sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FLORESTAS BRASILEIRAS - Oportunidade no Mercado de Carbono

Florestas brasileiras têm enorme potencial de produção
O Brasil é o segundo país com maior área de floresta no mundo e tem a maior área de floresta tropical contínua. Isso significa uma enorme responsabilidade na manutenção do clima global, afinal estoca uma grande quantidade de carbono em suas florestas, e um potencial considerável para exploração econômica de produtos das florestas, sejam elas plantadas ou nativas, tais como energia, papel e madeira.
Um estudo lançado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indica que o investimento em produção madeireira sustentável em florestas públicas pode ser a solução tanto para o crescimento econômico como para a conservação das nossas florestas.

O estudo Florestas Nativas de Produção Brasileiras - clique aqui para baixar - indica que a média da demanda por madeira proveniente de florestas nativas existente hoje exigiria uma área de 36 milhões de hectares em um ciclo de 30 anos. O estudo ainda ressalta que a produção em áreas particulares -- cada vez menor resultante de ações de fiscalização e controle - e em unidades de conservação de uso sustentável -- não é suficiente para suprir essa demanda.

Para os autores da pesquisa, a saída é aproveitar as florestas em áreas públicas tanto federais como estaduais que não tem destinação, ou seja, não tem um uso especifico definido, e transformá-las em florestas nacionais e estaduais, categorias de unidades de conservação onde é possível utilizar os recursos de maneira sustentável e com grande produtividade.

De acordo com o estudo, a Amazônia brasileira conta com cerca de 64 milhões de hectares de terras públicas não destinadas. Em uma análise de quanto dessa área poderia ser destinada à criação de florestas públicas -- excluindo áreas muito povoadas, menores de 15 hectares, proximidade de estradas e de áreas desmatadas -- chegou-se à conclusão que aproximadamente 40 milhões de hectares poderiam ser transformados em florestas públicas federais e estaduais com capacidade de produção madeireira a partir de manejo.

"Propiciar o acesso a fontes legais e sustentáveis de madeira é fundamental para o desenvolvimento de uma economia florestal forte, com escala de mercado, benefícios sociais e esforços de conservação", afirmou Paulo Moutinho, diretor executivo do Ipam.

Para o coordenador do programa Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, que participou da mesa de discussão do lançamento do estudo, esse trabalho é muito importante para trazer à tona a discussão do nosso potencial de produção madeireira em florestas públicas. "O Brasil tem uma enorme capacidade que não está sendo aproveitada. Além de destinar áreas para florestas públicas, é preciso permitir que as florestas que já existem cumpram seu papel. E para isso o país tem que ser mais efetivo em muitos aspectos, como por exemplo, nos processos de concessões para exploração da madeira nessas áreas", afirmou Armelin.

FONTE

WWF-Brasil

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ANÁLISE FINANCEIRA - Mercado 01/11 a 08/11/11

Análise Financeira
ruim regular bom ótimo excelente
O mercado de carbono entre 1 e 8 de novembro
08/11/2011 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil


O valor das permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês) caiu 9,6% na semana passada para € 9,42/t, pressionado pelo alto nível de venda dos créditos em meio a especulações sobre a relação da Grécia com a zona do Euro.

Na mesma linha, as Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) bateram novamente baixas recordes, fechando a sexta-feira (4) em € 6,50 nos contratos para dezembro de 2011, uma queda de 7,5%.

Na segunda-feira (7), as EUAs recuperaram 5,9%devido ao fortalecimento do complexo energético após terem aberto a sessão em € 9,35, menor valor registrado em 33 meses. Em 12 de fevereiro de 2009 o valor das EUAs chegou a € 8,05.

Sem perspectivas da resolução integral da crise da dívida nos países europeus, o panorama geral para a economia no bloco continua a deteriorar, sendo que os economistas da Barclays Capital reduziram as suas expectativas de crescimento do PIB para 2012, de 1% no início de outubro para 0,4%, e industrial para 2% (redução de 0,5%).

"Os mercados mais afetados serão aqueles com alta exposição ao setor industrial europeu, portanto energia, gás e carbono, todos serão impactados. Destes, o carbono na Europa provavelmente será o mais afetado obviamente com o mercado ainda mais longo (em 30-40 milhões de toneladas) e isto incentivará maiores vendas", explicaram analistas da BarCap.

“Vejo um risco de queda dos preços muito maior do que da outra vez”, comentou a analista de carbono do Deutsche Bank Isabelle Curien se referindo à crise econômica de 2009, que golpeou a demanda por créditos de carbono.

Para Emmanuel Fages do banco Societé Générale, as EUAs podem cair novamente para € 8."Se você quer um retorno em curto prazo, o carbono é muito arriscado", enfatizou.

"Não há questionamentos quanto a manutenção da oferta em demasia (de créditos) sob o ETS na segunda fase (2008-2012) e além desse período", disse à Reuters o diretor da Consultoria 70 Watt Kris Voorspools. "O carbono pode muito bem ficar na faixa inferior a € 10 por um longo tempo".


Este cenário apenas mudaria se houver uma reversão no conflituoso cenário político internacional, mas pode ser atenuado caso os planos da UE de inclusão do setor de aviação no ETS tenham sucesso.

Além das preocupações macroeconômicas, os preços estão sendo pressionados pela perspectiva do novo abastecimento de EUAs que entrará no mercado. Na sexta-feira, a comissária de mudanças climáticas da UE confirmou os planos de venda de 300 milhões de EUAs nos próximos dois anos.

MDL

Novembro promete ser um mês movimentado na emissão de RCEs, sendo que a primeira semana apresentou 11 milhões de créditos emitidos sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para 35 projetos.

Em outubro, a submissão de projetos sob o MDL foi novamente muito alta com 198 novos pedidos. A emissão mensal voltou aos níveis normais, com 13,9 milhões de RCEs emitidas. A estimativa do UNEP Risoe é que 1128 MRCEs estejam disponíveis até o final de 2012, com 759 milhões já emitidas. O MDL contém agora 7088 projetos em todas as fases até o registro e emissão.

É interessante notar que o MDL programático está crescendo exponencialmente, com 24 novos projetos em outubro, maior número já registrado. Alguns programas de atividades abrangem regiões inteiras e até mesmo o mundo, como no caso de um programa para purificação da água. Outros exemplos são o uso de fornos eficientes na áfrica ocidental, energia fotovoltáica na África do Sul e duas hidroelétricas a fio d'água na América central.

Fonte:http://www.institutocarbonobrasil.org.br/analise_financeira/noticia=728885

Mercado do Carbono - inventário 2010

Reportagens CarbonoBrasil
Mercado voluntário tem ano recorde com 131 MtCO2e
03/06/2011 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Ecosystem Marketplace
Maior interesse da iniciativa privada em ações de responsabilidade ambiental e novas metodologias para o carbono florestal fizeram que o mecanismo registrasse um crescimento de 34% do volume de negócios em 2010




Poucos dias após a divulgação de que o mercado global de carbono exibiu pela primeira vez uma retração, caindo 1,4% para US$ 142 bilhões em 2010, em virtude das incertezas sobre o futuro do Protocolo de Quioto, chega a informação de que aconteceu justamente o contrário no mercado voluntário, que registrou no ano passado um volume recorde de negociações.

De acordo com o relatório “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” (De Volta para o Futuro: Estado e Tendências dos Mercados de Carbono Voluntário 2011), publicado nesta quinta-feira (2) pela Ecosystem Marketplace e Bloomberg New Energy Finance, o mercado voluntário atingiu em 2010 o volume recorde de 131 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e), sendo estimado em US$ 424 milhões.

“Este grande volume reflete o crescimento da responsabilidade social corporativa com relação às mudanças climáticas. Além disso, é um sinal da força do mercado, que conseguiu ficar praticamente imune à turbulência gerada pela estagnação da legislação climática nos Estados Unidos”, explicou Katherine Hamilton, diretora gerente da Ecosystem Marketplace.

O relatório registrou também um aumento na demanda por créditos do mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD), que foram responsáveis por 29% de todos os cortes nas emissões relacionados ao mercado voluntário. Essa maior procura seria consequência das novas metodologias publicadas pelo Verified Carbon Standard (VCS), que responde por um terço dos créditos documentados em 2010.

Com relação à distribuição geográfica dos projetos, a América do Norte segue predominando com 35%, desses, 94% estão nos Estados Unidos. A América Latina aparece em segundo com 28%, tendo mais que dobrado o volume de transações relacionadas aos créditos florestais em países com o Brasil e Peru.

A Ásia está em terceiro com 17%, destaque para os projetos indianos de energia hidroelétrica. Essa região é a mais dependente do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), apesar da China estar começando programas piloto para estabelecer sua própria plataforma de mercado.

“Como nos anos anteriores, os Estados Unidos continuam como o epicentro do mercado voluntário de carbono, fornecendo e comprando mais de um terço dos créditos. Porém, com a chance de criação de uma legislação federal para as mudanças climáticas sendo praticamente nula, a parcela norte-americana no mercado já caiu com relação a anos anteriores dando espaço para o crescimento da América Latina e seus créditos florestais”, afirmou Milo Sjardin, analista chefe da Bloomberg New Energy Finance para os EUA.

Oportunidades

De uma forma geral, o relatório apresenta uma boa expectativa para o desempenho do mercado voluntário neste ano. A tendência é que a ferramenta continue amadurecendo e com a melhora da economia mundial a demanda por créditos siga em alta. Existe a previsão de que um novo recorde seja alcançado em 2011, com a negociação de 213 MtCO2e.

Seguindo esse ritmo, em cinco anos o mercado atingiria 406 MtCO2e. Porém, o número de projetos que estão em fase de aprovação até 2015 não conseguiria fornecer essa quantidade de créditos, o que sugere que existe um grande espaço a ser explorado por novos desenvolvedores.

O surgimento e a capacidade desses empreendedores é o que deve realmente determinar o tamanho que o mercado voluntário poderá alcançar nos próximos anos.

