a demanda por créditos siga em alta. Existe a previsão de que um novo recorde seja alcançado em 2011, com a negociação de 213 MtCO2e.
Seguindo esse ritmo, em cinco anos o mercado atingiria 406 MtCO2e. Porém, o número de projetos que estão em fase de aprovação até 2015 não conseguiria fornecer essa quantidade de créditos, o que sugere que existe um grande espaço a ser explorado por novos desenvolvedores.
O surgimento e a capacidade desses empreendedores é o que deve realmente determinar o tamanho que o mercado voluntário poderá alcançar nos próximos anos.
Os autores do “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” concluem que o “mercado voluntário conseguiu superar as dificuldades políticas e econômicas utilizando o mantra ‘O que não nos mata, nos torna mais fortes’. Assim, apostando na iniciativa privada e na vontade dos consumidores de contribuir na luta contra as mudanças climáticas, o mercado conseguiu construir parcerias e alianças que são dinâmicas e flexíveis, suportando melhor os momentos de crise”.
fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=727702
Mercado voluntário tem ano recorde com 131 MtCO2e
03/06/2011 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Ecosystem Marketplace
Maior interesse da iniciativa privada em ações de responsabilidade ambiental e novas metodologias para o carbono florestal fizeram que o mecanismo registrasse um crescimento de 34% do volume de negócios em 2010
Poucos dias após a divulgação de que o mercado global de carbono exibiu pela primeira vez uma retração, caindo 1,4% para US$ 142 bilhões em 2010, em virtude das incertezas sobre o futuro do Protocolo de Quioto, chega a informação de que aconteceu justamente o contrário no mercado voluntário, que registrou no ano passado um volume recorde de negociações.
De acordo com o relatório “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” (De Volta para o Futuro: Estado e Tendências dos Mercados de Carbono Voluntário 2011), publicado nesta quinta-feira (2) pela Ecosystem Marketplace e Bloomberg New Energy Finance, o mercado voluntário atingiu em 2010 o volume recorde de 131 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e), sendo estimado em US$ 424 milhões.
“Este grande volume reflete o crescimento da responsabilidade social corporativa com relação às mudanças climáticas. Além disso, é um sinal da força do mercado, que conseguiu ficar praticamente imune à turbulência gerada pela estagnação da legislação climática nos Estados Unidos”, explicou Katherine Hamilton, diretora gerente da Ecosystem Marketplace.
O relatório registrou também um aumento na demanda por créditos do mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD), que foram responsáveis por 29% de todos os cortes nas emissões relacionados ao mercado voluntário. Essa maior procura seria consequência das novas metodologias publicadas pelo Verified Carbon Standard (VCS), que responde por um terço dos créditos documentados em 2010.
Com relação à distribuição geográfica dos projetos, a América do Norte segue predominando com 35%, desses, 94% estão nos Estados Unidos. A América Latina aparece em segundo com 28%, tendo mais que dobrado o volume de transações relacionadas aos créditos florestais em países com o Brasil e Peru.
A Ásia está em terceiro com 17%, destaque para os projetos indianos de energia hidroelétrica. Essa região é a mais dependente do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), apesar da China estar começando programas piloto para estabelecer sua própria plataforma de mercado.
“Como nos anos anteriores, os Estados Unidos continuam como o epicentro do mercado voluntário de carbono, fornecendo e comprando mais de um terço dos créditos. Porém, com a chance de criação de uma legislação federal para as mudanças climáticas sendo praticamente nula, a parcela norte-americana no mercado já caiu com relação a anos anteriores dando espaço para o crescimento da América Latina e seus créditos florestais”, afirmou Milo Sjardin, analista chefe da Bloomberg New Energy Finance para os EUA.
Oportunidades
De uma forma geral, o relatório apresenta uma boa expectativa para o desempenho do mercado voluntário neste ano. A tendência é que a ferramenta continue amadurecendo e com a melhora da economia mundial a demanda por créditos siga em alta. Existe a previsão de que um novo recorde seja alcançado em 2011, com a negociação de 213 MtCO2e.
Seguindo esse ritmo, em cinco anos o mercado atingiria 406 MtCO2e. Porém, o número de projetos que estão em fase de aprovação até 2015 não conseguiria fornecer essa quantidade de créditos, o que sugere que existe um grande espaço a ser explorado por novos desenvolvedores.
O surgimento e a capacidade desses empreendedores é o que deve realmente determinar o tamanho que o mercado voluntário poderá alcançar nos próximos anos.