Os autores do “Back to the Future: State and Trends of the Voluntary Carbon Markets 2011” concluem que o “mercado voluntário conseguiu superar as dificuldades políticas e econômicas utilizando o mantra ‘O que não nos mata, nos torna mais fortes’. Assim, apostando na iniciativa privada e na vontade dos consumidores de contribuir na luta contra as mudanças climáticas, o mercado conseguiu construir parcerias e alianças que são dinâmicas e flexíveis, suportando melhor os momentos de crise”.

fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=727702

Mercado do Carbono

O Homem lança mais de 35,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano* na atmosfera, o principal gás causador do aquecimento global. Para diminuir estes números, foram criados projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa.



Estes projetos, após serem avaliados segundo metodologias aprovadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), podem gerar créditos de carbono e serem utilizados por países desenvolvidos integrantes do Anexo 1 do Protocolo de Quioto para alcançar suas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa. O Protocolo de Quioto institui o mercado de carbono como um dos mecanismos para reduzir os custos no corte das emissões, assim como o Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Implementação Conjunta.

O mercado de carbono também existe fora do contexto de Quioto, com vários programas voluntários de redução das emissões, como os dos Estados Unidos. O mercado voluntário abre as portas para a inovação, já que não tem muitas regras pré-estabelecidas como no Protocolo de Quioto, e para projetos de menor escala que seriam inviáveis sob Quioto.

As negociações são guiadas pelas regras comuns de mercado, podendo ser efetuadas em bolsas, através de intermediários ou diretamente entre as partes interessadas. A convenção para a transação dos créditos é o CO2 equivalente.

Atualmente o comércio de crédito de carbono está movimentando a economia de grandes países. O Brasil, que já ocupou o primeiro lugar no ranking dos principais produtores de projetos, acabou perdendo o lugar para a China e a Índia. Esses dois países em conjunto com a Austrália, Coréia do Sul e Japão produzem quase metade dos gases causadores do aquecimento global. Segundo especialistas, o potencial brasileiro é muito grande, existindo uma grande expectativa nesse novo mercado.

Em 2010, o mercado global de carbono apresentou pela primeira vez uma retração, sendo que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está agora no seu nível mais baixo desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto

O relatório anual do Banco Mundial, ‘Estado e Tendências do Mercado de Carbono’, lançado durante a feira Carbon Expo na Espanha, demonstra que 2010 foi um divisor de águas.

O mercado global de carbono mostrou sinais de fraqueza em meio às incertezas sobre o período pós 2012, quando termina o período de compromisso sob o Protocolo de Quioto, colocando fim ao crescimento anual robusto dos últimos cinco anos. Seu valor total caiu 1,4% para US$ 142 bilhões.

Além da falta de clareza, o banco cita como motivo da queda a perda de ímpeto político na criação de novos esquemas de ‘cap and trade’ em vários países desenvolvidos. A redução nas emissões de dióxido de carbono (CO2) devido à crise econômica, também ajudou os países no cumprimento de suas metas e reduziu a demanda por créditos de carbono.

O mercado primário de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), onde o proprietário original do crédito é que está vendendo as RCEs geradas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), caiu quase pela metade por várias razões, incluindo a baixa demanda e a competição com outros ativos mais previsíveis (Assigned Amount Units e RCEs secundárias, ou seja, nas quais o vendedor não é o proprietário original do ativo).

Os créditos de redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD) também foram privilegiados pelo mercado, com 16,7 milhões de créditos transacionais em comparação com 2,8 milhões em 2009.

O mercado de MDL está agora no seu ponto mais baixo desde a entrada em vigor do Protocolo de Quioto em 2005, tendo retraído 46% para cerca de US$ 1,5 bilhões dos US$ 2,7 bilhões de 2009. Porém, cumulativamente, as transações primárias de créditos de compensação (como as RCEs e ERUs) alcançaram quase US$ 30 bilhões desde 2005.

“O mercado global de carbono está em uma encruzilhada. Se pegarmos o caminho errado, arriscamos perder bilhões em investimentos privados de menor custo e novas soluções tecnológicas nos países em desenvolvimento”, comentou o enviado especial para mudanças climáticas do Banco Mundial, Andre Steer.

As permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês), continuaram sendo o maior segmento do mercado de carbono, com 84% do valor total. Levando em conta as transações secundárias do MDL, o valor do esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS) alcançou 97% do valor total do mercado, ou US$ 119,8 bilhões, subindo 1% em relação ao ano anterior.

Fragmentação

Apesar de algumas oportunidades de fortalecimento das regras nos países desenvolvidos terem sido perdidas em 2010, como nos Estados Unidos, Austrália e Japão, iniciativas nacionais e locais ofereceram esperança, enfatiza o relatório.

"Estas iniciativas indicam que de uma forma ou de outra, soluções para lidar com o desafio climático emergirão", ressalta o relatório.

A mais proeminente destas ações é o esquema de 'cap and trade' da Califórnia, que deve iniciar em 2012. Outras iniciativas incluem metas domésticas de redução das emissões, programas para certificados de energia limpas, programas de compensação de emissões voluntários ou compulsórios e bolsas de carbono que têm ganhado ímpeto em economias em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia e México.

“O crescimento do mercado de carbono parou em uma hora especialmente inoportuna: 2010 se mostrou como o ano mais quente já registrado, enquanto os níveis globais de emissão continuaram a crescer implacávelmente”, lamentou o especialista sênior do Banco Mundial Alexandre Kossoy.

Os mercados de balcão no cenário voluntário do mercado de carbono apresentaram um aumento de 10% nos valores para US$ 393,5 milhões e 28% nos volumes em 2010. A atividade neste segmento aumentou, porém os volumes ainda equivalem a apenas 0,3% do mercado global, segundo o relatório.

O crescimento do mercado voluntário é atribuído pelo relatório à explosão de 500% na fatia de mercado de projetos de REDD devido ao seu reconhecimento formal no âmbito internacional e aprovação de metodologias importantes para os projetos.

O mercado que mais tinha crescido em 2009, a Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI, em inglês), viu seus ganhos anulados em 2010. A RGGI continua com problemas de superalocação de permissões de emissão, ou seja, os limites são muito superiores às emissões reais.

A expectativa é que, se nada mudar, a iniciativa continue com excesso de permissões até 2018. Além disso, a motivação para a implantação de um esquema 'cap and trade' no cenário federal norte-americano foi arrasada em 2010, ao contrário das enormes expectativas em 2009.

Previsões

Os autores do relatório estimam que após 2012, a demanda por reduções de emissão pode alcançar 3 bilhões de toneladas, porém a única demanda substancial e incondicional será dos governos europeus, em torno de 1,7 bilhões de toneladas.

A oferta disponível entre 2013 e 2020, através dos projetos existentes, é tida como suficiente para atender esta demanda, restando poucos incentivos para os desenvolvedores de projetos investirem mais e criarem uma oferta futura de reduções de emissão.

Entretanto, o panorama pós 2012 "é complexo e depende da probabilidade de comprometimento das grandes economias e dos mecanismos adotados nos níveis internacional e doméstico para cumprir estes compromissos", portanto os cenários usados pelo relatório se basearam em pesquisas sobre o sentimento dos participantes do mercado e iniciativas específicas de países e regiões.

O Banco Mundial patrocina algumas iniciativas que visam dar credibilidade ao mercado pós 2012, como a Parceria para Preparação de Mercados, vários fundos de carbono e para dar suporte à mitigação nos países menos desenvolvidos. A visão do banco é que os mercados de carbono são uma importante ferramenta para incentivar a transição para uma economia de baixo carbono.

Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mercado_de_carbono/p=1

COP 17 - preânbulos



Como era de se esperar, a proximidade da COP17, que começa no próximo dia 28, está servindo de estímulo para a divulgação de vários estudos sobre as emissões de gases do efeito estufa (GEEs).

No mais recente deles, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) alertou que a concentração de GEEs na atmosfera cresceu 2% entre 2009 e 2010. Desde 1990, a concentração desses gases subiu 29%.

O nível de CO2 chegou a 389 partes por milhão (ppm), contra 386ppm no ano anterior. Antes da Revolução industrial, no fim do século XIX, a concentração de CO2 era de apenas 280ppm. A taxa média de crescimento do CO2 foi de 1,68ppm anuais nos últimos 31 anos, sendo que esse ritmo vem se acelerando. Em 1995, a taxa estava em 1,43ppm e já no ano seguinte passou para 1,94ppm.

Para piorar, um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que se quisermos evitar que a temperatura da Terra não ultrapasse os dois graus Celsius de aumento que os cientistas estipularam como sendo o limite para evitar consequências climáticas mais graves, teremos que reduzir as emissões drasticamente já em 2017. Segundo a AIE, a partir dessa data ficaria impossível evitar os piores efeitos do aquecimento global, como desastres climáticos mais intensos e frequentes.

O problema é que se não foi possível realizar ações concretas de redução de emissões na COP15, em Copenhague em 2009, quando a atenção mundial estava muito mais focada nas mudanças climáticas, nem na COP16, em Cancun no ano passado, quando não havia a sombra de uma crise econômica atrapalhando as negociações, como é que podemos ter esperança para a COP17, em Durban?

Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/news.php?ev=638&k1=f2e5a4888ef05a09470e97861438bd1d&k2=b12ace28caeded447a59ec58c7384fce&s=sergioguterres@gmail.com&act=show

Reportagens CarbonoBrasil
--------------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 8 de novembro de 2011

AUSTRÁLIA E SEU MERCADO DO CARBONO


Finalmente, depois de mais de dez anos de debates, a Austrália aprovou o pacote de leis que criam a sua tão prometida taxa sobre emissões de gases do efeito estufa e que lançam a plataforma inicial para o estabelecimento de um mercado de carbono.

O país começará a cobrar A$ 23 (R$ 41,79) por tonelada de carbono dos seus 500 maiores emissores a partir de julho do ano que vem. Depois, em 2015, o preço será flutuante e sujeito às necessidades do mercado, sendo que o governo controlará a quantidade de permissões disponíveis assim como um valor mínimo e máximo para elas.

A notícia, apesar de criticada pela oposição e por entidades industriais australianas, foi muito bem recebida por analistas internacionais, que acreditam que ela pode trazer um fôlego novo para as estagnadas negociações climáticas da ONU.

A aprovação chega também em boa hora para balancear dados ruins sobre o crescimento das emissões mundiais.