Os autores do “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” concluem que o “mercado voluntário conseguiu superar as dificuldades políticas e econômicas utilizando o mantra ‘O que não nos mata, nos torna mais fortes’. Assim, apostando na iniciativa privada e na vontade dos consumidores de contribuir na luta contra as mudanças climáticas, o mercado conseguiu construir parcerias e alianças que são dinâmicas e flexíveis, suportando melhor os momentos de crise”.
fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=727702
Mercado do Carbono
O Homem lança mais de 35,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano* na atmosfera, o principal gás causador do aquecimento global. Para diminuir estes números, foram criados projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa.
Estes projetos, após serem avaliados segundo metodologias aprovadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), podem gerar créditos de carbono e serem utilizados por países desenvolvidos integrantes do Anexo 1 do Protocolo de Quioto para alcançar suas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa. O Protocolo de Quioto institui o mercado de carbono como um dos mecanismos para reduzir os custos no corte das emissões, assim como o Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Implementação Conjunta.
O mercado de carbono também existe fora do contexto de Quioto, com vários programas voluntários de redução das emissões, como os dos Estados Unidos. O mercado voluntário abre as portas para a inovação, já que não tem muitas regras pré-estabelecidas como no Protocolo de Quioto, e para projetos de menor escala que seriam inviáveis sob Quioto.
As negociações são guiadas pelas regras comuns de mercado, podendo ser efetuadas em bolsas, através de intermediários ou diretamente entre as partes interessadas. A convenção para a transação dos créditos é o CO2 equivalente.
Atualmente o comércio de crédito de carbono está movimentando a economia de grandes países. O Brasil, que já ocupou o primeiro lugar no ranking dos principais produtores de projetos, acabou perdendo o lugar para a China e a Índia. Esses dois países em conjunto com a Austrália, Coréia do Sul e Japão produzem quase metade dos gases causadores do aquecimento global. Segundo especialistas, o potencial brasileiro é muito grande, existindo uma grande expectativa nesse novo mercado.
Em 2010, o mercado global de carbono apresentou pela primeira vez uma retração, sendo que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está agora no seu nível mais baixo desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto
O relatório anual do Banco Mundial, ‘Estado e Tendências do Mercado de Carbono’, lançado durante a feira Carbon Expo na Espanha, demonstra que 2010 foi um divisor de águas.
O mercado global de carbono mostrou sinais de fraqueza em meio às incertezas sobre o período pós 2012, quando termina o período de compromisso sob o Protocolo de Quioto, colocando fim ao crescimento anual robusto dos últimos cinco anos. Seu valor total caiu 1,4% para US$ 142 bilhões.
Além da falta de clareza, o banco cita como motivo da queda a perda de ímpeto político na criação de novos esquemas de ‘cap and trade’ em vários países desenvolvidos. A redução nas emissões de dióxido de carbono (CO2) devido à crise econômica, também ajudou os países no cumprimento de suas metas e reduziu a demanda por créditos de carbono.
O mercado primário de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), onde o proprietário original do crédito é que está vendendo as RCEs geradas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), caiu quase pela metade por várias razões, incluindo a baixa demanda e a competição com outros ativos mais previsíveis (Assigned Amount Units e RCEs secundárias, ou seja, nas quais o vendedor não é o proprietário original do ativo).
Os créditos de redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD) também foram privilegiados pelo mercado, com 16,7 milhões de créditos transacionais em comparação com 2,8 milhões em 2009.
O mercado de MDL está agora no seu ponto mais baixo desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto em 2005, tendo retraído 46% para cerca de US$ 1,5 bilhões dos US$ 2,7 bilhões de 2009. Porém, cumulativamente, as transações primárias de créditos de compensação (como as RCEs e ERUs) alcançaram quase US$ 30 bilhões desde 2005.
“O mercado global de carbono está em uma encruzilhada. Se pegarmos o caminho errado, arriscamos perder bilhões em investimentos privados de menor custo e novas soluções tecnológicas nos países em desenvolvimento”, comentou o enviado especial para mudanças climáticas do Banco Mundial, Andre Steer.
As permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês), continuaram sendo o maior segmento do mercado de carbono, com 84% do valor total. Levando em conta as transações secundárias do MDL, o valor do esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS) alcançou 97% do valor total do mercado, ou US$ 119,8 bilhões, subindo 1% em relação ao ano anterior.
Fragmentação
Apesar de algumas oportunidades de fortalecimento das regras nos países desenvolvidos terem sido perdidas em 2010, como nos Estados Unidos, Austrália e Japão, iniciativas nacionais e locais ofereceram esperança, enfatiza o relatório.
"Estas iniciativas indicam que de uma forma ou de outra, soluções para lidar com o desafio climático emergirão", ressalta o relatório.