Primeiro foi o Departamento de Energia dos Estados Unidos que afirmou que as emissões globais de dióxido de carbono subiram 6% no último ano, atingindo o mais alto nível já registrado. Depois veio a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), que revelou que a intensidade global de carbono – nível de emissões de CO2 por unidade de produção – voltou a subir depois de dez anos, ultrapassando o crescimento do PIB mundial.

Espera-se que a ‘taxa de carbono’ da Austrália ajude a mudar um pouco esse panorama e que sirva de exemplo para outras nações.

Boa semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil.
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/news.php?ev=634&k1=9b4e0eb1a73ed8d833047a5e44c2139f&k2=b12ace28caeded447a59ec58c7384fce&s=sergioguterres@gmail.com&act=show

sábado, 5 de novembro de 2011

VIVEIROS NO RIO DE JANEIRO

RJ: Viveiros de mudas de Mata Atlântica produzem metade do que podem
Publicado em dezembro 30, 2010 por HC

Tags: reflorestamento de áreas degradadas



Um estudo que acaba de ser concluído mostra que a indústria da restauração florestal do Estado do Rio funciona de maneira precária, quase uma abstração em comparação com a situação de estados vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais. Os 92 municípios fluminenses contam hoje com 70 viveiros de mudas de Mata Atlântica que produzem metade do que poderiam -cerca de 5 milhões de mudas anuais, quando a capacidade instalada é de 10 milhões. E para que o Rio cumpra a meta de plantar 24 milhões de mudas até os Jogos de 2016, seriam necessários investimentos de R$ 22 milhões por ano na cadeia produtiva do reflorestamento, segundo levantamento da ONG Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA). Reportagem em O Globo.

Estas são algumas das informações que têm como base o documento recém-concluído “Diagnóstico da rede de viveiros e coletores de sementes do Estado do Rio de Janeiro”, uma realização da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), do Instituto Terra, do Instituto Bio Atlântica (IBio) e da Flora Jr., empresa que presta serviços de consultoria, ligada à Universidade Federal Rural Fluminense (UFRRJ). Durante dois meses, engenheiros florestais e técnicos ambientais percorreram todo o estado com o objetivo de mapear a situação dos viveiros. O resultado não foi animador. O documento deve estar à disposição do público em breve, no site da secretaria.

É na hora de transformar a escassa produção em plantio que a fragilidade da cadeia verde fica evidente: foram plantadas 1,1 milhão de mudas no estado em 2010, de acordo com o Programa Contador de Árvores da Mata Atlântica, uma parceria entre a Secretaria do Ambiente e o Instituto Terra. A conta é tão simples quanto dramática: se o estado seguir nesse ritmo de plantar cerca de 1 milhão de mudas por ano, será impossível cumprir a meta de 24 milhões nos próximos seis anos. O Contador de Árvores trabalha com base em formulários que são enviados para prefeituras, empresas e ONGs, que assinam e se comprometem com a veracidade do dado de plantio apresentado.

Secretário executivo do Instituto Terra, Maurício Ruiz acredita que,para além da questão quantitativa, o maior desafio é aumentar a biodiversidade das espécies produzidas nos viveiros flumineses. Com uma cadeia mais estruturada, ele acredita, o preço médio das mudas deve despencar. No Rio, mostra o diagnóstico, o custo de restauração por hectare é mais elevado do que em São Paulo, por exemplo. O relatório informa ainda que uma muda no Rio custa, em média, R$ 1,70. A mesma muda sai por R$ 0,80 em São Paulo.

- Há uma má distribuição e falta de biodiversidade de mudas. Só um viveiro, da Biovert, em Silva Jardim, tem capacidade para 3 milhões de mudas por ano, respondendo por mais da metade da produção estadual. Só que o empreendimento não tem o perfil de restauração, produz mais para finalidades paisagísticas – ressalta Ruiz. – Temos uma demanda muito maior que a oferta. E uma oferta de baixa qualidade – resume.

Para Ruiz, o mercado de restauração florestal precisa se estruturar com mais rapidez. Ele elogia a posição dos atuais do-nos de viveiros de mudas:

- Uma mudança de paradigma vai demandar um planejamento muito grande e investimentos pesados. Os R$ 22 milhões anuais são um cálculo nosso, com base na demanda por hectare. Mas tudo depende de vontade política. O estado e as prefeituras têm de investir mais em restauração florestal. Os atuais produtores fazem quase que um milagre diante da falta de informações e incentivo.

O engenheiro ambiental Beto Mesquita, diretor-executivo do IBio, concorda que o maior gargalo ambiental fluminense está na falta diversidade e qualidade de mudas.

- Não adianta um viveiro ter 70 ou 80 espécies diferentes se 60% destas mudas forem de um mesmo grupo.

Também precisamos evoluir no controle fitossanitário das mudas. Todos os cuidados no plantio não significarão nada se trabalharmos com mudas doentes ou com estado nutricional debilitado – ob-serva Mesquita. O estudo mostra que, em média, um viveiro produz 30 espécies de mudas diferentes, quando o ideal é entre 50 e 70.

Outra questão preocupante: apenas cinco dos 70 hortos contam com o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), conferido pelo Ministério da Agricultura. São eles:

Biovert Florestal Agrícola LTDA (Silva Jardim); Mudas Katsumoto (Petrópolis); Rio Mudas (Cachoeira de Macacu); Fazenda Queira Deus (Miracema); e Viveiro Ita Mudas (Bom Jesus de Itabapoana). Nas visitas as hortos, os fiscais detectaram que muitos donos sequer conheciam a lei federal de sementes, que estabelece a obrigatoriedade do registro.

A colheita de sementes, acrescenta o diagnóstico,é concentrada em alguns fragmentos de Mata Atlântica e comprada de outros estados. Por trás dessa questão está um problema de difícil solução: setores do ambientalismo defendem que as unidades de conservação de preservação integral são intocáveis, não podendo coexistir com a presença humana. E essas áreas não podem ser desprezadas, uma vez que abrigam as sementes e espécies de maior qualidade.

- Existem no Rio unidades de conservação integral onde não pode haver coleta de sementes. Há normas legais que impedem. Sou contrária a essa proibição – diz a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos.

De acordo com a secretária, que deve assumir a presidência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) com a volta de Carlos Minc ao comando da SEA, o trabalho recém-concluído é um preparatório para o planejamento de como o Rio conseguirá cumprir a meta olímpica. Segundo ela, dinheiro não será problema: o governo já tem à disposição mais de R$ 200 milhões, vindos de empreendimentos com obrigações de compensações ambientais. Além disso, o Fundo Mata Atlântica, criado no início do ano pelo governo estadual, dispõe de R$ 37 milhões.

- O diagnóstico mostrou que temos um número razoável de hortos, mas a grande parte deles tem problemas sérios de estrutura e baixa qualidade de produção. O inventário jogou luz sobre uma série de entraves burocráticos e legais que temos – afirma Marilene. -Os nossos cinco hortos estaduais têm uma capacidade de produção baixa, de 500 mil mudas por ano. A ideia é que eles produzam, ao fim de 2011, 4 milhões de mudas/ano. Estamos trabalhando para isso.

Marilene Ramos critica o que chama de “sistema de regulamentação extremamente burocrático”, ao se referir ao baixo número de viveiros registrados pelo governo federal.

- Temos que remover esse entulho burocrático -diz. – Há muito a ser feito,mas esse mapeamento é o pontapé inicial.

A bióloga Alba Simon, que reassume a Superintendência de Biodiversidade da SEA em janeiro, alerta que é preciso formatar uma política ampla, que abarque todos os setores da cadeia produtiva das mudas:

-Hoje o estado do Rio tem uma demanda absurda por reflorestamento. O gargalo só vai ser resolvido quando houver uma política florestal de fato, que pense a cadeia como um todo. Desde a capacitação de coletores de mudas até a estruturação dos viveiros. Enquanto pensarmos em setores isolados, não vai funcionar – afirma Alba, acrescentando que o Rio prepara seu próprio inventário florestal.

fonte:http://www.ecodebate.com.br/2010/12/30/rj-viveiros-de-mudas-de-mata-atlantica-produzem-metade-do-que-podem/


EcoDebate, 30/12/2010

terça-feira, 25 de outubro de 2011

INDÚSTRIAS FLUMINENSES TERÃO QUE DECLARAR EGEE

Grandes indústrias fluminenses terão que declarar emissões de gás carbônico

24/10/2011 - Autor: Nielmar de Oliveira - Fonte: Agência Brasil

fonte:http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias2/noticia=728772


Nos próximos dias, as grandes indústrias fluminenses estarão recebendo formulários de declaração de emissões, em que terão de informar a quantidade de gás carbônico emitida em cada unidade, especificando a fonte de energia que movimenta a empresa.

Segundo o secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, as informações vão formar um banco de dados que servirá de base para as compensações a serem exigidas no processo de renovação das licenças ambientais das companhias.

“Dessa forma, começamos a atuar pelo cumprimento das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme consta no Decreto do Clima, assinado no mês passado pelo governador Sérgio Cabral”, disse Minc por meio de sua assessoria de imprensa.

Segundo a Secretaria Estadual do Ambiente, é com base na situação de cada empresa que o estado estabelecerá as condições para diminuir e compensar as emissões.

Para estabelecer com quanto cada setor da economia vai contribuir para a redução das emissões de gás carbônico no estado, o governo encomendou estudo à Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Haverá também o mapeamento dos custos das ações, e cada empresa terá plano próprio”, informou Minc, acrescentando que a renovação das licenças que vencem em 2012 já trará mecanismos de abatimento, compensação ou redução das emissões.

Carlos Minc lembrou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Secretaria do Ambiente e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), que prevê, como forma de compensação ambiental, o desembolso de R$ 1 bilhão pela Petrobras para ser investido no estado.

Os recursos do TAC, segundo a secretaria, serão aplicados em uma série de projetos, entre eles o que reduz as emissões atmosféricas da Reduc, o que melhora o tratamento de efluentes da refinaria, o que prevê a construção de uma Unidade de Tratamento de Rio (UTR) na Foz do Rio Irajá, o de macrodrenagem de Campos Elíseos e o que viabilizará a compra do gás produzido com o lixo descartado no aterro controlado de Gramacho.

“Esses compromissos são condições determinadas pela Secretaria do Ambiente e pelo Instituto Estadual do Ambiente para a renovação da licença de operação da Reduc, que precisa ser feita a cada cinco anos”, disse Minc.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

META PARA PROJETOS DE CCS

Meta para projetos de CCS deve ser cumprida em 2020

Em seu relatório anual, o Global CCS Institute afirma que a meta de ter 20 projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS, em inglês) operando até 2020 deve ser alcançada e traz atualizações sobre os avanços do último ano.
terça, 11 de outubro de 2011

Apesar das críticas e das linhas de financiamento limitadas para o desenvolvimento das tecnologias de CCS, alguns esforços estão sendo feitos para avançar programas de pesquisa e desenvolvimento, e governos têm feito investimentos para apoiar projetos demonstrativos de grande escala.

Tais investimentos são necessários para trilhar o caminho comercial do CCS e garantir a segurança e efetividade dos processos, que envolvem diversos tipos de tecnologias para a captura, transporte e armazenamento ou uso do CO2.

A Agência Internacional de Energia (AIE) coloca, em seu relatório de 2010, a fatia das tecnologias de CCS em 19% no seu cenário de menor custo de redução das emissões em 2050 (Figura). Além disso, a agência estima que sem o CCS, alcançar o corte de 50% nas emissões até 2050 custaria 70% a mais.

Porém, a expectativa de ter 20 projetos operacionais em 2020 fica bem abaixo da meta ambiciosa que o roteiro de CCS da AIE, elaborado em 2009, previu para o setor: 100 projetos em 2020 e 3 mil em 2050.


Relatório

O relatório Status Global do CCS: 2011 consolida a compreensão mais atual sobre o nível das atividades de CCS ao redor do globo, assim como as principais oportunidades e desafios experimentados por projetos de grande escala integrados.

Através da pesquisa anual, 74 projetos integrados de grande escala foram identificados, oito deles já operacionais e seis em construção. A capacidade total de estocagem do CO2 destes 14 é de mais de 33 milhões de toneladas ao ano (equivalente a emissão anual de seis milhões de automóveis).

"Se o nível de progresso continuar estável, provavelmente teremos 20 projetos demonstrativos de grande escala operacionais em 2020", comemorou o CEO do Global CCS Institute, Brad Page.

O número de projetos de CCS em operação e construção está crescendo e deve continuar a expandir. Dez projetos em estágios avançados de planejamento (especialmente no setor de geração de energia) relataram estar, nos próximos 12 meses, em fase de decisão para realização dos investimentos finais e passar à construção.

Também no setor de geração de energia, agora um segundo projeto está em construção, o Boundary Dam no Canadá, além do projeto Kemper County IGCC nos Estados Unidos (primeiro no país a estocar CO2 em formações salinas profundas). Ambos devem iniciar operações em 2014.

Entretanto, o instituto demonstra preocupação com o avanço lento nos projetos demonstrativos de larga escala em setores altamente emissores, como o do aço, do ferro e do cimento.

Todos os projetos em operação usam tecnologias de separação de CO2, um processo industrial já bem estabelecido, afirma o relatório, e utilizam o CO2 para gerar renda através da melhoria da recuperação de petróleo ou têm acesso a locais de armazenamento de baixo custo, anteriormente explorados ou com informações geológicas existentes.

Vários projetos em operação ou construção estão implantando o CCS em reposta, ou em antecipação, a políticas climáticas de longo prazo e/ou potenciais mercados de compensação de carbono.

"Apesar de ser promissor, desenvolver um business case é desafiador especialmente quando os projetos não têm nem fluxos de renda (como na recuperação do petróleo ou outras oportunidades) nem a captura de CO2 já fazendo parte de um processo industrial estabelecido", comentou o instituto.

Custos

A análise do instituto indica que o CCS é competitivo financeiramente com outras opções de grande escala para o abatimento de emissões no setor de geração de energia elétrica.

"Por exemplo, o custo do CO2 evitado para o CCS usado na geração à carvão e gás natural varia entre US$ 68 e US$ 123 por tonelada, e US$ 108 a US$ 224 por tonelada, respectivamente. Em contraste, os sistemas solar fotovoltaico e solar térmico têm custos de CO2 evitado entre US$ 184 e US$ 307 por tonelada e US$ 219 e US$ 273 por tonelada, respectivamente", afirma o relatório.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Global CCS Institute

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mercado de carbono florestal bate recordes em 2010

Mercado de carbono florestal bate recordes em 2010





por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil


Relatório do Ecosystem Marketplace aponta que projetos de carbono florestal comercializaram, em 2010, US$ 178 milhões, o equivalente a cerca de 30 milhões de toneladas de carbono equivalente, mas ainda há um longo caminho pela frente.

Enquanto as discussões globais sobre o futuro do Protocolo de Kyoto continuam estacionadas, outras opções parecem surgir como uma luz no fim do túnel para a conservação das florestas. Na última semana, a organização Forest Trends lançou um relatório que revela que o mercado de carbono florestal bateu recordes no ano passado, chegando a comercializar US$ 178 milhões.

O documento, intitulado State of the Forest Carbon Markets 2011: From Canopy to Currency (Estado dos mercados de carbono florestal 2011: da cobertura florestal à moeda corrente) e publicado pelo projeto Ecosystem Marketplace, da organização Forest Trends, monitora, relata e analisa as tendências das transações globais de reduções de emissões geradas por projetos de carbono florestal.

Segundo Ellysar Baroudy, que administra o Fundo BioCarbon do Banco Mundial, “essa fonte excelente de informação sobre as transações de mercado da esfera florestal é uma parte vital da nossa visão de longo prazo para apoiar projetos de uso da terra para reduzir emissões de gases do efeito estufa e combater as mudanças climáticas de uma forma ambiental e socialmente responsável”.

“O mercado de carbono florestal está ganhando força e é importante parar uma vez por ano, fazer um balanço das realizações atuais, bem como dos desafios, e usar esses dados para se preparar para o futuro”, acrescentou.

A análise mostra que o ano de 2010 gerou recordes para os mercados de carbono florestal, recordes que já haviam sido atingidos em 2008 e 2009. De acordo com o relatório, no último ano, foram contratadas 30,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e) nos mercados de carbono florestal primários e secundários, e essas transações chegaram a um valor de US$ 178 milhões.

“Contratos para compensações de carbono florestal mais do que dobraram nos últimos dois anos, provavelmente devido às discussões políticas internacionais e ao aumento da preocupação com o papel essencial que florestas têm no sequestro de carbono”, explicou Katherine Hamilton, diretora do Ecosystem Marketplace e autora do relatório, em um comunicado à imprensa.

A extensão histórica dos mercados de carbono florestal subiu para 75 MtCO2e, avaliada em cerca de US$ 432 milhões, e os projetos neste setor atingiram mais de 7,9 milhões de hectares de florestas em 49 países do mundo. O preço médio das compensações entre os mercados primários de carbono florestal aumentaram de US$ 3,8/tCO2e em 2008 para US$ 4,5/tCO2e em 2009, chegando a US$ 5,5/tCO2 em 2010.

Além destas informações, o documento indica que o crescimento do mercado de carbono florestal em 2010 foi alavancado por um grande aumento no número de projetos que protegem florestas ameaçadas, e também na quantidade de projetos para promover o manejo florestal.

Os projetos sob o programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) foram os que mais contribuíram para este crescimento, fornecendo 19,5 de um total de 29 MtCO2e, o equivalente a 70% do total contratado no mercado primário.

Cresceu ainda o fluxo de desenvolvedores, investidores e intermediários de projetos do setor privado. Nos anos anteriores, ao contrário, a maioria dos projetos era desenvolvida por organizações de conservação sem fins lucrativos.

“O cenário que surge de uma análise mais profunda da tendência das toneladas contratadas em 2009 e 2010 é fundamentalmente a de um quadro pequeno – mas crescente – de compradores prospectivos e investidores que fazem grandes apostas no futuro dos mercados de carbono florestal”, declara o relatório.

“O influxo do investimento do setor privado é uma indicação positiva de que algumas das maiores firmas financeiras têm confiança – ainda que apoiada por um estágio inicial de risco de mercado – de que os projetos de carbono florestal terão um papel significativo no futuro dos mercados de carbono e na redução das emissões de gases do efeito estufa”, concordou Steve Baczko, diretor de comercialização para o Ecosystem Restoration Associates Inc. (ERA).

Mas o documento aponta também que o número de projetos para desenvolver o plantio de árvores diminuiu. “Os únicos obstáculos para financiar e comercializar projetos de florestamento e/ou reflorestamento continuam a persistir e reprimir a habilidade dos mercados de carbono de incentivar uma das mais antigas estratégias para melhorar e restaurar a saúde ambiental – plantar árvores”, afirma a análise do Ecosystem Marketplace.

No balanço geral, o relatório admite que, apesar dos bons indicadores, o mercado de carbono florestal ainda não é seguro.“Enquanto o mercado se fixou o suficiente para atrair novos desenvolvedores e investidores para participar, muitos observadores ainda se mantêm cautelosos em meio às incertezas significativas”.

“Apesar da crescente confiança acerca de muitas políticas e dos mercados que surgiram, a forma, o tamanho e o alcance futuros do mercado global de carbono florestal se mantêm muito incertos”.

David Diaz, coautor do documento, confirmou essa visão de incerteza, e finalizou dizendo que ainda há um longo caminho a ser trilhado. “Esses mercados têm mostrado grandes inovações e crescimento, mas ainda temos um longo caminho para canalizar uma quantidade suficiente de fundos para controlar a perda florestal global, que é uma fonte importante de emissões de gases do efeito estufa.”

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

MERCADO DO CARBONO - balanço 2010

Mercado de carbono florestal bate recordes em 2010
03/10/2011 - Autor: Jéssica Lipinski - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais
Relatório do Ecosystem Marketplace aponta que projetos de carbono florestal comercializaram em 2010 US$ 178 milhões, o equivalente a cerca de 30 milhões de toneladas de carbono equivalente, mas ainda há um longo caminho pela frente





Enquanto as discussões globais sobre o futuro do Protocolo de Quioto continuam estacionadas, outras opções parecem surgir como uma luz no fim do túnel para a conservação das florestas. Na última semana, a organização Forest Trends lançou um relatório que revela que o mercado de carbono florestal bateu recordes no ano passado, chegando a comercializar US$ 178 milhões.