A mais proeminente destas ações é o esquema de 'cap and trade' da Califórnia, que deve iniciar em 2012. Outras iniciativas incluem metas domésticas de redução das emissões, programas para certificados de energia limpas, programas de compensação de emissões voluntários ou compulsórios e bolsas de carbono que têm ganhado ímpeto em economias em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia e México.
“O crescimento do mercado de carbono parou em uma hora especialmente inoportuna: 2010 se mostrou como o ano mais quente já registrado, enquanto os níveis globais de emissão continuaram a crescer implacávelmente”, lamentou o especialista sênior do Banco Mundial Alexandre Kossoy.
Os mercados de balcão no cenário voluntário do mercado de carbono apresentaram um aumento de 10% nos valores para US$ 393,5 milhões e 28% nos volumes em 2010. A atividade neste segmento aumentou, porém os volumes ainda equivalem a apenas 0,3% do mercado global, segundo o relatório.
O crescimento do mercado voluntário é atribuído pelo relatório à explosão de 500% na fatia de mercado de projetos de REDD devido ao seu reconhecimento formal no âmbito internacional e aprovação de metodologias importantes para os projetos.
O mercado que mais tinha crescido em 2009, a Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI, em inglês), viu seus ganhos anulados em 2010. A RGGI continua com problemas de superalocação de permissões de emissão, ou seja, os limites são muito superiores às emissões reais.
A expectativa é que, se nada mudar, a iniciativa continue com excesso de permissões até 2018. Além disso, a motivação para a implantação de um esquema 'cap and trade' no cenário federal norte-americano foi arrasada em 2010, ao contrário das enormes expectativas em 2009.
Previsões
Os autores do relatório estimam que após 2012, a demanda por reduções de emissão pode alcançar 3 bilhões de toneladas, porém a única demanda substancial e incondicional será dos governos europeus, em torno de 1,7 bilhões de toneladas.
A oferta disponível entre 2013 e 2020, através dos projetos existentes, é tida como suficiente para atender esta demanda, restando poucos incentivos para os desenvolvedores de projetos investirem mais e criarem uma oferta futura de reduções de emissão.
Entretanto, o panorama pós 2012 "é complexo e depende da probabilidade de comprometimento das grandes economias e dos mecanismos adotados nos níveis internacional e doméstico para cumprir estes compromissos", portanto os cenários usados pelo relatório se basearam em pesquisas sobre o sentimento dos participantes do mercado e iniciativas específicas de países e regiões.
O Banco Mundial patrocina algumas iniciativas que visam dar credibilidade ao mercado pós 2012, como a Parceria para Preparação de Mercados, vários fundos de carbono e para dar suporte à mitigação nos países menos desenvolvidos. A visão do banco é que os mercados de carbono são uma importante ferramenta para incentivar a transição para uma economia de baixo carbono.
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mercado_de_carbono/p=1
Estes projetos, após serem avaliados segundo metodologias aprovadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), podem gerar créditos de carbono e serem utilizados por países desenvolvidos integrantes do Anexo 1 do Protocolo de Quioto para alcançar suas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa. O Protocolo de Quioto institui o mercado de carbono como um dos mecanismos para reduzir os custos no corte das emissões, assim como o Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Implementação Conjunta.
O mercado de carbono também existe fora do contexto de Quioto, com vários programas voluntários de redução das emissões, como os dos Estados Unidos. O mercado voluntário abre as portas para a inovação, já que não tem muitas regras pré-estabelecidas como no Protocolo de Quioto, e para projetos de menor escala que seriam inviáveis sob Quioto.
As negociações são guiadas pelas regras comuns de mercado, podendo ser efetuadas em bolsas, através de intermediários ou diretamente entre as partes interessadas. A convenção para a transação dos créditos é o CO2 equivalente.
Atualmente o comércio de crédito de carbono está movimentando a economia de grandes países. O Brasil, que já ocupou o primeiro lugar no ranking dos principais produtores de projetos, acabou perdendo o lugar para a China e a Índia. Esses dois países em conjunto com a Austrália, Coréia do Sul e Japão produzem quase metade dos gases causadores do aquecimento global. Segundo especialistas, o potencial brasileiro é muito grande, existindo uma grande expectativa nesse novo mercado.
Em 2010, o mercado global de carbono apresentou pela primeira vez uma retração, sendo que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está agora no seu nível mais baixo desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto
O relatório anual do Banco Mundial, ‘Estado e Tendências do Mercado de Carbono’, lançado durante a feira Carbon Expo na Espanha, demonstra que 2010 foi um divisor de águas.
O mercado global de carbono mostrou sinais de fraqueza em meio às incertezas sobre o período pós 2012, quando termina o período de compromisso sob o Protocolo de Quioto, colocando fim ao crescimento anual robusto dos últimos cinco anos. Seu valor total caiu 1,4% para US$ 142 bilhões.