O documento, intitulado State of the Forest Carbon Markets 2011: From Canopy to Currency (Estado dos mercados de carbono florestal 2011: da cobertura florestal à moeda corrente) e publicado pelo projeto Ecosystem Marketplace, da organização Forest Trends, monitora, relata e analisa as tendências das transações globais de reduções de emissões geradas por projetos de carbono florestal.

Segundo Ellysar Baroudy, que administra o Fundo BioCarbon do Banco Mundial, “essa fonte excelente de informação sobre as transações de mercado da esfera florestal é uma parte vital da nossa visão de longo prazo para apoiar projetos de uso da terra a reduzir emissões de gases do efeito estufa e combater as mudanças climáticas de uma forma ambiental e socialmente responsável”.

“O mercado de carbono florestal está ganhando força e é importante parar uma vez por ano, fazer um balanço das realizações atuais, bem como dos desafios, e usar esses dados para se preparar para o futuro”, acrescentou.

A análise mostra que o ano de 2010 gerou recordes para os mercados de carbono florestal, recordes que já haviam sido atingidos em 2008 e 2009. De acordo com o relatório, no último ano, foram contratadas 30,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e) nos mercados de carbono florestal primários e secundários, e essas transações chegaram a um valor de US$ 178 milhões.

“Contratos para compensações de carbono florestal mais do que dobraram nos últimos dois anos, provavelmente devido às discussões políticas internacionais, e ao aumento da preocupação com o papel essencial que florestas têm no sequestro de carbono”, explicou Katherine Hamilton, diretora do Ecosystem Marketplace e autora do relatório, em um comunicado à imprensa.

A extensão histórica dos mercados de carbono florestal subiu para 75 MtCO2e, avaliada em cerca de US$ 432 milhões, e os projetos neste setor atingiram mais de 7,9 milhões de hectares de florestas em 49 países do mundo. O preço médio das compensações entre os mercados primários de carbono florestal aumentaram de US$ 3,8/tCO2e em 2008 para US$ 4,5/tCO2e em 2009, chegando a US$ 5,5/tCO2 em 2010.

Além destas informações, o documento indica que o crescimento do mercado de carbono florestal em 2010 foi alavancado por um grande aumento no número de projetos que protegem florestas ameaçadas, e também na quantidade de projetos para promover o manejo florestal.

Os projetos sob o programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) foram os que mais contribuíram para este crescimento, fornecendo 19,5 de um total de 29 MtCO2e, o equivalente a 70% do total contratado no mercado primário.

Cresceu ainda o fluxo de desenvolvedores, investidores e intermediários de projetos do setor privado. Nos anos anteriores, ao contrário, a maioria dos projetos era desenvolvida por organizações de conservação sem fins lucrativos.

“O cenário que surge de uma análise mais profunda da tendência das toneladas contratadas em 2009 e 2010 é fundamentalmente a de um quadro pequeno – mas crescente – de compradores prospectivos e investidores que fazem grandes apostas no futuro dos mercados de carbono florestal”, declara o relatório.

“O influxo do investimento do setor privado é uma indicação positiva de que algumas das maiores firmas financeiras têm confiança – ainda que apoiada por um estágio inicial de risco de mercado – de que os projetos de carbono florestal terão um papel significativo no futuro dos mercados de carbono e na redução das emissões de gases do efeito estufa”, concordou Steve Baczko, diretor de comercialização para o Ecosystem Restoration Associates Inc. (ERA).

Mas o documento aponta também que o número de projetos para desenvolver o plantio de árvores diminuiu. “Os únicos obstáculos para financiar e comercializar projetos de florestamento e/ou reflorestamento continuam a persistir e reprimir a habilidade dos mercados de carbono de incentivar uma das mais antigas estratégias para melhorar e restaurar a saúde ambiental – plantar árvores”, afirma a análise do Ecosystem Marketplace.

No balanço geral, o relatório admite que apesar dos bons indicadores, o mercado de carbono florestal ainda não é seguro.“Enquanto o mercado se fixou o suficiente para atrair novos desenvolvedores e investidores para participar, muitos observadores ainda se mantêm cautelosos em meio às incertezas significativas”.

“Apesar da crescente confiança acerca de muitas políticas e dos mercados que surgiram, a forma, o tamanho e o alcance futuros do mercado global de carbono florestal se mantêm muito incertos”.

David Diaz, coautor do documento, confirmou essa visão de incerteza, e finalizou dizendo que ainda há um longo caminho a ser trilhado. “Esses mercados têm mostrado grandes inovações e crescimento, mas ainda temos um longo caminho para canalizar uma quantidade suficiente de fundos para controlar a perda florestal global, que é uma fonte importante de emissões de gases do efeito estufa”.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fazendas aqui, florestas aqui também

A precupação na conservação das florestas ou reflorestamento das áreas degradas não são assuntos só de nossa pauta, os americanos também correm atrás.
*Rodrigo C.A.Lima

No final de 2009 produtores americanos e ONGs publicaram o estudo intitulado Farms Here, Forests There: Tropical Deforestation and U.S. Competitiveness in Agriculture and Timber, que causou muitas críticas aqui no Brasil. Existem duas leituras principais para o estudo: 1) o desmatamento no Brasil favorece a expansão da agricultura e das florestas plantadas e dá competitividade aos produtos brasileiros, o que prejudica os produtores americanos; 2) a criação de um mercado de carbono que aceite créditos florestais – e por isso mantenha as florestas em pé – pode beneficiar os produtores americanos.

Enquanto a discussão sobre os estoques de carbono nas florestas, um possível mercado de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd plus) e o papel da agricultura de baixo carbono cresce no mundo, o estudo tem um viés de preocupação evidente com o potencial do agro brasileiro.

Estudo - Na enxurrada de argumentos e críticas que condenam a alteração do Código Florestal, entendo que é importante retomar o estudo Fazendas Aqui, Florestas Lá, para mostrar que, se a reforma do código for efetivamente feita com equilíbrio, não só os produtores brasileiros terão muito a ganhar, mas também o meio ambiente.

O título do estudo que vale para o Brasil é Fazendas aqui, Florestas aqui também! E isso sem prejudicar a conservação ambiental; a expansão sustentável do agro brasileiro; a produção de alimentos; de energia; a garantia da segurança alimentar, ponto central do Programa Brasil Sem Miséria; o incremento da agricultura familiar e a exportação de alimentos e de energia.

Quadro - Partindo-se do princípio de que o novo Código Florestal deverá resolver definitivamente as falhas legais da lei florestal e de que a regularização ambiental irá exigir ações dos produtores no sentido de comprovarem o cumprimento das novas regras, é possível antever que, em 2020, a fotografia do uso da terra no Brasil será outra.

Os argumentos que dão força para essa tese são os seguintes: 1) o novo Código Florestal não abre espaço para novos desmatamentos comparado com o código atual e vai gerar uma maciça regularização ambiental nas fazendas brasileiras; 2) a compensação da Reserva Legal em áreas fora da propriedade, porém dentro do mesmo bioma, faz sentido não só porque evitará plantar florestas em áreas aptas para a agricultura, mas porque protegerá vegetação nativa que poderia ser legalmente desmatada; 3) a recuperação de pastagens e áreas degradadas, prevista como ação de mitigação no Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), permitirá que áreas de baixíssima produtividade ou que estão abandonadas se tornem produtivas; 4) a intensificação da pecuária ocorrerá sem a necessidade de aumentar as áreas de pastagens, mas sim, irá liberar áreas para outras culturas.

Esses são os pilares da expansão do agro brasileiro nos próximos dez anos no tocante ao uso da terra e refletem o modelo de fazendas com florestas, adotado no Brasil desde a adoção do primeiro Código Florestal, em 1934.

Incentivos - O que a reforma do código precisa contemplar são incentivos concretos para que os produtores mantenham ou recuperem as florestas. Não se pode contestar que as florestas geram benefícios para toda a sociedade e, justamente, por isso, todos devem ajudar a protegê-las, como previsto na Constituição Federal.

Nesse sentido é válido retomar a comparação entre os produtores brasileiros e norte-americanos. Enquanto aqui a obrigação e o ônus de manter as florestas recai exclusivamente sobre o dono da terra, os produtores norte-americanos que aceitam plantar florestas ou conservar áreas existentes em suas propriedades (normalmente áreas de baixa produtividade, mas também áreas ao longo de cursos d´água) recebem um pagamento anual do governo, que pode chegar à média de R$ 204/ha/ano. Durante 10 a 15 anos a vegetação nativa deve ser conservada, sob pena de o produtor pagar multas pesadas. Depois desse prazo o produtor escolhe se quer convertê-las e voltar a produzir.

Conservação - O mais intrigante é que o Conservation Reserve Program (CRP) foi criado em 1985 não para proteger florestas, mas como forma de controlar a erosão dos solos. Hoje, o CRP começa a ser utilizado como ferramenta de conservação florestal, proteção da biodiversidade e da água, qualidade do ar e redução de emissões, mas sempre com incentivos para o produtor, que pode utilizar a área para turismo rural, pesca e até mesmo caça.

Para que os recursos presentes nas florestas existentes nas fazendas brasileiras sejam reconhecidos e valorizados é preciso que o novo código contemple incentivos concretos para a recuperação e a conservação das florestas. Os estoques de carbono, os recursos da biodiversidade, a proteção da água e do solo somente serão tratados como ativos quando efetivamente tiverem valor.

Considerando que o novo código deverá coibir o desmatamento ilegal, que a compensação da Reserva Legal evitará a recomposição de áreas produtivas que foram convertidas há muito tempo, e que protegerá áreas que poderiam ser legalmente desmatadas, enfatizando a proteção de áreas ricas em biodiversidade, e que os ativos ambientais das fazendas deverão ser valorizados, é mais do que seguro falar alto e em bom tom que no Brasil o discurso é Fazendas aqui, Florestas aqui também!