Além da falta de clareza, o banco cita como motivo da queda a perda de ímpeto político na criação de novos esquemas de ‘cap and trade’ em vários países desenvolvidos. A redução nas emissões de dióxido de carbono (CO2) devido à crise econômica, também ajudou os países no cumprimento de suas metas e reduziu a demanda por créditos de carbono.
O mercado primário de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), onde o proprietário original do crédito é que está vendendo as RCEs geradas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), caiu quase pela metade por várias razões, incluindo a baixa demanda e a competição com outros ativos mais previsíveis (Assigned Amount Units e RCEs secundárias, ou seja, nas quais o vendedor não é o proprietário original do ativo).
Os créditos de redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD) também foram privilegiados pelo mercado, com 16,7 milhões de créditos transacionais em comparação com 2,8 milhões em 2009.
O mercado de MDL está agora no seu ponto mais baixo desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto em 2005, tendo retraído 46% para cerca de US$ 1,5 bilhões dos US$ 2,7 bilhões de 2009. Porém, cumulativamente, as transações primárias de créditos de compensação (como as RCEs e ERUs) alcançaram quase US$ 30 bilhões desde 2005.
“O mercado global de carbono está em uma encruzilhada. Se pegarmos o caminho errado, arriscamos perder bilhões em investimentos privados de menor custo e novas soluções tecnológicas nos países em desenvolvimento”, comentou o enviado especial para mudanças climáticas do Banco Mundial, Andre Steer.
As permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês), continuaram sendo o maior segmento do mercado de carbono, com 84% do valor total. Levando em conta as transações secundárias do MDL, o valor do esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS) alcançou 97% do valor total do mercado, ou US$ 119,8 bilhões, subindo 1% em relação ao ano anterior.
Fragmentação
Apesar de algumas oportunidades de fortalecimento das regras nos países desenvolvidos terem sido perdidas em 2010, como nos Estados Unidos, Austrália e Japão, iniciativas nacionais e locais ofereceram esperança, enfatiza o relatório.
"Estas iniciativas indicam que de uma forma ou de outra, soluções para lidar com o desafio climático emergirão", ressalta o relatório.
A mais proeminente destas ações é o esquema de 'cap and trade' da Califórnia, que deve iniciar em 2012. Outras iniciativas incluem metas domésticas de redução das emissões, programas para certificados de energia limpas, programas de compensação de emissões voluntários ou compulsórios e bolsas de carbono que têm ganhado ímpeto em economias em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia e México.
“O crescimento do mercado de carbono parou em uma hora especialmente inoportuna: 2010 se mostrou como o ano mais quente já registrado, enquanto os níveis globais de emissão continuaram a crescer implacávelmente”, lamentou o especialista sênior do Banco Mundial Alexandre Kossoy.
Os mercados de balcão no cenário voluntário do mercado de carbono apresentaram um aumento de 10% nos valores para US$ 393,5 milhões e 28% nos volumes em 2010. A atividade neste segmento aumentou, porém os volumes ainda equivalem a apenas 0,3% do mercado global, segundo o relatório.
O crescimento do mercado voluntário é atribuído pelo relatório à explosão de 500% na fatia de mercado de projetos de REDD devido ao seu reconhecimento formal no âmbito internacional e aprovação de metodologias importantes para os projetos.
O mercado que mais tinha crescido em 2009, a Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI, em inglês), viu seus ganhos anulados em 2010. A RGGI continua com problemas de superalocação de permissões de emissão, ou seja, os limites são muito superiores às emissões reais.
A expectativa é que, se nada mudar, a iniciativa continue com excesso de permissões até 2018. Além disso, a motivação para a implantação de um esquema 'cap and trade' no cenário federal norte-americano foi arrasada em 2010, ao contrário das enormes expectativas em 2009.
Previsões
Os autores do relatório estimam que após 2012, a demanda por reduções de emissão pode alcançar 3 bilhões de toneladas, porém a única demanda substancial e incondicional será dos governos europeus, em torno de 1,7 bilhões de toneladas.
A oferta disponível entre 2013 e 2020, através dos projetos existentes, é tida como suficiente para atender esta demanda, restando poucos incentivos para os desenvolvedores de projetos investirem mais e criarem uma oferta futura de reduções de emissão.
Entretanto, o panorama pós 2012 "é complexo e depende da probabilidade de comprometimento das grandes economias e dos mecanismos adotados nos níveis internacional e doméstico para cumprir estes compromissos", portanto os cenários usados pelo relatório se basearam em pesquisas sobre o sentimento dos participantes do mercado e iniciativas específicas de países e regiões.