Talvez o Brasil seja o único país do mundo que tem capacidade para adotar esse modelo que integra produção e conservação. Em tempos de Rio+20, o desafio é gerar adequação ao novo Código Florestal tão logo ele seja aprovado, e saber utilizar esses recursos de forma sustentável, lutar pelo pagamento dos serviços ambientais, e estampar nos rótulos dos produtos brasileiros marcas como: baixo carbono; biodiversidade protegida; produzido com energias renováveis; uso racional da água; produzido junto com florestas nativas, valores inatos ao agro brasileiro.

* Rodrigo C. A. Lima, advogado, gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), é pesquisador da RedeAgro. E.mail: rlima@iconebrasil.org.br

Portal Sociedade Sustentável - 28/09/2011
fonte: http://mail.google.com/mail/u/0/?shva=1#inbox/132b11ce73d93586

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SEQUESTRO DE CO2

Seqüestro de carbono é um processo de remoção de gás carbônico. Tal processo ocorre principalmente em oceanos, florestas e outros organismos que, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera. É a captura e estocagem segura de gás carbônico (CO2), evitando-se assim sua emissão e permanência na atmosfera terrestre.

As atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e a utilização de calcário para a produção de cimento, bem como os diferentes usos da terra, associados ao desmatamento e queimada são as principais causas do rápido aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global. No entanto, os maiores estoques de carbono não são encontrados na atmosfera, mas sim, nos ecossistemas marinho e terrestre (vegetação + solo).

O conceito de seqüestro de carbono foi consagrado pela Conferência de Quioto, em 1997, com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando à diminuição do efeito estufa.

Para mitigar o aquecimento global, uma variedade de meios artificiais de captura e de seqüestro do carbono, assim como processos naturais estão sendo estudados e explorados.

O Brasil apresenta as melhores condições, físicas e naturais, para atender aos preceitos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), em razão de suas potencialidades florestais, como elevada extensão de terra, mão-de-obra abundante, clima favorável, tecnologia silvicultural avançada e uma administração florestal competente.

O advento desse mercado é aguardado com muita expectativa por parte dos responsáveis pela política florestal brasileira, pois há muito tempo vem se procupando com meios de combater os principais problemas florestais desse país, como os desmatamentos e os baixos valores dos produtos florestais, que por sinal são correlatos. Ambos carecem de mecanismos que visem aumentar a viabilidade da atividade florestal e garantir a sua sustentabilidade, através da criação de novos produtos e mercados. Por isso deposita-se tanta esperança neste eminente mercado.

Mesmo em um cenário de mercado indefinido, alguns projetos florestais já estão sendo implementados no país, visando vender créditos de carbono para os países industrializados, conforme descritos a seguir:


a) Conservação de florestas

A conservação florestal, ou seja, a manutenção das florestas protegidas, não é válida no âmbito do MDL para a geração de créditos de carbono.


Esse tema foi alvo de muitas controvérsias já que alguns acreditam que a conservação das florestas tropicais é dificultada, caso não seja dada alguma compensação aos proprietários de áreas florestais, pelos serviços ambientais gerados pelas suas florestas, incluindo o estoque de carbono. Outros acreditam que a conservação florestal deixa de lado aspectos sociais e todos os bens e serviços que as florestas podem gerar (Smith et al., 2000).


Além disso, outro ponto criticado nos projetos de conservação florestal é que eles se baseiam mais em emissões evitadas do que no seqüestro de carbono propriamente dito. Assim, esses projetos consistem basicamente na venda temporária dos estoques de carbono de florestas protegidas, com um parcela de seqüestro de carbono via reflorestamento ou regeneração de florestas secundárias (Campos, 2001).


Indo mais além, segundo IPCC (2000), a preservação de uma floresta não garante a mitigação do efeito estufa em longo prazo devido aos riscos de fugas e reversibilidade por meio de atividades humanas, distúrbios ou mudanças ambientais.


Dessa forma, no período de 2008 a 2012, que corresponde ao primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto, a conservação florestal não é válida para os projetos de MDL.

b) As florestas e a estocagem de carbono

As florestas oferecem grande potencial, em curto prazo, para remoção de CO2 da atmosfera. Ao contrário de plantas de ciclo de vida curto que morrem e se decompõem rapidamente, as árvores são indivíduos de ciclo de vida longo que acumulam carbono em sua biomassa (Sedjo et al., 1998).


Segundo Sedjo (2001), as florestas trocam CO2 com o ambiente por meio de processos como fotossíntese, respiração, decomposição e emissões associadas a distúrbios como fogo, o desfolhamento por diversas causas e à exploração florestal. As mudanças nos estoques líquidos de carbono determinam se um ecossistema florestal será uma fonte ou sumidouro do carbono atmosférico.


Uma floresta jovem, que esteja crescendo de forma acelerada, seqüestra maiores volumes de carbono quando comparada à floresta madura. Já a floresta madura atua como um reservatório, estocando carbono, mesmo que não esteja passando por um crescimento líquido. Assim, uma floresta jovem estoca menos carbono quando comparada à uma floresta madura, mas seqüestra mais carbono da atmosfera ao longo do tempo. Já uma floresta madura, apesar de não capturar “novo carbono”, continua a estocar grandes volumes de carbono em sua biomassa ao longo do tempo (Sedjo, 2001), apesar de em alguns casos poder vir a se tornar uma fonte de emissão de carbono, como quando ocorrem mortes ou outros eventos naturais (Mirbach, 2003).


A obtençao de estimativas confiáveis de estoque de carbono da vegeteção é essencial para estimar a quantidade de carbono, emitida ou seqüestrada, no tempo e no espaço (Higuchi et al., 2004). Esses mesmo autores, em um trabalho sobre a dinâmica de uma floresta primária da América Central, encontraram um incremento anual de 1,2 tC.ha-1.ano-1, encontrada por Philips te al. (1998).


Fearnside e Guimarães (1996), pesquisadores do Inpa, concluíram que quanto mais inicial o estádio sucessional, maior será a taxa de incremento de biomassa: uma floresta secundária com 10 anos de idade assimila de 6,0 a 10,0 t.ha-1.ano-1; com 20 anos de idade, a assimilação da floresta secundária varia de 4,0 a 7,0 t.ha-1.ano-1 e com 80 anos, a assimilação média anual cai para 2,0 t.ha-1.ano-1.


No caso de florestas plantadas, Paixão (2004) apresentou dados médios de produção de biomassa do tronco sem casca de eucalipto, com idade de 7 e 10 anos, iguais a 107,12 t.ha-1. Schumacher & Witschoreck (2004) em um inventário de carbono em povoamenos de eucalipto na região sul do Brasil, obtiveram um estoque de carbono aos 8 anos igual a 97,86 t.ha-1.


O Brasil apresenta ainda uma faixa considerável do seu território composto por florestas nativas, as quais pertencem a diversos biomas. Dentre eles, a Mata Atlântica destaca-se pelo seu potencial de estabelecimento de projetos que visem recompor suas áreas degradadas e, ao mesmo tempo, gerar créditos de carbono. Isso porque, esse bioma foi um dos que sofreu maior grau de intervenção humana, principalmente no que se refere ao desmatamento; o que contribui para que o carbono que estava estocado na biomassa florestal fosse emitido para a amosfera.


c) Produção de madeira para fins energéticos

Os projetos florestais com fins energéticos em substituição aos combustíveis fósseis, com notáveis contribuições para redução do CO2 atmosférico, receberão, ao que tudo indica, os créditos de carbono. Pois, para a produção de uma tonelada de ferro-gusa, utilizando carvão mineral, por exemplo, emite-se 1,8 tonelada de gás carbônico, enquanto com o carvão vegetal resgata-se 1,1 tonelada, reduzindo no total, em 2,9 toneladas as emissões para a atmosfera.


Com relação à produção de energia, muitos outros projetos poderão ser contemplados, por exemplo as usinas de açúcar e álcool que estão utilizando o bagaço de cana na co-geração de energia e as indústrias que utilizam resíduos madeireiros.


No mundo, aproximadamente US$500 milhões já foram investidos em projetos de seqüestro de carbono. Somente a Holanda pagou até agora US$32 milhões em créditos para a Polônia, Romênia e República Tcheca.


No Brasil, os projetos florestais que visam atender ao MDL estão sendo elaborados com o envolvimento de universidades, ONGs, governo e empresas privadas. Entre eles podem ser citados o projeto da Peugeot, no Mato Grosso; da AES, na ilha do Bananal e da CSW, no Paraná. Um projeto da Plantar, submetido ao Banco Mundial, tem como premissa a produção do ferro-gusa “limpo” a partir de florestas plantadas, sendo previsto um investimento de 23 milhões de dólares e o seqüestro de 3 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera.


Diante disso, pode-se observar como o mercado de crédito de carbono é importante para como instrumento para a política florestal brasileira. Portanto é necessário que os responsáveis por essa política se empenhem ao máximo para fazer com que os projetos florestais citados, e outros, sejam aceitos no MDL.

Referências Bibliográficas:


•WIKIPEDIA, A enciclopédia livre. Site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sequestro_de_carbono. Acesso em: 13 set. 2008.


•SILVA, M.L. da; JACOVINE, L.A.G.; VALVERDE, S.R. Oportunidades para o Setor Florestal Brasileiro com o advento do Mercado de Créditos de Carbono. Revista Ação Ambiental, nº 21, p. 14-15, Dezembro/Janeiro 2001.


•RIBEIRO, S.C. Quantificação do Estoque de Biomassa e Análise Econômica da Implementação de Projetos visando a Geração de Créditos de Carbono em Pastagem, Capoeira e Floresta Primária. Disponível em: http://www.ufv.br/. Acesso em: 13 set. 2008.

fonte: http://www.ciflorestas.com.br/texto.php?p=carbono

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MERCADO DO CARBONO - semana 22 a 29 agosto/11

Análise Financeira
ruim regular bom ótimo excelente
O mercado de carbono entre 22 e 29 de agosto
30/08/2011 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil


No início da semana os preços das EUAs para entrega em dezembro se recuperaram ultrapassando os € 13 na quarta-feira (24), alcançando o maior nível em um mês incentivado pelo mercado de energia na Alemanha.



Na quinta-feira (25), após sete dias de valores mais fortes, o carbono escorregou novamente, porém reagindo na sexta-feira (26) e fechando a semana em alta de 5,6%. Isto se deu devido aos preços mais firmes da energia na Alemanha e a alta do gás natural no Reino Unido, após rumores que o Qatar reduzia a sua produção, reportou a Point Carbon.