O Banco Mundial patrocina algumas iniciativas que visam dar credibilidade ao mercado pós 2012, como a Parceria para Preparação de Mercados, vários fundos de carbono e para dar suporte à mitigação nos países menos desenvolvidos. A visão do banco é que os mercados de carbono são uma importante ferramenta para incentivar a transição para uma economia de baixo carbono.
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mercado_de_carbono/p=1
COP 17 - preânbulos
Como era de se esperar, a proximidade da COP17, que começa no próximo dia 28, está servindo de estímulo para a divulgação de vários estudos sobre as emissões de gases do efeito estufa (GEEs).
No mais recente deles, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) alertou que a concentração de GEEs na atmosfera cresceu 2% entre 2009 e 2010. Desde 1990, a concentração desses gases subiu 29%.
O nível de CO2 chegou a 389 partes por milhão (ppm), contra 386ppm no ano anterior. Antes da Revolução industrial, no fim do século XIX, a concentração de CO2 era de apenas 280ppm. A taxa média de crescimento do CO2 foi de 1,68ppm anuais nos últimos 31 anos, sendo que esse ritmo vem se acelerando. Em 1995, a taxa estava em 1,43ppm e já no ano seguinte passou para 1,94ppm.
Para piorar, um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que se quisermos evitar que a temperatura da Terra não ultrapasse os dois graus Celsius de aumento que os cientistas estipularam como sendo o limite para evitar consequências climáticas mais graves, teremos que reduzir as emissões drasticamente já em 2017. Segundo a AIE, a partir dessa data ficaria impossível evitar os piores efeitos do aquecimento global, como desastres climáticos mais intensos e frequentes.
O problema é que se não foi possível realizar ações concretas de redução de emissões na COP15, em Copenhague em 2009, quando a atenção mundial estava muito mais focada nas mudanças climáticas, nem na COP16, em Cancun no ano passado, quando não havia a sombra de uma crise econômica atrapalhando as negociações, como é que podemos ter esperança para a COP17, em Durban?
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/news.php?ev=638&k1=f2e5a4888ef05a09470e97861438bd1d&k2=b12ace28caeded447a59ec58c7384fce&s=sergioguterres@gmail.com&act=show
Reportagens CarbonoBrasil
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
AUSTRÁLIA E SEU MERCADO DO CARBONO
Finalmente, depois de mais de dez anos de debates, a Austrália aprovou o pacote de leis que criam a sua tão prometida taxa sobre emissões de gases do efeito estufa e que lançam a plataforma inicial para o estabelecimento de um mercado de carbono.
O país começará a cobrar A$ 23 (R$ 41,79) por tonelada de carbono dos seus 500 maiores emissores a partir de julho do ano que vem. Depois, em 2015, o preço será flutuante e sujeito às necessidades do mercado, sendo que o governo controlará a quantidade de permissões disponíveis assim como um valor mínimo e máximo para elas.
A notícia, apesar de criticada pela oposição e por entidades industriais australianas, foi muito bem recebida por analistas internacionais, que acreditam que ela pode trazer um fôlego novo para as estagnadas negociações climáticas da ONU.
A aprovação chega também em boa hora para balancear dados ruins sobre o crescimento das emissões mundiais.
Primeiro foi o Departamento de Energia dos Estados Unidos que afirmou que as emissões globais de dióxido de carbono subiram 6% no último ano, atingindo o mais alto nível já registrado. Depois veio a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), que revelou que a intensidade global de carbono – nível de emissões de CO2 por unidade de produção – voltou a subir depois de dez anos, ultrapassando o crescimento do PIB mundial.
Espera-se que a ‘taxa de carbono’ da Austrália ajude a mudar um pouco esse panorama e que sirva de exemplo para outras nações.
Boa semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil.
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/news.php?ev=634&k1=9b4e0eb1a73ed8d833047a5e44c2139f&k2=b12ace28caeded447a59ec58c7384fce&s=sergioguterres@gmail.com&act=show
sábado, 5 de novembro de 2011
VIVEIROS NO RIO DE JANEIRO
RJ: Viveiros de mudas de Mata Atlântica produzem metade do que podem
Publicado em dezembro 30, 2010 por HC
Tags: reflorestamento de áreas degradadas
Um estudo que acaba de ser concluído mostra que a indústria da restauração florestal do Estado do Rio funciona de maneira precária, quase uma abstração em comparação com a situação de estados vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais. Os 92 municípios fluminenses contam hoje com 70 viveiros de mudas de Mata Atlântica que produzem metade do que poderiam -cerca de 5 milhões de mudas anuais, quando a capacidade instalada é de 10 milhões. E para que o Rio cumpra a meta de plantar 24 milhões de mudas até os Jogos de 2016, seriam necessários investimentos de R$ 22 milhões por ano na cadeia produtiva do reflorestamento, segundo levantamento da ONG Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA). Reportagem em O Globo.
Estas são algumas das informações que têm como base o documento recém-concluído “Diagnóstico da rede de viveiros e coletores de sementes do Estado do Rio de Janeiro”, uma realização da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), do Instituto Terra, do Instituto Bio Atlântica (IBio) e da Flora Jr., empresa que presta serviços de consultoria, ligada à Universidade Federal Rural Fluminense (UFRRJ). Durante dois meses, engenheiros florestais e técnicos ambientais percorreram todo o estado com o objetivo de mapear a situação dos viveiros. O resultado não foi animador. O documento deve estar à disposição do público em breve, no site da secretaria.
É na hora de transformar a escassa produção em plantio que a fragilidade da cadeia verde fica evidente: foram plantadas 1,1 milhão de mudas no estado em 2010, de acordo com o Programa Contador de Árvores da Mata Atlântica, uma parceria entre a Secretaria do Ambiente e o Instituto Terra. A conta é tão simples quanto dramática: se o estado seguir nesse ritmo de plantar cerca de 1 milhão de mudas por ano, será impossível cumprir a meta de 24 milhões nos próximos seis anos. O Contador de Árvores trabalha com base em formulários que são enviados para prefeituras, empresas e ONGs, que assinam e se comprometem com a veracidade do dado de plantio apresentado.
Secretário executivo do Instituto Terra, Maurício Ruiz acredita que,para além da questão quantitativa, o maior desafio é aumentar a biodiversidade das espécies produzidas nos viveiros flumineses. Com uma cadeia mais estruturada, ele acredita, o preço médio das mudas deve despencar. No Rio, mostra o diagnóstico, o custo de restauração por hectare é mais elevado do que em São Paulo, por exemplo. O relatório informa ainda que uma muda no Rio custa, em média, R$ 1,70. A mesma muda sai por R$ 0,80 em São Paulo.
- Há uma má distribuição e falta de biodiversidade de mudas. Só um viveiro, da Biovert, em Silva Jardim, tem capacidade para 3 milhões de mudas por ano, respondendo por mais da metade da produção estadual. Só que o empreendimento não tem o perfil de restauração, produz mais para finalidades paisagísticas – ressalta Ruiz. – Temos uma demanda muito maior que a oferta. E uma oferta de baixa qualidade – resume.
Para Ruiz, o mercado de restauração florestal precisa se estruturar com mais rapidez. Ele elogia a posição dos atuais do-nos de viveiros de mudas:
- Uma mudança de paradigma vai demandar um planejamento muito grande e investimentos pesados. Os R$ 22 milhões anuais são um cálculo nosso, com base na demanda por hectare. Mas tudo depende de vontade política. O estado e as prefeituras têm de investir mais em restauração florestal. Os atuais produtores fazem quase que um milagre diante da falta de informações e incentivo.
O engenheiro ambiental Beto Mesquita, diretor-executivo do IBio, concorda que o maior gargalo ambiental fluminense está na falta diversidade e qualidade de mudas.
- Não adianta um viveiro ter 70 ou 80 espécies diferentes se 60% destas mudas forem de um mesmo grupo.
Também precisamos evoluir no controle fitossanitário das mudas. Todos os cuidados no plantio não significarão nada se trabalharmos com mudas doentes ou com estado nutricional debilitado – ob-serva Mesquita. O estudo mostra que, em média, um viveiro produz 30 espécies de mudas diferentes, quando o ideal é entre 50 e 70.
Outra questão preocupante: apenas cinco dos 70 hortos contam com o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), conferido pelo Ministério da Agricultura. São eles:
Biovert Florestal Agrícola LTDA (Silva Jardim); Mudas Katsumoto (Petrópolis); Rio Mudas (Cachoeira de Macacu); Fazenda Queira Deus (Miracema); e Viveiro Ita Mudas (Bom Jesus de Itabapoana). Nas visitas as hortos, os fiscais detectaram que muitos donos sequer conheciam a lei federal de sementes, que estabelece a obrigatoriedade do registro.
A colheita de sementes, acrescenta o diagnóstico,é concentrada em alguns fragmentos de Mata Atlântica e comprada de outros estados. Por trás dessa questão está um problema de difícil solução: setores do ambientalismo defendem que as unidades de conservação de preservação integral são intocáveis, não podendo coexistir com a presença humana. E essas áreas não podem ser desprezadas, uma vez que abrigam as sementes e espécies de maior qualidade.
- Existem no Rio unidades de conservação integral onde não pode haver coleta de sementes. Há normas legais que impedem. Sou contrária a essa proibição – diz a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos.