Com os preços mais robustos na Europa, na Nova Zelândia as NZUs também apresentaram recuperação de 6,9% em NZ$ 16 na quinta-feira, o nível mais alto desde 21 de julho.

Dado o momento econômico frágil no cenário mundial e em especial na Europa, somado ao excedente de EUAs já presente no mercado e o grande volume de créditos que ainda entrará em cena, a Barclays Capital reduziu as suas expectativas de preços de €14,5 para €13,5 para o segundo semestre de 2011. Como 2012 deve iniciar com valores menores que o previsto para o carbono, a estimativa do banco é que as EUAs fiquem em torno de €15 no ano que vem.

As estimativas mais recentes indicam que o excedente de EUAs disponível no mercado europeu já pulou das 450 milhões de toneladas de CO2e para entre 600-800 MtCOe, o que pode perdurar até 2017, segundo especialistas.

Apenas na semana passada quase 10,7 milhões de RCEs foram emitidas para 27 projetos sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, 3,9% a mais que na semana anterior.

Da mesma forma que para as EUAs, a BarCap também reduziu suas expectativas de preço para as RCEs, que devem ficar em torno de €9,5 até o final do ano, subindo para apenas €10 em 2012 e €14 em 2013. A terceira fase do esquema europeu de comércio de emissões deve ter RCEs sendo negociadas em torno de €17, segundo o banco.

Estados Unidos

Do outro lado do oceano, o Conselho de Recursos do Ar da Califórnia (ARB ou CARB) reafirmou seu comprometimento em prosseguir com os planos de um cap-and-trade regional dando por encerrada uma questão que pôs em dúvida se o mercado de carbono seria mesmo a melhor solução para lidar com as emissões de gases do efeito estufa (Leia mais).

As permissões de emissão (CCAs, em inglês) para 2013 na Califórnia estavam sendo negociadas em US$ 17, crescendo 50 centavos em relação à semana anterior, segundo análises de contratos feitas pela Point Carbon.

Nesta segunda-feira (29) duas novas bolsas, GreenX e ICE, estão lançando contratos futuros para a negociação de CCAs, dando início à competição que determinará qual será a principal plataforma para negociação de carbono na décima maior economia mundial.

A Shell Energy North America e a NRG Power Marketing anunciaram na segunda-feira a negociação do primeiro contrato de CCAs futuras através da ICE com valor de US$ 17/tonelada de CO2e.

Imagem: Preços das RCEs e EUAs durante a segunda fase do EU ETS / Barclays




INVENTÁRIO DE EMISSÕES

Inventário de emissões de GEE e ISO 14.064
A vontade de tornar-se uma empresa verde hoje passa pela cabeça de muitos empresários, porém nem todos sabem por onde começar. Para aqueles que desejam neutralizar as emissões de gases do efeito estufa (GEE), a primeira recomendação é produzir um inventário.

O inventário de GEE contabiliza, de maneira precisa, as emissões e remoções de GEE da organização e possibilita identificar projetos que gerem créditos de carbono. Especialistas sugerem ainda que o processo seja guiado segundo normas internacionais.

Segundo Felipe Bittencourt, diretor comercial da consultoria Mundus Carbo, normas como o ISO 14.064 e o IPCC 2006 Guidelines for National Greenhouse Gases Inventories ajudam a garantir a confiabilidade dos dados.

O ISO 14.064, que auxilia na criação de um sistema de gestão das emissões de gases do efeito estufa, foi criado em 2006 para padronizar as informações internacionalmente, possibilitando a verificação por uma terceira parte. Organiza-se em três partes: Parte 1 – especificação com orientação a organizações para a quantificação e a elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa; Parte 2 – concentra-se em projetos ou em atividades baseadas em projetos de GEE especificamente concebidos para reduzir emissões ou aumentar a remoção de GEE. Isso inclui princípios e exigências para determinar os cenários de referência (baseline) do projeto. Ela também tem o papel de monitorar, quantificar e relatar o resultado do projeto em relação ao baseline definido e prover as bases para que projetos de GEE sejam validados e verificados; Parte 3 – Especificação com orientação para a validação e verificação de declarações de gases de efeito estufa.


Isto dá uma maior transparência para, principalmente, empresas de capital aberto. “Ele permite comparações e, convenhamos, é interessante saber se você está indo melhor ou pior que o concorrente”, afirma Bittencourt.

A Irani Celulose foi a primeira empresa brasileira a ter o inventário de GEE certificado pelo ISO 14.064 em fevereiro de 2009. A certificação foi feita pela BRTUV, com consultoria da Mundus Carbo, e constatou que a IRANI emitiu, no ano de 2006, 102.478 toneladas de carbono equivalente e removeu da atmosfera 638.630 tCO2e, resultando em uma remoção liquida de 536.152 tCO2e.

Com isso, a empresa ganhou o status de carbono neutro e muita economia. Com base nas informações do inventário de GEE, a Irani implantou um projeto de cogeração energética (7MW) com gás residual, que resulta na emissão de 17 mil reduções certificadas de emissões (RCEs) por ano; substituiu o uso de óleo BPF por biomassa, substituiu o consumo de GLP e possibilitou a adesão a Bolsa do Clima de Chicago (CCX) com um projeto florestal.

O gerente da qualidade e meio ambiente da Irani Celulose, Leandro Farina, explica que as políticas internas da empresa passaram a levar em conta o Inventário de GEE de modo a reduzir ao máximo suas emissões. Decisões sobre tipo de tratamento de efluentes, produção de energia limpa própria e aproveitamento ou não de resíduos são alguns exemplos de temas que entraram nas pautas de discussões da diretoria.

GHG Protocol

Além do ISO 14.064, o GHG Protocol é outra ferramenta de medição utilizada mundialmente por empresas e governos na identificação e gerenciamento de suas emissões dos gases de efeito estufa. No Brasil, a organização reúne 60 grandes empresas e, até junho de 2010, havia publicado oficialmente 23 inventários de emissão de GEE . A metodologia do GHG Protocol é compatível com as normas ISO e as metodologias de quantificação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, com o trabalho promovido pelo Programa Brasileiro. As informações geradas podem ser aplicadas aos relatórios e questionários de iniciativas como Carbon Disclosure Project, Índice Bovespa de Sustentabilidade Empresarial – ISE e Global Reporting Initiative – GRI.

Durante o evento de avaliação dos dois anos do Programa Brasileiro GHG Protocol foi lançado o Registro Público de Emissões de GEE. A iniciativa é do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV – GVces em parceria com o World Resources Institute – WRI e significa um primeiro passo na preparação das companhias para os futuros marcos regulatórios que orientarão as ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A divulgação das emissões setoriais também evidenciará as empresas entre os consumidores, cada vez mais atentos à responsabilidade socioambiental corporativa.

ISO 14066:2011


Esta é uma nova ferramenta internacional da ISO que oferece detalhes sobre o nível de competência exigido por aqueles que são responsáveis pela verificação e validação das emissões de gases do efeito estufa de um determinado inventário ou relatório.

A ISO 14065 especifica os requisitos para organizações que validam e verificam as emissões.





fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mudancas_climaticas/inventario_de_emissoes_de_gee_e_iso_14.064

terça-feira, 23 de agosto de 2011

AUSTRÁLIA - Compensações GEE - regulamentação

Austrália aprova iniciativa para compensar emissões
22/08/2011 - Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais
Legislação cria um comércio de créditos para projetos dos setores agrícola e florestal e é o primeiro passo concreto das políticas climáticas no país, que deve estabelecer ainda uma taxa de carbono




O parlamento australiano aprovou nesta segunda-feira a primeira parte do pacote de medidas para cortar as emissões de gases do efeito estufa, uma iniciativa que regula créditos de carbono provenientes de atividades agrícolas e florestais

A legislação, que dá diretrizes para a criação e comércio de créditos de carbono resultantes de projetos que reduzam ou absorvam emissões no setor agrícola e florestal, seria a primeira ao redor do mundo a ser implementada a nível nacional abrangendo estes setores.

Entre os projetos a serem desenvolvidos serão aceitos o plantio de árvores visando a absorção de dióxido de carbono, o corte das emissões de metano do arroto de camelos e outros rebanhos, a redução do uso de fertilizantes e conseqüentemente de óxido nitroso e o manejo dos incêndios (Saiba mais, em inglês).

Não são elegíveis projetos que ameacem a disponibilidade de água, a riqueza de espécies de plantas e animais e os postos de trabalho de uma determinada área. O período inicial de creditação é de 20 anos para proteção de florestas nativas, 15 anos para reflorestamento e 7 anos para os outros tipos.

O apoio do Partido Verde foi fundamental para que o governo conseguisse aprovar no Senado a legislação conhecida como 'Carbon Farming Initiative' (CFI), que agora volta para a Casa dos Representantes (Câmara baixa) para aprovação de algumas poucas emendas feitas pelo Senado.

O ‘Uso da Terra’ equivale a 23% das emissões da Austrália, maior emissor per capita de GEEs do mundo devido à geração de energia fortemente baseada no carvão.

"O carbono verde é um dos quatro pilares do pacote climático, em conjunto com a implantação de um preço sobre a poluição e investimentos em energia renovável e eficiência energética", comentou a líder dos verdes Christine Milne.

O restante das leis, incluindo a precificação do carbono, essencial para o seu sucesso apesar dos créditos poderem ser negociados no mercado voluntário e internacional, ainda precisa ser aprovado no parlamento.

Protestos

A proposta do governo é que a partir de julho de 2012 os maiores poluidores australianos passem a pagar uma taxa de A$23 sobre as emissões de carbono, porém o setor de agricultura não está incluído na lista.

Como os emissores incluídos na iniciativa terão a possibilidade de usar créditos de compensação das emissões (sendo que até 50% precisam ser gerados domésticamente), o governo criou a CFI. Em meados de 2015, entraria em vigor um esquema de comércio de emissões.

A oposição conservadora está organizando manifestações fortes contra os planos do governo e promete acabar com o esquema se ganhar as próximas eleições, o que as pesquisas de opinião apontam como muito provável.