De acordo com a secretária, que deve assumir a presidência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) com a volta de Carlos Minc ao comando da SEA, o trabalho recém-concluído é um preparatório para o planejamento de como o Rio conseguirá cumprir a meta olímpica. Segundo ela, dinheiro não será problema: o governo já tem à disposição mais de R$ 200 milhões, vindos de empreendimentos com obrigações de compensações ambientais. Além disso, o Fundo Mata Atlântica, criado no início do ano pelo governo estadual, dispõe de R$ 37 milhões.
- O diagnóstico mostrou que temos um número razoável de hortos, mas a grande parte deles tem problemas sérios de estrutura e baixa qualidade de produção. O inventário jogou luz sobre uma série de entraves burocráticos e legais que temos – afirma Marilene. -Os nossos cinco hortos estaduais têm uma capacidade de produção baixa, de 500 mil mudas por ano. A ideia é que eles produzam, ao fim de 2011, 4 milhões de mudas/ano. Estamos trabalhando para isso.
Marilene Ramos critica o que chama de “sistema de regulamentação extremamente burocrático”, ao se referir ao baixo número de viveiros registrados pelo governo federal.
- Temos que remover esse entulho burocrático -diz. – Há muito a ser feito,mas esse mapeamento é o pontapé inicial.
A bióloga Alba Simon, que reassume a Superintendência de Biodiversidade da SEA em janeiro, alerta que é preciso formatar uma política ampla, que abarque todos os setores da cadeia produtiva das mudas:
-Hoje o estado do Rio tem uma demanda absurda por reflorestamento. O gargalo só vai ser resolvido quando houver uma política florestal de fato, que pense a cadeia como um todo. Desde a capacitação de coletores de mudas até a estruturação dos viveiros. Enquanto pensarmos em setores isolados, não vai funcionar – afirma Alba, acrescentando que o Rio prepara seu próprio inventário florestal.
fonte:http://www.ecodebate.com.br/2010/12/30/rj-viveiros-de-mudas-de-mata-atlantica-produzem-metade-do-que-podem/
EcoDebate, 30/12/2010
Publicado em dezembro 30, 2010 por HC
Tags: reflorestamento de áreas degradadas
Um estudo que acaba de ser concluído mostra que a indústria da restauração florestal do Estado do Rio funciona de maneira precária, quase uma abstração em comparação com a situação de estados vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais. Os 92 municípios fluminenses contam hoje com 70 viveiros de mudas de Mata Atlântica que produzem metade do que poderiam -cerca de 5 milhões de mudas anuais, quando a capacidade instalada é de 10 milhões. E para que o Rio cumpra a meta de plantar 24 milhões de mudas até os Jogos de 2016, seriam necessários investimentos de R$ 22 milhões por ano na cadeia produtiva do reflorestamento, segundo levantamento da ONG Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA). Reportagem em O Globo.
Estas são algumas das informações que têm como base o documento recém-concluído “Diagnóstico da rede de viveiros e coletores de sementes do Estado do Rio de Janeiro”, uma realização da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), do Instituto Terra, do Instituto Bio Atlântica (IBio) e da Flora Jr., empresa que presta serviços de consultoria, ligada à Universidade Federal Rural Fluminense (UFRRJ). Durante dois meses, engenheiros florestais e técnicos ambientais percorreram todo o estado com o objetivo de mapear a situação dos viveiros. O resultado não foi animador. O documento deve estar à disposição do público em breve, no site da secretaria.
É na hora de transformar a escassa produção em plantio que a fragilidade da cadeia verde fica evidente: foram plantadas 1,1 milhão de mudas no estado em 2010, de acordo com o Programa Contador de Árvores da Mata Atlântica, uma parceria entre a Secretaria do Ambiente e o Instituto Terra. A conta é tão simples quanto dramática: se o estado seguir nesse ritmo de plantar cerca de 1 milhão de mudas por ano, será impossível cumprir a meta de 24 milhões nos próximos seis anos. O Contador de Árvores trabalha com base em formulários que são enviados para prefeituras, empresas e ONGs, que assinam e se comprometem com a veracidade do dado de plantio apresentado.
Secretário executivo do Instituto Terra, Maurício Ruiz acredita que,para além da questão quantitativa, o maior desafio é aumentar a biodiversidade das espécies produzidas nos viveiros flumineses. Com uma cadeia mais estruturada, ele acredita, o preço médio das mudas deve despencar. No Rio, mostra o diagnóstico, o custo de restauração por hectare é mais elevado do que em São Paulo, por exemplo. O relatório informa ainda que uma muda no Rio custa, em média, R$ 1,70. A mesma muda sai por R$ 0,80 em São Paulo.