Também na segunda-feira um comboio de caminhoneiros protestou na capital Camberra contra a taxação do carbono. Os manifestantes alegam que cerca de 10 mil caminhoneiros estavam presentes, porém fontes do governos dizem que mesmo prometendo fechar a cidade com milhares de caminhões apenas algumas centenas apareceram na capital.

Fotos realizadas pela agência AFP mostram caminhoneiros segurando cartazes com dizeres como "Eu amo CO2" e "CO2 não é poluente", o que de fato não é, sendo a sua presença em excesso na atmosfera que causa a elevação das temperaturas.

Apesar de ter conseguido desviar da crise econômica de 2008, a Austrália está passando por um momento interno sensível, com alto preço do seu dólar e dificuldades em alguns setores da economia. Na segunda-feira, a maior fabricante de aço do país, a BlueScope Steel anunciou o corte de 1 mil postos de trabalho e o fechamento de metade da sua capacidade de produção.

fonte:

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/?id=728299

FUTURO INCERTO DO MERCADO DE CARBONO

18 fevereiro, 2011

Futuro incerto para o mercado de carbono
Sérgio Abranches
O mercado de carbono está em crise. Foi abalado pela crise financeira global que se seguiu ao colapso da subprime no EUA. Enfrenta uma crise de confiança. Sofre com a incerteza sobre o destino do Protocolo de Quioto. A rejeição de um mercado nacional de carbono pelo Congresso do EUA reduziu muito a possibilidade de que se torne um mercado global em prazo razoável.
A recessão reduziu a necessidade de compra de créditos por muitas empresas na Europa, porque com a demanda reduzida, ficaram dentro de suas cotas. Fraudes e “insider trading” abalaram a confiança no sistema europeu. O Protocolo de Quioto dificilmente será revalidado para após 2015. Até agora não houve condições de aprovar um novo acordo global legalmente vinculante para substituí-lo. O Acordo de Copenhague e os Acordos de Cancún representaram passos importantes, porém insuficientes, nessa direção. A conjuntura atual indica que será pouco provável que este acordo seja fechado em Durban, na África do Sul, no final do ano, durante a COP17.

Hacking e fraudes abalaram a confiança no ETS, o sistema compulsório de carbono europeu. Ele ficou fechado muito tempo e está abrindo devagar. Antes que essa crise fosse superada, evidências de “insider trading”, atuação de agentes com informação privilegiada, mostraram novos furos no sistema e em sua estrutura regulatória.

A Comissão Européia enviou ao Parlamento Europeu os planos para fazer uma reavaliação mais profunda do sistema e desenhar um marco regulatório mais eficaz. A Comissária para Ação Climática da União Européia, Connie Hedegaard disse que essas propostas são cruciais para assegurar que o mercado de carbono, com tendência de alto crescimento, possa se expandir com segurança nos próximos anos. “Com a crise climática e a crise econômica, o mundo precisa mais que nunca de meios ‘custo-efetivos’ para reduzir as emissões de gases estufa”, disse Mas ela reconheceu, também, que há evidência de que esse mercado será alvo crescente de fraudadores e é “critico que ele continue a ser submetido a efetiva fiscalização regulatória”.

Mas as opções em exame não parecem muito promissoras: apertar as regras para o mercado spot e submeter o ETS (European Trading Scheme) à legislação que regula os mercados financeiros. Mas, como se viu na crise financeira global provocada pelo colapso da subprime no EUA, a regulação dos mercados financeiros também tem furos. Eles mostraram que os riscos de transações financeiras globais irregulares são muito maiores que se imaginava. O próprio mercado financeiro ainda não se recuperou da crise de credibilidade resultante do colapso de várias casas de prestígio, alta reputação e muito positivamente avaliadas pelas agências de risco.

É certo que o desenvolvimento desse mercado como solução efetiva para a redução de emissões depende de novas regras. As cotas gratuitas já se mostraram ineficazes. Elas deixam capenga o processo de fixação do preço do carbono. É grande a volatilidade desses preços, por razões estruturais e conjunturais. Uma das principais razões estruturais, é a inexistência de piso regulatório para o preço do carbono. Este poderia ser fixado pela venda de cotas/permissões de emissões, ou, melhor ainda, por um imposto sobre o carbono. Além disso, o futuro desse esquema dependeria de sua real globalização. E esta se tornou uma fonte adicional importante de incerteza e baixa credibilidade, desde que o Congresso do EUA retirou de pauta a criação de um sistema nacional de cap and trade (cota e crédito). Há no Estados Unidos mercados regionais reunindo vários estados, mas este também ficou mais frágil diante da certeza de que, pelo menos no médio prazo, não haverá um sistema nacional. Ele estabeleceria regras e parâmetros mínimos comuns para o mercado de créditos de carbono em todo o país.

O parlamento australiano também abandonou a ideia de criar esse mercado, defendido pelo governo trabalhista liderado pela primeira ministra Julia Gillard. O governo agora negocia um imposto sobre o carbono. Dessa forma o sonho de um grande mercado regional, integrando a Nova Zelândia e outros países, se dissipa com a Austrália de fora.

O mercado de MDL tem custos de transação elevados, é burocrático demais e dificilmente, tal como existe, permitiria a formação de um mercado global com escala suficiente para reduzir as emissões de carbono globalmente.

O mercado voluntário de carbono recebeu um duro golpe com o fechamento da Bolsa do Clima de Chicago. Além disso, tem inúmeros problemas, que parecem insanáveis.

Até agora, nenhum dos modelos de mercado para o carbono se mostrou eficaz, seja para fixar um preço global ou local efetivo para o carbono, seja para de fato reduzir as emissões local ou globalmente. Particularmente, não creio que venha a se mostrar mais eficaz do que um imposto sobre o carbono calibrado para incentivar ações que levem ao cumprimento de metas efetivas de redução de emissões.

Algumas das razões pelas quais não tenho muitas expectativas para os esquemas voluntários de crédito de carbono:

* Eles usam multiplicidade de critérios e metodologias. Não há metodologia consensual para medir emissões e calcular neutralização (off-sets).
* Horizonte de tempo dos projetos é duvidoso e não há mecanismos de rastreamento e checagem.
* Não há certificação acreditada, nem padrões consensuais de certificação. Também não há mecanismos de transparência, controle e sanção de certificadores.
* Excesso de maquiagem verde retira a credibilidade dos projetos.
* Ausência de regulação estatal.
* Sistema de preço é arbitrário.
* Projetos muito vulneráveis às oscilações da economia, comprometendo a sustentação de organizações da economia de créditos de carbono e dos próprios projetos já implementados.

As razões de meu ceticismo em relação aos esquemas compulsórios e porque eles estão perdendo credibilidade:

* Os esquemas ligados ao MDL (mecanismo de desenvolvimento limpo) da Convenção do clima são burocráticos e discricionários demais.
* Seus custos de transação são elevados por causa da tramitação muito penosa e da discricionariedade conferida aos burocratas nacionais e da ONU.
* Grande desigualdade de tratamento dos projetos entre países por falta de critérios unificados e pela dependência dos processos na ONU à palavra dos países. Se a burocracia de um país é mais avessa a projetos de MDL, como tem sido o caso no Brasil, e a de outro país é muito flexível, como tem sido o caso na China, o país mais permissivo ganha a maioria dos projetos. Muitos deles de eficácia duvidosa. A permissividade de um, leva a projetos de ganho duvidoso para o clima. O rigor excessivo do outro, leva a perdas de oportunidades de redução efetiva de emissões e, portanto, de benefícios para o clima.
* Não há transparência, fiscalização e acompanhamento adequados dos projetos.

Com relação ao ETS, o sistema Europeu:

* A distribuição de cotas gratuitas, não incentiva a redução de emissões. Todo o incentivo às reduções passa a depender do preço de mercado do carbono. Se o preço cai, porque houve queda na atividade econômica, o incentivo desaparece. Pior, empresas compram créditos baratos, para compensar aumentos futuros de emissões. Melhor cenário: estabilidade de emissões.
* Falta de um piso de preço que funcione como um custo irredutível para as emissões de carbono. Isso poderia ser obtido pela venda das cotas de emissões, com preço e quantidade fixos ou via leilões ou, de forma mais eficiente por um imposto sobre o carbono.
* O marco regulatório do esquema é precário, vulnerável a fraudes e a manipulações de mercado.

Há avanços que indicam saídas possíveis no futuro. As grandes empresas globais estão sendo forçadas a medir o teor de carbono de seus produtos e em suas cadeias de suprimento (supply-chain). Há muitas iniciativas avançadas mostrando como medir o custo implícito – associado aos danos ambientais e à saúde pública – de combustíveis fósseis como o carvão e o diesel. Recentemente, um estudo da universidade Harvard mostrou que o custo “escondido” do carvão no EUA ultrapassa os US$ 345 bilhões por ano. Em outras palavras, os danos ao ambiente e à saúde, se adequadamente contabilizados, triplicariam os custos da energia gerada com carvão. Se esses custos fossem levados ao preço, por medidas regulatórias ou tributárias, seriam um incentivo enorme à expansão de energias renováveis alternativas, como solar, eólica, biomassa, geotérmica e ondas e marés. Pelo custo real, incluindo os custos implícitos no uso das fontes fósseis, todas essas fontes alternativas se tornariam competitivas.

O outro caminho foi indicado pelo presidente Obama em seu discurso sobre o Estado da União: eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis e passar a subsidiar as fontes limpas de baixo ou zero carbono. No Brasil, por exemplo, como mostrei recentemente, a gasolina não tem preço efetivamente fixado pelo mercado, o que implica na possibilidade de subsídio velado. O diesel é fortemente subsidiado. A eliminação desses subsídios e sua realocação para incentivar o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica e eólica, faria enorme bem à saúde dos brasileiros e ao ambiente. Na feliz expressão usada por Obama: parar de subsidiar a energia do passado e passar a subsidiar a energia do futuro

FONTE: http://www.linkedin.com/news?viewArticle=&articleID=722807050&gid=3046706&type=member&item=67377657&articleURL=http%3A%2F%2Fwww%2Eecopolitica%2Ecom%2Ebr%2F2011%2F02%2F18%2Ffuturo-incerto-para-o-mercado-de-carbono%2F&urlhash=oWZT&goback=%2Egde_3046706_member_67377657

quinta-feira, 11 de agosto de 2011