- Há uma má distribuição e falta de biodiversidade de mudas. Só um viveiro, da Biovert, em Silva Jardim, tem capacidade para 3 milhões de mudas por ano, respondendo por mais da metade da produção estadual. Só que o empreendimento não tem o perfil de restauração, produz mais para finalidades paisagísticas – ressalta Ruiz. – Temos uma demanda muito maior que a oferta. E uma oferta de baixa qualidade – resume.
Para Ruiz, o mercado de restauração florestal precisa se estruturar com mais rapidez. Ele elogia a posição dos atuais do-nos de viveiros de mudas:
- Uma mudança de paradigma vai demandar um planejamento muito grande e investimentos pesados. Os R$ 22 milhões anuais são um cálculo nosso, com base na demanda por hectare. Mas tudo depende de vontade política. O estado e as prefeituras têm de investir mais em restauração florestal. Os atuais produtores fazem quase que um milagre diante da falta de informações e incentivo.
O engenheiro ambiental Beto Mesquita, diretor-executivo do IBio, concorda que o maior gargalo ambiental fluminense está na falta diversidade e qualidade de mudas.
- Não adianta um viveiro ter 70 ou 80 espécies diferentes se 60% destas mudas forem de um mesmo grupo.
Também precisamos evoluir no controle fitossanitário das mudas. Todos os cuidados no plantio não significarão nada se trabalharmos com mudas doentes ou com estado nutricional debilitado – ob-serva Mesquita. O estudo mostra que, em média, um viveiro produz 30 espécies de mudas diferentes, quando o ideal é entre 50 e 70.
Outra questão preocupante: apenas cinco dos 70 hortos contam com o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), conferido pelo Ministério da Agricultura. São eles:
Biovert Florestal Agrícola LTDA (Silva Jardim); Mudas Katsumoto (Petrópolis); Rio Mudas (Cachoeira de Macacu); Fazenda Queira Deus (Miracema); e Viveiro Ita Mudas (Bom Jesus de Itabapoana). Nas visitas as hortos, os fiscais detectaram que muitos donos sequer conheciam a lei federal de sementes, que estabelece a obrigatoriedade do registro.
A colheita de sementes, acrescenta o diagnóstico,é concentrada em alguns fragmentos de Mata Atlântica e comprada de outros estados. Por trás dessa questão está um problema de difícil solução: setores do ambientalismo defendem que as unidades de conservação de preservação integral são intocáveis, não podendo coexistir com a presença humana. E essas áreas não podem ser desprezadas, uma vez que abrigam as sementes e espécies de maior qualidade.
- Existem no Rio unidades de conservação integral onde não pode haver coleta de sementes. Há normas legais que impedem. Sou contrária a essa proibição – diz a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos.
De acordo com a secretária, que deve assumir a presidência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) com a volta de Carlos Minc ao comando da SEA, o trabalho recém-concluído é um preparatório para o planejamento de como o Rio conseguirá cumprir a meta olímpica. Segundo ela, dinheiro não será problema: o governo já tem à disposição mais de R$ 200 milhões, vindos de empreendimentos com obrigações de compensações ambientais. Além disso, o Fundo Mata Atlântica, criado no início do ano pelo governo estadual, dispõe de R$ 37 milhões.
- O diagnóstico mostrou que temos um número razoável de hortos, mas a grande parte deles tem problemas sérios de estrutura e baixa qualidade de produção. O inventário jogou luz sobre uma série de entraves burocráticos e legais que temos – afirma Marilene. -Os nossos cinco hortos estaduais têm uma capacidade de produção baixa, de 500 mil mudas por ano. A ideia é que eles produzam, ao fim de 2011, 4 milhões de mudas/ano. Estamos trabalhando para isso.
Marilene Ramos critica o que chama de “sistema de regulamentação extremamente burocrático”, ao se referir ao baixo número de viveiros registrados pelo governo federal.
- Temos que remover esse entulho burocrático -diz. – Há muito a ser feito,mas esse mapeamento é o pontapé inicial.
A bióloga Alba Simon, que reassume a Superintendência de Biodiversidade da SEA em janeiro, alerta que é preciso formatar uma política ampla, que abarque todos os setores da cadeia produtiva das mudas:
-Hoje o estado do Rio tem uma demanda absurda por reflorestamento. O gargalo só vai ser resolvido quando houver uma política florestal de fato, que pense a cadeia como um todo. Desde a capacitação de coletores de mudas até a estruturação dos viveiros. Enquanto pensarmos em setores isolados, não vai funcionar – afirma Alba, acrescentando que o Rio prepara seu próprio inventário florestal.
fonte:http://www.ecodebate.com.br/2010/12/30/rj-viveiros-de-mudas-de-mata-atlantica-produzem-metade-do-que-podem/
EcoDebate, 30/12/2010
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